16 de setembro de 2015

SEMENTES & FRUTOS - Na trilha do ATS®

Estes últimos meses de aulas de ATS® tem sido para mim um aprendizado constante. Um exercício de paciência e perseverança e um trabalho minucioso: onde cada aluna é especial, e  cada minuto de aula faz muita diferença! 

Não é a primeira vez que dou aulas ATS® - e no caso de Porto Alegre, nem é em um lugar diferente - mas é uma experiência completamente nova. Tenho feito muitas descobertas, em relação à aspectos da dança que estou ensinando, à metodologia de ensino adequada à cada aluna, e principalmente ao funcionamento do meio artístico e cultural destas duas cidades onde eu atuo: Santa Maria e Porto Alegre, ambas no Rio Grande do Sul. De um lado, Porto Alegre: a capital do estado, que já tem uma cena com bailarinas e escolas de dança do ventre e de tribal bem estabelecidas. De outro Santa Maria, onde nem a dança do ventre é reconhecida - ou "bem vista" - e onde as poucas bailarinas que perseveram, o fazem de modo tímido e sem perspectivas de ganho financeiro ou reconhecimento profissional. Tribal então, é um grande mistério. AT-oquê?

Em Porto Alegre, a cena tribal já está mais estabelecida, e deveria ser mais fácil conquistar alunas para o ATS®, sejam elas bailarinas ou não. Na minha experiência, não é bem é assim. Eu acredito alguns fatores influenciam este desinteresse (pelo menos na hora de fazer as aulas mesmo, não estou contando curtidas no face – viu mana?!)

ATS® ainda é, na prática , uma modalidade desconhecida. Mesmo que a maioria das bailarinas de tribal conheça o FatChance, saiba a história do tribal, tenha assistido vídeos de ATS® no youtube, só um número pequeno compreende como a dança funciona; que é tudo improvisado, por exemplo.  

Quem já dançou em um grupo de ATS®, mesmo que informalmente, sabe que o coração do estilo é justamente a improvisação e a interação entre as bailarinas; que é dançando em grupo que todo aquele esforço para manter a postura e aprender os combos faz sentido. 


Outro fator é a ideia de que ao ATS® é só um formato rígido, e que estaria em oposição à liberdade de expressão criativa que o Tribal Fusion oferece. Para quem não gosta de restrições e prefere inovar e interpretar livremente, pode parecer, numa avaliação superficial, que o ATS® irá tolher sua criatividade. Novamente, é o paradoxo do ATS®: tem que dançar em grupo, pôr o exercício em prática para entender e se deixar conquistar pela experiência – que é sim criativa.
Já para quem não tem experiência com dança, tem sempre aquela surpresa: "nossa, como é difícil". Mas acho que isso já é uma problema de percepção que a maioria dos meus conterrâneos gaúchos parecem ter: de que qualquer estilo de dança que não seja balé clássico, é fácil. Sério? qual é a dança que não tem técnica, que não tem postura certa, que não exige esforço? 

Já em Santa Maria os desafios são diferentes. Primeiro o de encontrar um espaço para dar aulas. Existem diversas escolas especializadas em dança na cidade, mas poucas oferecem dança do ventre. Imagine tribal então, que ninguém sabe o que é? Há um preconceito velado contra a dança do ventre, e as alunas são bem mais tímidas para se aproximar das aulas, talvez por um certo temor de "o que vão pensar de mim?"  O seguimento mais aberto à receber as professoras de dança do ventre e tribal é o das academias e estúdios de pilates. Pra mim tem sido importante ter contato com este público, bem diferente daquele ao qual estava habituada. A maioria das alunas que participa nunca fez aulas de dança fora da academia (ritmos ou zumba) e vê o tribal como uma técnica para o desenvolvimento de habilidades corporais além das que elas podem obter em uma aula de fitness. Não é uma aproximação artística; porém ao se deparar com os estes aspectos que a dança tem, elas não se sentem intimidadas e são receptivas para experimentar nas aulas. Mas a expectativa é sempre de aprender bastante técnica, e o comprometimento em permanecer nas aulas menor; a rotatividade de alunas é intensa.

Estas são apenas algumas reflexões que tenho feito a respeito da minha experiência, que com certeza é bem diferente e pode divergir da de outras bailarinas aqui do sul, e de outros estados. Mas esta troca de informações é fundamental para crescermos e expandirmos nossa dança.

Com este espírito de colaboração, que eu, a Gabriela Miranda e a Yoli Mendez estamos com alguns projetos para integrar nosso trabalho com ATS®, na tentativa de aproximar o público e divulgar melhor o estilo aqui no estado. 

Novidades em breve!
Barbara Kale - Coluna Sementes & Frutos
Breve Biografia - AQUI

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