28 de maio de 2015

HISTÓRIAS DE MARIA - Brasileiras Dançando no HomeComing 2016


 Homecoming 2016 e uma Dupla Brasileira de ATS!!!

by Maria Badulaques

Ontem recebi uma notícia maravilhosa, o vídeo de inscrição que Natalia Espinosa e eu enviamos para dançar durante o ATS Homecoming foi aprovado por Carolena e Terri, portanto estaremos representando o Brasil.

Respira, respira, respira....faltou ar e oxigenação no cérebro!!!

Sou nordestina, como muito de vocês sabem, música nacional, chita...tudo isso é minha praia e quando conversamos (eu e Nati) sobre o que levar, lançamos a possibilidade de fazermos algo com chita e música nativa, parece que era um sonho das duas, então zaz....vamos lá.

Minha saia de chita foi parar nas mãos de Carolena, então terei que fazer outra, especialmente para o Homecoming :) - dançar em um evento destes, com o Gonzagão ao pé do ouvido será uma provação, segura emoção!!! Reverenciando minhas origens e as da Nati, ambas com fortes referências no nordeste!

ESTOU TRANSBORDANDO FELICIDADE!!!
Estar no evento já é uma benção, DANÇAR entre as Tamarind, Wildcard Bellydance, FCBD...percebem? Sem divisões do que é Gala, Mostra....pq na verdade é tudo ATS e assim sendo tudo junto e misturado, AÍ SIIIIIIIIIIM!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Agora é pegar firme na técnica, preparar algo muito especial e honrar a presença brasileira na terra de BIG C. 
Agredecer, eis o verbo da vez!
A DEUS pelo ar que me invade os pulmões!!!
A minha parceira Natalia - por acreditar no potencial da dupla, tou ferrada vai ser muito ensaioa agora e jujubaaaaaaaa (piada interna).
A minha parceira Carine - que levaremos na mala nessa jornada.
A minha família amada - marido, mãe e filhos que são o Pilar da minha existência.
A minha trupe Gira Ballo - Sandra, Wendy, Virginia e Heli, família por escolha do coração!!!!
A TODOS MEUS AMIGOS QUERIDOS QUE ESTARÃO TORCENDO E ACOMPANHANDO ESSA JORNADA, com destaque especial para o Marcelo Justino, que abriu um mundo cheio de possibilidades quando caí de cabeça numa aula de Tribal Brasil.

É MUITA ALEGRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIA!!!!!
Xeros e vamo que vamo.

*Errata: seremos em 3 brasileiras no evento, eu, Nati e Imaculada Parreira.

20 de maio de 2015

PILARES ENTREVISTA - Marri Moraes

Entrevista elaborada por Carine Würch para os participantes do General Skills e Teacher Training com Carolena Nericcio e Megha Gavin, em abril de 2015 em São Paulo. 
Conte uma breve trajetória da sua dança. (Marri Moraes)
Nunca tive pretensão de virar dançarina. Sempre fui meio, desengonçada e todos os predicados relativos à meninas/mulheres masculinizadas (nada a ver com opção sexual). Porém, sempre gostei muito de dançar, desde os 15 anos tenho uma história forte com a música e acredito que uma coisa leva à outra. Enfim, em 2005 comecei a fazer aulas de dança do ventre para "ver de qual é dessa dança" e me dei super bem... porém, depois de 6 meses fazendo aula, estava eu despretensiosamente procurando vídeos de trompetistas da Europa Oriental, quando me deparo com um vídeo do "The Indigo", que começa com um trompetista solando. Quando vi aquelas 3 mulheres divosas com aquelas roupas mutcho locas dançando lindamente com aquela música hipnótica, fiquei num estado de euforia e felicidade enormes, porque ali eu pensei "caraca... é isso... é isso que procuro na dança..." 

Mostrei pra minha irmã que ficou igualmente fascinada e começamos a vasculhar tudo que podíamos sobre o tal de Tribal Fusion, e por conta e risco, fizemos video aulas e montamos uma coreografia. Dançamos em alguns lugares e mostras de dança. Nesta época, fizemos um workshop com a Surrendra de BH.

Entre 2008 e 2012 fiquei sem dançar por motivos de mudança, e em 2012, já morando no interior de SP, uma amiga viu um vídeo meu e da minha irmã dançando e me incentivou à dar aulas. Como eu não tinha qualquer respaldo para tal, procurei uma escola em SP, achei a Campo das Tribos, onde estudo até hj!! Fiz aulas com a Mariana Quadros e Rebeca Piñeiro, duas professoras incríveis às quais agradeço muito!! 

OBS: desculpa, mas não deu pra ser muito breve...rsrsrs


O que fez você escolher fazer o curso com Carolena Nericcio? 
Poutz... acredito que qualquer pessoa que dance ATS e até outros estilos dentro do Tribal, aproveitariam essa oportunidade única!!! 

Você já fazia aulas regulares de ATS? Participa de algum grupo/ trupe que se dedica ao estilo?
Fiz aulas com a Mariana Quadros e faço com a Rebeca Piñeiro. Estou formando um grupo de ATS na cidade onde moro atualmente, São Francisco Xavier/ SP.


Na sua opinião, qual a maior dificuldade dentro do curso? (desafios físicos, mentais, financeiros?)
A forma como as coisas aconteceram foram tão providenciais e harmônicas que não tive nenhuma dificuldade no curso... foi tudo pleno, suave, aproveitei cada segundo!!!


Com esta formação, pretende dar aulas regulares de ATS?
Sim!! Com certeza!!

O que mais você absorveu de toda esta experiência?
O Espírito do Tribal, do ATS!! Estar numa sala com Mama C, Meghan, Kelsey e 70 mulheres TODAS com personalidades fortes, tocando snujjs, dançando... ptz...indescritível!! 

Me arrepiei várias vezes e me emocionei tbm!! Principalmente no momento que ela disse: "quando você entra no palco, você não é você, você é a própria dança"


Como é ter aulas com a criadora do Estilo? Sua percepção em relação a Carolena (mãezona? Rígida? etc) é diferente do que você imaginava anteriormente? Conte-nos. :)
Quando ela entrou na sala no primeiro dia, foi muito louco porque senti como se uma entidade estivesse entrando ali... não que eu esteja colocando Mama C em um pedestal, mas ela traz o Espírito do ATS, do Tribal muito forte consigo... e ao olhar pra ela sentia como se estivesse olhando para uma grande mestra!! Ela carrega muito amor dentro de si, muita generosidade e verdade... foi o que senti. E não achei ela nada rígida... muito simpática a meu ver!! 
Deixe uma mensagem para nossas leitoras. (Marri Moraes)
A dança apareceu na minha vida para me reconectar com minha essência feminina, e hoje vejo e sinto que essa conexão vai além de nós como seres individuais. Para ela ser completa precisamos nos envolver coletivamente, como grupos, como tribos... quando tive essa percepção entendi o porque do nome "Dança Tribal"!! Liberdade, amor e união à todos os seres!! 

HISTÓRIAS DE MARIA: Quando o ATS vira assunto familiar!

Marina - 6 anos
Sabemos que algo mudou nossa rotina, quando a filha de 6 anos descreve em seu caderno de texto como ela vê o ATS.

Marina tem um caderno de produção textual, vira e mexe leio redações muito criativas de temas variados, outro dia falou da poesia e ontem resolveu escrever sobre a dança. 

Como faço flamenco, dança circular, havia muito material para ser citado, inclusive a própria Marina faz flamenco e circular, mas o assunto da vez era o ATS

Incrível, ela não disse TRIBAL, a referência foi clara ATS, ok...

Acompanhando a leitura me encantou observar o olhar dela, aquilo que prende sua atenção, o PUJA!!! Ela me disse: mamãe, amo aquela conexão com a Terra. Fiquei paralisada, olhando-a! E disse: o Puja, Marina? Em resposta, ela fez o Puja tocando orelhas e chão, e orelhas novamente e o namastê. Pausa: olhos marejados. Marina interfere meu silêncio e diz: sabia que ia chorar. :)

Não poderia ser diferente minha filha acredita que cada dia nasce uma fada, ama a natureza, cultiva plantinhas medicinais, com a ajuda e incentivo da vovó Sandra, não sei por qual motivo fiquei tão impressionada com seu fascínio pelo Puja. :)

Impactamos a vida das pessoas, com nossa dança, de diversas maneiras e intensidades, por isso todos percalços e adversidades do caminho devem ser sublimados. Dançar é meditação e uma forma de nos conectarmos com a Terra, com os amigos, referenciar nossa ancestralidade e mostrar aos filhos como a vida pode ser leve.

Um forte xero no pulsante.
Namastê
Maria Badulaques.

18 de maio de 2015

TRIBAL FEST - FAZENDO HISTÓRIA!!!

Carolena Nericcio Bohlman, Kajira Djoumahna, Paulette Rees-Denis e Jill Parker dividindo o palco!

Bem, achei que essa cena não seria possível de ocorrer, Carolena e Jill dividindo o palco, mas sim, é real, ocorreu e adorarei ver o vídeo. Alías, que sofriiiiiiiiiiiiiiiiimento toda a expectativa. 

Para nós que conversamos tanto sobre nossas Pilares, ter a criadora do ATS com a idealizadora do Tribal Fusion juntas, novamente, u-a-uuuuuuuuuuuuuu prova e ensina muita coisa. A primeira é que nenhuma rusga é pra sempre :) e que a dança cura (quase) tudo.

Kajira nos prometeu uma entrevista, em junho espero que possamos saber dela como foi esse momento antológico.

No meu rol de expectativas está, um dia, assistir a tudo isso ao vivo :) e como nada é impossível, vide a cena que inspirou o post, vou começar  a fazer meus planos de viagem.

Acredito, com o fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii-o-fóóóóóóó´da alma, que a dança é LIBERTAÇÃO e não me refiro somente aos entraves que nós criamos para nos aprisionar, mas principalmente no aspecto evolutivo, afinal dançar é uma meditação. Assim, seja em sala de aula seja num grupo de amigos seja numa atividade introspectiva, quando dançamos estamos nos conectando com uma energia superior, independentemente de religião, falo de energia. 

A energia dessas quatro mulheres em cena... vamos observar o que criou, quando liberado o vídeo.

Xeros e boa semana.
Maria Badulaques

 

14 de maio de 2015

PILARES ENTREVISTA - Karuna Jayashakti

Entrevista elaborada por Carine Würch para os participantes do General Skills e Teacher Training com Carolena Nericcio e Megha Gavin, em abril de 2015 em São Paulo. 
Conte uma breve trajetória da sua dança. (Karuna Jayashakti)
Eu comecei muito nova mas por muitos motivos me afastei e voltei muitas vezes a dança. Já dei por encerrada a dança na minha vida várias vezes mas ela insiste em se fazer presente e eu sempre a recebo de volta de braços abertos. Minha base foi o Clássico e o Jazz que foi mais uma preparação corporal, mais tarde o Afro aonde me dediquei mais tempo fazendo parte de um grupo profissional. Fiquei muito tempo longe da dança até voltar com o estudo do Oriental Árabe, me formei instrutora no estilo mas já estava me envolvendo com o tribal (e com o pé na porta para deixar a dança de novo por motivos de saúde), mas o ATS me fisgou. 


Fiz uma formação no estudo do movimento de Rudolf Laban (com uma professora formada no Laban Centre) e agora estou envolvida com um projeto de pesquisa. Sou terapeuta corporal e de florais, que não são danças, claro, mas tem a ver com nosso movimento (ritmo) interno.

O que fez você escolher fazer o curso com Carolena Nericcio?
Não foi uma escolha, foi uma oportunidade que não se dispensa, é a fonte pura e cristalina. 

Você abriria mão de beber uma água fresquinha direta na fonte? O ATS é uma dança atual, a sua criadora está viva! Não é sempre que podemos ser contemporâneos de uma criadora e acho que não devo perder a oportunidade de ir direito a origem enquanto posso.


Você já fazia aulas regulares de ATS? Participa de algum grupo/ trupe que se dedica ao estilo?
Aula regular não, como muitas de nós, bati os dvds dos Basics no liquidificador com flores e frutas e bebi sem moderação. :) 


Fiz workshops importantes com a Isabel De Lorenzo, Kristine Adams e com a Carolena e a Megha



Tive grupos de estudos, nos reuníamos sempre que possível, com pessoas em diferentes níveis de experiência: iniciantes e pessoas que já dançavam a mais tempo do que eu, foi muito bom. Atualmente tem outro em início de formação. 



Procurei não perder os workshops mais importantes porque sempre parece que já sabemos muito ou tudo mas é sempre bom voltar para a sala de aula e ser aluna, aliás, eu adoro estar na condição de aluna, sou uma eterna estudante, em outras áreas do meu interesse também. Mesmo um certificado profissional não me tira desta condição, podemos aprender para sempre. 


Na sua opinião, qual a maior dificuldade dentro do curso? (desafios físicos, mentais, financeiros?)
Fisicamente é o de sempre, haja braço! Mas fui preparada com meu kit sobrevivência a treinos longos. Nos últimos dois dias tive dores nos joelhos mas estas me acompanham a vida toda porque me recuso a fazer cirurgia. Só na segunda metade do último dia senti cansaço mental, me lembro que iniciei a liderança com um grupo e consegui fazer egiptian step, shimmy ghawazee e hip twist de uma vez só, cada parte do meu corpo fez uma coisa, foi engraçado mas minhas irmãs de formação não acharam, me olharam com aquela cara tipo: 'wtf?'... Mas não acho que foi por causa do curso, eu estava vindo de três congressos, um deles de hatha yoga, Abril foi intenso, então uma hora a gente cansa mesmo. Mas dei conta. 

Financeiramente foi tranquilo porque foi num bom momento, sempre tem um sacrifício aqui e ali mas tudo bem, foi uma questão de determinar prioridades.

Com esta formação, pretende dar aulas regulares de ATS?
Pode ser, estou envolvida no projeto de pesquisa que mencionei e dedicada a outras áreas de trabalho. Mas se houver oportunidade darei aula sim porque é ótimo compartilhar o ATS e  a gente aprende ensinando, quando se permite, claro.

O que mais você absorveu de toda esta experiência?
A mudar de lugar na minha relação com esta dança, este lugar é interno. Vou encontrar uma forma de compartilhar isto quando isto amadurecer em mim.


Como é ter aulas com a criadora do Estilo? Sua percepção em relação a Carolena (mãezona? Rígida? etc) é diferente do que você imaginava anteriormente? Conte-nos. :)
É um privilégio, pense se fosse possível ter aprendido dança moderna com Isadora Duncan ou Ruth St Dennis ou Martha Graham... Ou Butoh com Tatisumi Hijikata ou Kazuo Ohno...

Carolena está viva! Criando, tomando decisões, produzindo mais dentro da dança e da comunidade, abrindo espaço para outros produzirem dentro da dança formulando coisas novas, somos contemporâneas destas pessoas, somos a geração que bebe na fonte. 

Foi a segunda vez que tive aulas com ela, fiz o seminário em Buenos Aires (MEM), ela tem energia maternal sim, já ouvi dizer que nos Estados Unidos ela é mais rígida, mas qual mãe zelosa não tem seus momentos de rigidez?  Esta energia é pela sua filha mais preciosa, a dança, e por nós quando manifestamos esta filha dançando. Ela é uma mestra. Muita gente se intitula mestre, mestra, mas a maestria é algo que se amadurece com o tempo ou nunca, uma excelente professora pode ainda não ser uma mestra. 

Carolena é o ATS, no show de Gala, Megha dançava muito e passava a vez para Carolena, ela fazia um floreo...  parava... e a platéia desabava. rs. 
Era como ver o ATS encarnado. Ela é a dança dela.

É muito gratificantes estar com a Megha também, ela é muito generosa conosco e conectada com a Carolena

Deixe uma mensagem para nossas leitoras.
Certificação não é uma varinha de condão que nos torna donos da realidade absoluta e apitos a validar ou invalidar ninguém.

Certificação é uma certificação. Ponto. Na verdade eu entendo que isto nos obriga a estar mais comprometidas com o estudo, a ser mais generosos e mais responsáveis.


Carolena já disse que isto não é sobre como saber uma dança mas sobre relacionamento. E entender isto não se consegue através de certificações mas através da vontade pessoal de se desenvolver como pessoa. Não estou invalidando a certificação, tenho tanto orgulho dela quanto todo mundo que carrega estes certificados no mundo todo, também postei fotos dos meus, claro! 

É para nos orgulharmos mesmo. Mas este não é um fim (aprendizado), é um outro degrau do caminho. Um degrau muito valioso, mas é um degrau ainda.(Karuna Jayashakti)

11 de maio de 2015

PILARES ENTREVISTA - Marcelo Justino - A postura masculina no ATS

Os homens no ATS, entrevista com Marcelo Justino. 
Por Maria Badulaques

Inegavelmente, eles ocupam todos os espaços e o que fazem é sempre nababesco!

Pilares - Depois de 20 anos de dança e tanta bagagem o que lhe atraiu no ATS? O que mais me atraiu no ATS foi a beleza dos movimentos, essa fusão de estilos, que me abriu a mente para muitas possibilidades de criação de movimentos fusionados.

Pilares - O ATS foi feito pensando no corpo feminino, como você observa esses movimentos se estruturando no seu corpo? Não consigo sentir  diferença na execução dos movimentos num corpo masculino, mas pra mim, a minha  maior dificuldade é executar os movimentos onde os quadris são soltos e relaxados, como a estrutura da pelve masculina é diferente  e não temos o dito "quadril" e nem cintura tão acentuada, executar esses movimentos é um pouco mais difícil.

Pilares - Como descreveria o seu ATS? Eu ainda estou em aprendizagem, ainda estudando e com muita coisa para aprender. Diferente do que muitos dizem, que dançar ATS é fácil, pra mim não acontece do mesmo jeito. São muitos detalhes, muitos movimentos, muitas nuances que fazem desse estilo algo tão singular e belo.

Pilares - O ATS é uma dança coletiva, você é um bailarino eminentemente solista como observa esse lado coletivo da dança? Apesar de ser solista, dou aula há muitos anos, ou seja, sempre tive que montar coreografia para grupo, e raramente para solista. Sempre preguei para os alunos a relação de grupo, o perceber e enxergar os parceiros de dança, o respeito em grupo e a união em cena, então viver isso com o ATS não me causou estranhamento, só tive que pôr em prática aquilo que sempre preguei para meus alunos.

Pilares - Pensa em ser brother studioNão penso em ser brother studio, quero sim ainda estudar bastante e continuar mantendo minhas aulas regulares. Se algum dia vir a ser "brother" será apenas por consequência dos estudos, mas hoje não é algo que eu almeje.

Pilares - Você já fez curso com Carolena, que passo lhe chamou mais atenção? Eu fiz um work com a Carolena em Buenos Aires e na época o passo que mais me encantou foi o Medusa. Tem uma base de estrutura indiana que eu gosto muito.

Pilares -  O Dress Code masculino está em aberto, como pensa estruturar o seu? 
Pensar o figurino masculino para o ATS foi e ainda continua sendo uma dificuldade. Como não se tem  muito em que inspirar, a dificuldade  para isso é grande. Impreterivelmente usarei  calça, não consigo me imaginar usando saias e  manterei o xale de quadril. A maior dúvida é se mantem o tronco nú ou se cubro com uma bata ou colete. Como gosto muito do artesanato brasileiro, quero que meus figurinos sempre sejam estruturados com os acessórios com base na minha cultura. Mas para minha primeira apresentação em publico estarei com o torso coberto com um colete.

Pilares -  Para você o ATS é a base do tribal fusion? Depois que conheci o ATS, tenho plena certeza que ele é a base do tribal fusion. Pra mim tudo se originou com ele.

Pilares -  Após todas experiências novas, percebe modificações em sua dança? Eu percebo diferença no meu estilo tribal fusion. O ATS me ajudou a trabalhar melhor minhas fusões e com minha postura em palco na execução dos movimentos.

Pilares - Quais os pilares do seu ATS? Eu tenho apenas um pilar para o meu ATS, ESTUDARRRRR  e muito. Quanto mais aprendo, mais vejo que tenho muito mais a descobrir.


Comentários do Pilares: Fez sentido pra você? O olhar de Marcelo para o ATS e o Tribal Fusion casam com minha forma de analisar a dançar, essa conclusão então, frisando os estudos é algo a ser moldurado... afinal se um dançarino com mais de 20 anos de experiência, entende que a base de sua dança é o estudo... bem, precisa dizer mais nada. Parfait!!! 
{Maria Badulaques}

Super xeros e vamo que vamo.

10 de maio de 2015

HISTÓRIA DO ESTILO TRIBAL AMERICANO - PARTE VI

UMA HISTÓRIA DO ESTILO TRIBAL AMERICANO

Texto extraído do Blog Tribal Mind
*por Rina Orellana Rall, principal dançarina FCBD 1988-1998
Tradutora: Suzana Guerra | Revisão: Aline Oliveira


Carolena Nericcio

Carolena Nericcio começou a estudar com Masha Archer aos quatorze anos de idade. Estudou com Masha durante sete anos, antes do início do FCBD em 1987. 

FatChance é uma mistura das duas metodologias em termos de figurino e formato de palco. O formato de estilo tribal veio da Jamila"...o coro, a montagem do coro de meia-lua e as dançarinas saindo individualmente para fazer uma pequena rotina de dois ou três minutos e depois voltando para o coro". 
Elas seguem o estilo da Jamila de usar trajes pesados, mais o estilo de Masha, de ter o mesmo visual de fusão para cada uma. 

Carolena enfatiza a  suas alunas a mesma presença de palco e personalidade em público que Masha Jamila ensinaram. 

Ela também preserva toda a intensidade do encorajamento das dançarinas entre si com zhagareets (zagrutas) (a ululação vocal) durante uma apresentação. 

Uma ligação direta à Masha é a postura, mantendo o tórax erguido e gracioso e mantendo uma consciência de integridade.

Masha tomou liberdades com esta forma porque ela sentia que era permitido por sua herança artística. 

Carolena, no entanto, executou a dança  próximo a suas raízes culturais usando principalmente música folclórica da Norte da África e Oriente Médio e mantendo os movimentos básicos para dança do ventre:

Carolena tem um profundo respeito pela cultura de onde a dança do ventre se origina. Mas ela também se considera uma artista que quer reunir peças convenientes: 

"Eu quero ser capaz de promover esta cultura por idéias mais criativas mas também quero defendê-la de pessoas que desmontariam a estrutura dela". (Carolena Nericcio)

Fiel à natureza cigana de adaptabilidade para sobrevivência, a ênfase principal na sua estrutura é um "estilo esteticamente agradável", o que fornece um bom espetáculo. 

FatChance dança músicas que as inspira e contribui para o sentimento tribal folclórico da trupe. 

Quando perguntaram se ela via Estilo Tribal Americano como puramente norte americano ou como uma forma diferente do contexto cultural, Carolena respondeu que ela era ambas. 

"Às vezes ela é mais norte americana e às vezes ela é mais egípcia.

O que é muito importante, entretanto, é que as dançarinas mantenham o espírito fiel à cultura. 

Carolena sabe a importância de permanecer fiel ao contexto cultural, mas ela sabe que o Estilo Tribal Americano está aqui para ficar e constantemente evoluirá. 

Reconhece que as dançarinas têm uma responsabilidade de trazer mais integridade à dança e manter o espírito das raízes culturais. 

Porém, ela tem sentimentos opostos sobre como ela gostaria de ver esta dança evoluir nos próximos cinqüenta anos. Parte dela gostaria de ver a dança ganhar status teatral respeitável no palco. Mas também percebe que uma parte importante seria perdida porque a essência da dança é a interação com as pessoas "bem ali nas ruas".

A linhagem norte americana desta forma de dança, representou circunstâncias variadas para a sua evolução. 

Jamila Salimpour iniciou a Bal-Anat por necessidade econômica e representava várias regiões em seu repertório de dança. 

Masha Archer estava mais preocupada com a beleza da forma de dança e se desligou da cultura original. 

Carolena Nericcio modifica a dança para manter o público entretido, mas sempre mantém o espírito da cultura dos ciganos do Oriente Médio. 

O fator de união das três professoras na linhagem de Estilo Tribal Americano é a paixão pela essência da forma de dança, em vez de representar uma réplica exata das dançarinas ciganas originais.


(texto com mais partes)

Texto Original - Aqui


Texto extraído do Blog Tribal Mind
*por Rina Orellana Rall, principal dançarina FCBD 1988-1998
Tradutora: Suzana Guerra | Revisão: Aline Oliveira

9 de maio de 2015

HISTÓRIA DO ESTILO TRIBAL AMERICANO - PARTE V

UMA HISTÓRIA DO ESTILO TRIBAL AMERICANO

Texto extraído do Blog Tribal Mind
*por Rina Orellana Rall, principal dançarina FCBD 1988-1998
Tradutora: Suzana Guerra | Revisão: Aline Oliveira

Masha Archer

Descontinuou seus estudos com Jamila Salimpour, uma vez que ela estava pronta para se apresentar nos clubes. 

Estudou com Jamila  durante dois anos e meio, uns semestres antes de fundar a Trupe de Dança Clássica de São Francisco que existiu durante quatorze anos (dos anos 70 até meados dos anos 80).

De acordo com MashaJamila sentiu que a dança merecia um local melhor do que restaurantes e bares, mas não havia nada que poderia ser feito sobre isto: "Ela contava que tão desagradável quanto a cena podia ser, você tinha que aguentar aquilo porque era apenas uma competição na cidade".

A disciplina original de Jamila foi extraída e Masha usou a dança para expressar as linhas que ela imaginava. 

Considera que sua herança artística é inspirada por algo especial e responsavelmente usa qualquer parte que deseja: Não usa qualquer rótulo no momento de definir seu estilo. 

Era simplesmente "Dança do Ventre". 

Carolena Nericcio, membro da sua trupe durante sete anos, comicamente chama estilo de Masha, a "Tribal Art Noveau (Nova Arte Tribal), porque ela queria que seu traje refletisse mais que uma mistura de arte Européia".

A abordagem de Masha ao figurino, foi influenciada por Jamila, mas ela a empregou também "em um ecletismo aquisitivo explorador e maluco. 

"Nós enxergamos como uma espécie de Européia, Parisiense-Tunisianas com um visual tribal Bizantino muito forte, o que foi completamente inventado." 

Masha persistiu que o visual era aparentemente autêntico por causa das jóias tribais e peças antigas do Oriente Médio e Europa

Referiu-se a ele, como "Americano Moderno Autêntico" por causa do conceito norte americano de tomar liberdades com autenticidade e origens.
(texto com mais partes)

Texto Original - Aqui


Texto extraído do Blog Tribal Mind
*por Rina Orellana Rall, principal dançarina FCBD 1988-1998
Tradutora: Suzana Guerra | Revisão: Aline Oliveira

8 de maio de 2015

UMA HISTÓRIA DO ESTILO TRIBAL AMERICANO - PARTE IV

UMA HISTÓRIA DO ESTILO TRIBAL AMERICANO

Texto extraído do Blog Tribal Mind
*por Rina Orellana Rall, principal dançarina FCBD 1988-1998
Tradutora: Suzana Guerra | Revisão: Aline Oliveira


Jamila Salimpour

Ela é creditada, por muitos, pelo início da revivificação da dança do ventre nos Estados Unidos e por ser a criadora do que é agora conhecido como Estilo Tribal Americano

Ela também desenvolveu um método de listagem detalhada verbal e terminologia para os movimentos que ela aprendeu de artistas visitantes do Oriente Médio

Sua introdução à dança, veio com as descrições de seu pai das dançarinas Ghawazee no Egito, enquanto ele se situava lá com o exército Siciliano. 

Também acompanhou a sua senhoria egípcia a filmes egípcios, quando a dança era exibida. 

Tentou se lembrar de cada movimento que ela tinha visto: 

"E assim, das lembranças de meu pai, do conhecimento em primeira mão de minha senhoria e dos exemplos do filme, isto foi como eu adquiri minha informação sobre a dança". (Jamila Salimpour)

Começou ensinando dança no início dos anos 50, mas teve dificuldade porque nunca tinha aprendido formalmente a dança, e não sabia como ensiná-la. Isto foi até que começasse a dançar em São Francisc, nos anos 60, e virasse dona do Bagdad Cabaret na Broadway, no qual foi exposta a dançarinas contratadas de diferentes países no Oriente Médio

Neste ponto ela começou a catalogar movimentos e criar um vocabulário de dança utilizável.

O acúmulo de informação criou um repertório vasto para suas alunas coreografarem suas próprias peças. 

Jamila tinha se concentrado no Estilo Cabaré Tradicional, que era adequado para boates, mas em 1967, começou a perder algumas das suas alunas. 

Descobriu que elas estavam indo com figurino para a Renaissance Pleasure Faire na Califórnia do Norte, e apresentando-se espontaneamente ao longo da Feira. O organizador da Feira suplicou a ela para controlar a situação. Então, formou o grupo Bal-Anat, para organizar as dançarinas para se apresentarem na Feira e dirigir suas alunas.

A experiência de Jamila como acrobata com o Ringling Brothers Circus ,enquanto ela era uma adolescente, se tornou treinamento essencial para o novo formato do grupo. 

Ela moldou a trupe depois de um show de variedades, similar ao circo, que poderia ser visto em um bazar no Oriente Médio
O show de variedades continha números de dança que eram de três a cinco minutos de duração e representava um perfil dos velhos estilos do Oriente Médio. 

Suas alunas norte americanas representaram músicos do Egito e Marrocos, uma dançarina da Ouled Nail da Argélia, dançarinas da Turquia e dançarinos de bandeja masculinos.

O estilo Bal-Anat não foi identificado na ocasião, porque cada membro representava uma dança regional diferente, e vestia um traje apropriado. 

Porém, elas poderiam ser identificadas como Estilo Tribal Americano, por causa da definição de fusão étnica, e porque elas modificaram seu espetáculo para um público Americano em um palco Americano.

O formato de Bal-Anat foi imitado por todos os Estados Unidos, embora as novas praticantes normalmente não soubessem de onde o estilo originou-se. "Realmente, muitas pessoas pensavam que ele era a 'idéia genuína' quando na realidade era metade  genuíno e metade falso". Os expectadores na Feira pensaram que testemunharam danças autênticas embora o folheto os informasse que o grupo era de muitas tribos. Jamila especula que é de onde a expressão "dança tribal" originou-se. Enquanto dirigia a Bal-Anat para a Renaissance Pleasure Faire, Jamila continuou a treinar suas alunas no estilo de cabaré. Ela freqüentemente as mandava se apresentar nas várias boates na Área da Baía de São Francisco até mesmo depois que ela se aposentou de apresentação.


Texto extraído do Blog Tribal Mind

*por Rina Orellana Rall, principal dançarina FCBD 1988-1998
Tradutora: Suzana Guerra | Revisão: Aline Oliveira

7 de maio de 2015

HISTÓRIA DO ESTILO TRIBAL AMERICANO - PARTE III

UMA HISTÓRIA DO ESTILO TRIBAL AMERICANO

Texto extraído do Blog Tribal Mind
*por Rina Orellana Rall, principal dançarina FCBD 1988-1998
Tradutora: Suzana Guerra | Revisão: Aline Oliveira988-1998
Tradutora: Suzana Guerra | Revisão: Aline Oliveira

O Passado Cigano

Dança do Ventre tem origens em cultos de fertilidade antigos e auxílio no nascimento das crianças, em um tempo em que a religião era uma parte integrante da vida diária e tinha relevância em cada aspecto da existência humana. 

No entanto, a dança pélvica feminina desapareceu em muitas partes do mundo, mas permaneceu em áreas como o Oriente Médio e norte da África. Ela então progrediu de uma esfera religiosa, para o reino de espetáculo e entretenimento, em uma nova classe de dançarinas profissionais.

A aceitabilidade da dança no Oriente Médio estava entrelaçada com o papel das mulheres na sociedade. Nenhuma mulher egípcia, bem criada, consideraria dançar em público. 

A dança como um passatempo social, no limite do lar, era aceitável para as mulheres apenas entreterem uma a outra. 

A dança profissional era o domínio das classes inferiores quando ela era limitada às "ciganas, comunidades minoritárias e os membros mais pobres da sociedade". 

Desconfiavam destas dançarinas por seus modos rebeldes, contudo elas foram recebidas com prazer nos lares das classes superiores para animar festividades de família.

As ciganas sempre assimilaram costumes e tradições locais e faziam os seus próprios. 

Elas poliram e ampliaram a dança e música local, a fim de usá-las como um meio de sustento. 

Então, quando os franceses encontraram a dança no Norte da África em 1798 durante as invasões Napoleônicas, as dançarinas ciganas logo descobriram que os soldados franceses eram uma nova e abundante fonte de renda. 

Elas adaptaram seu repertório para atrair mais renda. 

A elite nativa e educada não sentia que a dança era respeitável, nem importante o bastante para registrar. 

Naturalmente, as dançarinas se tornaram uma obsessão para muitos viajantes ocidentais, por causa da suposta sensualidade proibida, que representavam.

FOTOS DE DANÇARINAS OULED NAIL:

FOTOS DE DANÇARINAS GHAWAZEE:
  




Texto extraído do Blog Tribal Mind

*por Rina Orellana Rall, principal dançarina FCBD 1988-1998
Tradutora: Suzana Guerra | Revisão: Aline Oliveira