2 de maio de 2015

PILARES ENTREVISTA - Tata Correia

Depoimento de Tata Correia sobre o General Skills e Teacher Training com Carolena Nericcio e Megha Gavin, em abril de 2015 em São Paulo.  
Falando por mim, ser uma Sister Studio é ser um instrumento para passar a filosofia do ATS® adiante, mostrando o quanto a dança é empoderadora e inclusiva.

Dois anos atrás, ouvi de uma determinada pessoal que gorda não pode dançar tribal – quem me conhece já está cansado de me ouvir falando isso, mas acho importante frisar para contextualizar.

De 2013 para cá, estudei com muita gente, conheci muita gente e me descobri no ATS®. Me vi representada no estilo. Me vi inserida dentro de um estilo em que não importa se você é magra, gorda, alta, baixa, novinha, idosa ou qualquer coisa do gênero.

O que importa é dividir o sorriso com quem você gosta no palco. O que importa é compartilhar com o público a alegria de uma dança tão nova que tem suas raízes calcadas na ancestralidade de várias tribos.

O que importa é o sentimento de união entre as pessoas que integram essa família – e a comprovação de que ego inflado não tem espaço.

E, pessoalmente, quero mostrar para as garotas gordas/plus size que é possível sim! 

É possível dançar em cima de um palco sem sentir vergonha do corpo, é possível sorrir e estar segura entre as amigas, e é possível estar em um ambiente sem ser julgada pela sua forma física. Eu sou prova disso. E quero disseminar isso com cada vez mais força.

Acho que é isso, meninas.
Beijo e muito obrigada!  Tata Correia



Conte uma breve trajetória da sua dança. (Tata Correia)
Tive experiência com dança na infância - aquela coisa da mamãe querer que você faça ballet, rs - por pouco mais de um ano, acho. Depois disso, fiquei parada e fui fazer outras coisas. Voltei a ter contato com a dança em 2011/2012, mas a vida virou do avesso mesmo quando conheci o Tribal Fusion (via os vídeos do Indigo - eu queria ser Rachel Brice, hahahaha) e, principalmente, o American Tribal Style®. Comecei a estudar com a Rebeca Piñeiro na escola Campo das Tribos em fevereiro de 2013, e a partir daí fui aprofundando meu contato com outras professoras, outras pessoas, e me encontrei mesmo no ATS®, seja pelas amplas possibilidades que o estilo abre como pela sua filosofia feminista e inclusiva. Atualmente estou um pouco parada com as aulas regulares, mas pretendo voltar a faze-lo em breve.
O que fez você escolher fazer o curso com Carolena Nericcio? 


Basicamente, a oportunidade de estudar com a responsável pelo desenvolvimento do ATS®. Não é sempre que se tem a chance de estudar direto com a fonte em seu país. Abracei a chance, fechei o olho e fui, rs


Você já fazia aulas regulares de ATS? Participa de algum grupo/ trupe que se dedica ao estilo? 
Estudava na Escola Campo das Tribos até o começo deste ano, mas pretendo retomar meus estudos semanais para seguir limpando técnica. E sou uma orgulhosa integrante do Thelema Troupe - alô Karina, Tati, Rosana! <3 - desde sua fundação, no final de 2014.


Na sua opinião, qual a maior dificuldade dentro do curso? (desafios físicos, mentais, financeiros?) O desafio financeiro, em alocar uma quantidade grande de dinheiro para encarar 30 horas seguidas de aula. Pedi férias do meu trabalho regular para poder me dedicar da forma que o curso exigia. Desafios mentais sempre existem, principalmente quando você percebe que é a única mulher realmente acima do peso - e que não é profissional da dança - a estar ali, junto com tanta gente que você aprendeu a admirar ao longo da estrada. Fiz todo o curso com uma proteção no joelho e no tornozelo para driblar as dores, e não me arrependo nem um pouco. E também queria provar para mim mesma que era capaz disso.



Com esta formação, pretende dar aulas regulares de ATS? Quero seguir estudando, e eventualmente pretendo dar aulas particulares de ATS® na minha região e para garotas que não se sentem muito confortáveis com seu corpo - essa é uma bandeira que sempre pretendo defender. Tem espaço para todo mundo, e se você tem um corpo, dance!
O que mais você absorveu de toda esta experiência? Que a técnica é realmente muito importante, mas o fundamental mesmo é aliar a técnica limpa com paixão em dividir o momento com as amigas no palco e com o público que te assiste. Como disse Carolena Nericcio no curso, você É a dança quando está no palco. E espalhar essa magia por aí é algo que todas nós devemos fazer, como professoras certificadas, como Sister Studio® ou mesmo como dançarinas de ATS® em nossas trupes. E também ficou muito claro que o ego não tem espaço neste tipo de dança, o mais legal é se compartilhar o momento.




Como é ter aulas com a criadora do Estilo? Sua percepção em relação a Carolena (mãezona? Rígida? etc) é diferente do que você imaginava anteriormente? Conte-nos. :) A experiência mais surreal que alguém apaixonada pelo ATS® pode ter! Carolena é extremamente sucinta, direta nos pontos que quer abordar, e muito preocupada em passar a técnica de forma que todas pudessem entender - afinal de contas, a turma era uma boa mistura da América Latina. E tudo isso com um sorriso no rosto. A presença dela é magnética - e bem diferente da postura mais ditatorial que nos passaram anteriormente. E a Megha Gavin é muito divertida.



Deixe uma mensagem para nossas leitoras. 
Não deixem que as convenções sociais te impeçam de fazer algo que você queira. Se você tem um corpo, dance. Sorria, compartilhe sua história e experiência com outras pessoas. E estude. MUITO. (Tata Correia)
Postar um comentário