20 de abril de 2016

HISTÓRIAS DE MARIA - COMO LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO



Frustração, expectativa, receio da crítica...

Sempre me pego as voltas com esse tema. Ontem, li um artigo encantador da Janet (link do blog abaixo) que retratava as dificuldades de nós, adultos, aprendermos algo novo e o quão mais difícil é quando temos dificuldade com algo que deveríamos ser bons o suficiente ao ponto de ensinar.

Tem quem se retraia, isole, não queira se expor afinal é o caminho mais curto rumo as críticas (fazer críticas e receber, terreno minado) e com isso toda oportunidade de aprendizado, crescimento e superação do limites caem. Este ano, em janeiro, tive a oportunidade de dividir uma sala de aula com Anita Lawani e Kristine Adams, enquanto Philippa Moirai ministrava um workshop. Fiquei intrigada, intimidada (dançar ao lado dessas mulheres é sempre motivo de stress) e depois relaxei observando que elas estavam ali buscando, como cada uma de nós, desfrutar do momento e serem alunas. Talvez, essa seja a resposta...se despir do endeusamento e se encarar como humano, falível e passível de aprender algo novo sobre algo "velho" e conhecido, aliás esse é o preceito do ATS(r) a consciência de que nunca seremos boas o suficiente ao ponto de não aprender algo novo com os fundamentos.

Se vou ensinar um estilo de dança devo analisar se há preparo suficiente para não fazer dessa experiência um tormento aos alunos com reflexos por anos (a técnica ruim-errada demora mais para sair do corpo do que a boa leva para entrar, sou prova disso, desconstruir algo que aprendeu errado é sempre um desafio), como também é um exercício constante de humildade, admitir "olha, isso não sei...vou pesquisar e retomamos no próximo encontro" ou olhar para uma aluna e ver que você foi superada, afinal tem movimentos que se tornam orgânicos imediatamente para uns e para outros haja estudo e dedicação.

Ninguém quer parecer estúpida, perguntando "bobagens", afirmando que não sabe algo que deveria saber ou que é considerado simples, básico demais... é uma luta interna e geralmente quem vence? O anonimato, permanecemos anônimas e acompanhadas da angústia de não solucionarmos a causa (não sei) então se perpetra o efeito (não aprendi).

Há ainda o outro tipo de frustração, a de se ver dançando e não ser a imagem da perfeição. Quem já quis "morrer" com isso dá um sorriso :)
Eita, é foda...!!! Tu ensaia, se dedica e nem sempre isso sobe ao palco contigo, sem dizer que dançar em público é coisa pra mulher com "M" maiúsculo. Se em grupo, você se fortalece nas amigas ao lado, mas e no solo? A não ser que você escute vozes e isso lhe faça pensar que não tá só, a coisa é entre tu e tu mesma. Parei de me torturar, agora faço o que naquele dia foi o meu melhor e me conformo de não ter sido perfeito estudando mais a técnica e a fortalecendo para próxima vez.

Bolei uma saída para esse impasse que já me vi vivendo várias vezes, publico mais vídeos meus do que antes, me exponho as críticas e aos feedbacks, pergunto todo tipo de asneira que surge na minha cabeça(só não aplico isso ainda com Carolena, sempre fico intimidada kkk) e busco fazer aulas com pessoas com quem me identifico, afinal há uma cumplicidade que uma vez construída lhe outorga liberdade de crescer no se compartilhar.

Quando dou aulas (e só dou aula de estilos que já estudei (estudo) muiiito, me sinto "confortável" e confiante) procuro propiciar um ambiente acolhedor, onde uma se reconheça na outra, se fortaleça e construa laços, muito importante se sentir bem com sua professora e as colegas em sala, essa pode ser a saída para o anonimato, adquirir uma identidade; Eu...Maria, não sei isso...como é mesmo?

O texto a que me referi inicialmente está aqui: ttps://americantribaljanet.com/2014/09/28/its-okay-to-make-mistakes/  recomendo a leitura, muito bacana.

Agora, vou ali exercitar tudo que escrevi... Kilma, que raio de passo é esse com esse giro que sempre perco a contagem antes de finalizar? Putz, vou ali estuda-lo pela 859º vez...  :) Curso de Formação em Tribal Brasil, uma paixão que tem enriquecido minha vida e desafiado meu corpo. 

Xeros tribais.
Ah, como vc lida com sua frustração?

Maria Badulaques


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