12 de agosto de 2015

JOGANDO CONVERSA DENTRO - Alquimia

Conhecimento é o que lhe permite fazer escolhas conscientes.

(Sandra Carvalho - colunista)

 


A  ALQUIMIA, Ciência Mãe, é uma arte filosófica, uma maneira diferente de ver o mundo. Sua origem se perde no tempo, sendo mais antiga do que a história da humanidade.
É a mais antiga das ciências e influenciou todas as demais.
A palavra ALQUIMIA, do árabe, al-khimia, tem o mesmo significado de química, só que, esta química, antigamente designada por espargiria, não é a que atualmente conhecemos,
mas sim, uma química TRANSCENDENTAL e ESPIRITUALISTA.

A ALQUIMIA foi uma atividade pré-científica que visava alcançar uma melhor compreensão do COSMO, da MATÉRIA e do HOMEM.
O verdadeiro alquimista é um iluminado, um sábio que compreende a simplicidade do nada absoluto, a ALQUIMIA está pautada na energia espiritual.
A ALQUIMIA é a arte de trabalhar e aperfeiçoar os corpos com a ajuda da natureza.

"Todo ser humano tem a obrigação de elevar seu nível espiritual até alcançar o nível de transcendência, ainda que isso leve um grande número de vidas."

Normalmente um alquimista, era também um médico, filósofo e astrólogo, suas crenças religiosas e MÁGICAS influenciavam seu trabalho. Eram cientistas que passavam horas e horas contemplando uma planta, a simples observação da natureza parece tê-los feito perceber o que hoje reza a física quântica: Tudo no universo está interligado.

O ápice da ALQUIMIA ocorreu na época de Alexandre, o Grande, encorajava os estudos dos alquimistas, pois desejava encontrar a fonte da juventude e viver para sempre.
Entre os alquimistas mais célebres da história, destacam-se: Tomás de Aquino, Philippus Paracelsus, Nostradamus, Nicolas Flamel, Newton, Francis Bacon, Conde de Saint Germain, Fulcanelli.

O estudo mais famoso dos alquimistas é a PEDRA FILOSOFAL, que não era bem uma pedra, a descrição mais comum é de um pó pesado e vermelho, podia ser também um material ceroso amarelo, algo como o âmbar, uma substância MÍSTICA que amplifica os poderes do alquimista.

Na ALQUIMIA a astrologia exerce um papel fundamental desde a escolha do momento certo para o início da obra, da colheira dos materiais utilizados, até o momento mais propício para o alquimista trabalhar.

O suiço Paracelsus, homem brilhante que se destacava na medicina, astrologia, botânica e ALQUIMIA, usava a astronomia junto com seus medicamentos (produzidos com procedimentos alquímicos) para tratar seus pacientes e acreditava que,para ter boa saúde, o homem tinha que estar em harmonia com a natureza, ficou famoso por CURAR as pessoas a partir dessa visão holística. Ele recorria a conceitos da ALQUIMIA, como o de que o sal, o mercúrio e o enxofre estão presentes em tudo o que existe, inclusive 
dentro do homem.
Ensinou que a ALQUIMIA não tem por objetivo exclusivamente a obtenção da PEDRA FILOSOFAL; a finalidade da Ciência Hermética consiste em produzir essência soberana e aplicá-la devidamente na CURA das enfermidades. Considerava, com base na própria Divina Criação, que toda substância dotada de vida orgânica continha grande quantidade de potência curativa. Provavelmente, Paracelsus teria se iniciado na ALQUIMIA com o seu avô por intermédio da herança dos Templários.

" A melhor medicina é aquela que ensina as pessoas a não precisar dela."

O filósofo inglês Roger Bacon, conhecido como "Doctor Mirabilis" (Doutor Admirável), também se destacou pelo seu trabalho de ALQUIMIA, ele comparava o trabalho alquímico como uma horta: Mesmo que colhesse o que não pretendia, ter-se-ia cultivado e melhorado a colheita.

No século IV várias mulheres dedicavam-se a ALQUIMIA, Maria, a judia inventou um banho térmico com água muito utilizado nos laboratórios atualmente, o "banho-maria".
Os persas conheciam a medicina, MAGIA e ALQUIMIA.

Os alquimistas, em suas práticas de laboratório, tentavam reproduzir a pedra filosofal a partir da matéria prima primordial. Com uma pequena parte desta pedra é possível obter o controle sobre a matéria, transformando metais inferiores em ouro e também o Elixir da Longa Vida, que é capaz de prolongar a vida indefinidamente.

Ao longo do tempo, diversos alquimistas descobriram que a verdadeira transmutação ocorria no próprio homem, numa espécie de ALQUIMIA da ALMA.

Todo o conhecimento alquímico está alicerçado no AMOR e por isso inacessível aos processos científicos atuais.

O grande símbolo da ALQUIMIA é a borboleta, por causa do efeito da metamorfose.

Quando o cristianismo começou a ganhar força a ALQUIMIA foi tratada como bruxaria e seus praticantes eram queimados nas fogueiras das INQUISIÇÃO.

Acredito que a ideia da transformação de metais em ouro, estar diretamente ligada a uma metáfora de mudança de CONSCIÊNCIA; A pedra seria a MENTE "ignorante" que é transformada em "OURO", ou seja, "SABEDORIA".

A antroposofia, ciência espiritual, faz analogia entre princípios alquímicos e as forças básicas atuantes na alma humana: O PENSAR (sal), o SENTIR (mercúrio) e o QUERER (enxofre).
Para Ivan Stratievsky, médico e cirurgião antroposófico, o ouro alquímico, nada mais é que o SELF, o verdadeiro EU. 
"Para chegar lá", diz ele, "precisamos lidar com as polaridades internas, PENSANDO, SENTINDO e QUERENDO de maneira equilibrada.

A ciência Alquímica não se ensina. Cada um deve aprendê-la por si mesmo, não de maneira especulativa, senão com a ajuda de um trabalho perseverante, multiplicando os ensaios e as tentativas, de maneira que se submetam sempre as produções do PENSAMENTO ao controle da experiência.

"A ALQUIMIA representa a projeção de um drama ao mesmo tempo CÓSMICO e ESPIRITUAL em termos de laboratório. A opus magnum tinha duas finalidades: O resgate da alma humana e a salvação dos cosmos...". Esse trabalho é difícil e repleto de obstáculos; a opus alquímica é perigosa. Logo no começo, encontramos o "dragão", o espírito atônico,o "diabo" ou,como os alquimistas o chamavam o "negrume", a nigredo, e esse encontro produz sofrimento...Na linguagem dos alquimistas, a matéria sofre até a nigredo desaparecer, quando a aurora será anunciada pela causa do pavão (cauda pavonis) e um novo dia nascer, a leukosis ou albedo. Mas nesse estado de "brancura", não se vive, na verdadeira acepção da palavra; é uma espécie de estado ideal, abstrato. Para insuflar-lhe vida, deve ter "sangue", deve possuir aquilo a que os alquimistas denominavam de rubedo, a "vermelhidão" da vida. Só a experiência total da vida pode transformar esse estado ideal de albedo num modo de existência plenamente humano. Só o sangue pode reanimar o glorioso estado de consciência em que o derradeiro vestígio de negrume é dissolvido, em que o diabo deixa de ter existência autônoma e se junta à profunda unidade da psique.
Então, a opus magnum está concluída: a alma humana está completamente integrada." (Carl Gustav Jung)

Fontes: História Geral da Alquimia
            Misteriosantigos
            Grande Enciclopédia Universal
            Entrevistas e Encontros
Sandra Carvalho - Coluna Jogando Conversa Dentro

Breve Biografia - AQUI
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