14 de maio de 2015

PILARES ENTREVISTA - Karuna Jayashakti

Entrevista elaborada por Carine Würch para os participantes do General Skills e Teacher Training com Carolena Nericcio e Megha Gavin, em abril de 2015 em São Paulo. 
Conte uma breve trajetória da sua dança. (Karuna Jayashakti)
Eu comecei muito nova mas por muitos motivos me afastei e voltei muitas vezes a dança. Já dei por encerrada a dança na minha vida várias vezes mas ela insiste em se fazer presente e eu sempre a recebo de volta de braços abertos. Minha base foi o Clássico e o Jazz que foi mais uma preparação corporal, mais tarde o Afro aonde me dediquei mais tempo fazendo parte de um grupo profissional. Fiquei muito tempo longe da dança até voltar com o estudo do Oriental Árabe, me formei instrutora no estilo mas já estava me envolvendo com o tribal (e com o pé na porta para deixar a dança de novo por motivos de saúde), mas o ATS me fisgou. 


Fiz uma formação no estudo do movimento de Rudolf Laban (com uma professora formada no Laban Centre) e agora estou envolvida com um projeto de pesquisa. Sou terapeuta corporal e de florais, que não são danças, claro, mas tem a ver com nosso movimento (ritmo) interno.

O que fez você escolher fazer o curso com Carolena Nericcio?
Não foi uma escolha, foi uma oportunidade que não se dispensa, é a fonte pura e cristalina. 

Você abriria mão de beber uma água fresquinha direta na fonte? O ATS é uma dança atual, a sua criadora está viva! Não é sempre que podemos ser contemporâneos de uma criadora e acho que não devo perder a oportunidade de ir direito a origem enquanto posso.


Você já fazia aulas regulares de ATS? Participa de algum grupo/ trupe que se dedica ao estilo?
Aula regular não, como muitas de nós, bati os dvds dos Basics no liquidificador com flores e frutas e bebi sem moderação. :) 


Fiz workshops importantes com a Isabel De Lorenzo, Kristine Adams e com a Carolena e a Megha



Tive grupos de estudos, nos reuníamos sempre que possível, com pessoas em diferentes níveis de experiência: iniciantes e pessoas que já dançavam a mais tempo do que eu, foi muito bom. Atualmente tem outro em início de formação. 



Procurei não perder os workshops mais importantes porque sempre parece que já sabemos muito ou tudo mas é sempre bom voltar para a sala de aula e ser aluna, aliás, eu adoro estar na condição de aluna, sou uma eterna estudante, em outras áreas do meu interesse também. Mesmo um certificado profissional não me tira desta condição, podemos aprender para sempre. 


Na sua opinião, qual a maior dificuldade dentro do curso? (desafios físicos, mentais, financeiros?)
Fisicamente é o de sempre, haja braço! Mas fui preparada com meu kit sobrevivência a treinos longos. Nos últimos dois dias tive dores nos joelhos mas estas me acompanham a vida toda porque me recuso a fazer cirurgia. Só na segunda metade do último dia senti cansaço mental, me lembro que iniciei a liderança com um grupo e consegui fazer egiptian step, shimmy ghawazee e hip twist de uma vez só, cada parte do meu corpo fez uma coisa, foi engraçado mas minhas irmãs de formação não acharam, me olharam com aquela cara tipo: 'wtf?'... Mas não acho que foi por causa do curso, eu estava vindo de três congressos, um deles de hatha yoga, Abril foi intenso, então uma hora a gente cansa mesmo. Mas dei conta. 

Financeiramente foi tranquilo porque foi num bom momento, sempre tem um sacrifício aqui e ali mas tudo bem, foi uma questão de determinar prioridades.

Com esta formação, pretende dar aulas regulares de ATS?
Pode ser, estou envolvida no projeto de pesquisa que mencionei e dedicada a outras áreas de trabalho. Mas se houver oportunidade darei aula sim porque é ótimo compartilhar o ATS e  a gente aprende ensinando, quando se permite, claro.

O que mais você absorveu de toda esta experiência?
A mudar de lugar na minha relação com esta dança, este lugar é interno. Vou encontrar uma forma de compartilhar isto quando isto amadurecer em mim.


Como é ter aulas com a criadora do Estilo? Sua percepção em relação a Carolena (mãezona? Rígida? etc) é diferente do que você imaginava anteriormente? Conte-nos. :)
É um privilégio, pense se fosse possível ter aprendido dança moderna com Isadora Duncan ou Ruth St Dennis ou Martha Graham... Ou Butoh com Tatisumi Hijikata ou Kazuo Ohno...

Carolena está viva! Criando, tomando decisões, produzindo mais dentro da dança e da comunidade, abrindo espaço para outros produzirem dentro da dança formulando coisas novas, somos contemporâneas destas pessoas, somos a geração que bebe na fonte. 

Foi a segunda vez que tive aulas com ela, fiz o seminário em Buenos Aires (MEM), ela tem energia maternal sim, já ouvi dizer que nos Estados Unidos ela é mais rígida, mas qual mãe zelosa não tem seus momentos de rigidez?  Esta energia é pela sua filha mais preciosa, a dança, e por nós quando manifestamos esta filha dançando. Ela é uma mestra. Muita gente se intitula mestre, mestra, mas a maestria é algo que se amadurece com o tempo ou nunca, uma excelente professora pode ainda não ser uma mestra. 

Carolena é o ATS, no show de Gala, Megha dançava muito e passava a vez para Carolena, ela fazia um floreo...  parava... e a platéia desabava. rs. 
Era como ver o ATS encarnado. Ela é a dança dela.

É muito gratificantes estar com a Megha também, ela é muito generosa conosco e conectada com a Carolena

Deixe uma mensagem para nossas leitoras.
Certificação não é uma varinha de condão que nos torna donos da realidade absoluta e apitos a validar ou invalidar ninguém.

Certificação é uma certificação. Ponto. Na verdade eu entendo que isto nos obriga a estar mais comprometidas com o estudo, a ser mais generosos e mais responsáveis.


Carolena já disse que isto não é sobre como saber uma dança mas sobre relacionamento. E entender isto não se consegue através de certificações mas através da vontade pessoal de se desenvolver como pessoa. Não estou invalidando a certificação, tenho tanto orgulho dela quanto todo mundo que carrega estes certificados no mundo todo, também postei fotos dos meus, claro! 

É para nos orgulharmos mesmo. Mas este não é um fim (aprendizado), é um outro degrau do caminho. Um degrau muito valioso, mas é um degrau ainda.(Karuna Jayashakti)
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