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8 de maio de 2015

UMA HISTÓRIA DO ESTILO TRIBAL AMERICANO - PARTE IV

UMA HISTÓRIA DO ESTILO TRIBAL AMERICANO

Texto extraído do Blog Tribal Mind
*por Rina Orellana Rall, principal dançarina FCBD 1988-1998
Tradutora: Suzana Guerra | Revisão: Aline Oliveira


Jamila Salimpour

Ela é creditada, por muitos, pelo início da revivificação da dança do ventre nos Estados Unidos e por ser a criadora do que é agora conhecido como Estilo Tribal Americano

Ela também desenvolveu um método de listagem detalhada verbal e terminologia para os movimentos que ela aprendeu de artistas visitantes do Oriente Médio

Sua introdução à dança, veio com as descrições de seu pai das dançarinas Ghawazee no Egito, enquanto ele se situava lá com o exército Siciliano. 

Também acompanhou a sua senhoria egípcia a filmes egípcios, quando a dança era exibida. 

Tentou se lembrar de cada movimento que ela tinha visto: 

"E assim, das lembranças de meu pai, do conhecimento em primeira mão de minha senhoria e dos exemplos do filme, isto foi como eu adquiri minha informação sobre a dança". (Jamila Salimpour)

Começou ensinando dança no início dos anos 50, mas teve dificuldade porque nunca tinha aprendido formalmente a dança, e não sabia como ensiná-la. Isto foi até que começasse a dançar em São Francisc, nos anos 60, e virasse dona do Bagdad Cabaret na Broadway, no qual foi exposta a dançarinas contratadas de diferentes países no Oriente Médio

Neste ponto ela começou a catalogar movimentos e criar um vocabulário de dança utilizável.

O acúmulo de informação criou um repertório vasto para suas alunas coreografarem suas próprias peças. 

Jamila tinha se concentrado no Estilo Cabaré Tradicional, que era adequado para boates, mas em 1967, começou a perder algumas das suas alunas. 

Descobriu que elas estavam indo com figurino para a Renaissance Pleasure Faire na Califórnia do Norte, e apresentando-se espontaneamente ao longo da Feira. O organizador da Feira suplicou a ela para controlar a situação. Então, formou o grupo Bal-Anat, para organizar as dançarinas para se apresentarem na Feira e dirigir suas alunas.

A experiência de Jamila como acrobata com o Ringling Brothers Circus ,enquanto ela era uma adolescente, se tornou treinamento essencial para o novo formato do grupo. 

Ela moldou a trupe depois de um show de variedades, similar ao circo, que poderia ser visto em um bazar no Oriente Médio
O show de variedades continha números de dança que eram de três a cinco minutos de duração e representava um perfil dos velhos estilos do Oriente Médio. 

Suas alunas norte americanas representaram músicos do Egito e Marrocos, uma dançarina da Ouled Nail da Argélia, dançarinas da Turquia e dançarinos de bandeja masculinos.

O estilo Bal-Anat não foi identificado na ocasião, porque cada membro representava uma dança regional diferente, e vestia um traje apropriado. 

Porém, elas poderiam ser identificadas como Estilo Tribal Americano, por causa da definição de fusão étnica, e porque elas modificaram seu espetáculo para um público Americano em um palco Americano.

O formato de Bal-Anat foi imitado por todos os Estados Unidos, embora as novas praticantes normalmente não soubessem de onde o estilo originou-se. "Realmente, muitas pessoas pensavam que ele era a 'idéia genuína' quando na realidade era metade  genuíno e metade falso". Os expectadores na Feira pensaram que testemunharam danças autênticas embora o folheto os informasse que o grupo era de muitas tribos. Jamila especula que é de onde a expressão "dança tribal" originou-se. Enquanto dirigia a Bal-Anat para a Renaissance Pleasure Faire, Jamila continuou a treinar suas alunas no estilo de cabaré. Ela freqüentemente as mandava se apresentar nas várias boates na Área da Baía de São Francisco até mesmo depois que ela se aposentou de apresentação.


Texto extraído do Blog Tribal Mind

*por Rina Orellana Rall, principal dançarina FCBD 1988-1998
Tradutora: Suzana Guerra | Revisão: Aline Oliveira

23 de abril de 2015

PILARES ENTREVISTA - LUKAS OLIVER - PARTE III

Parte III da Entrevista elaborada por Maria Badulaques, com Lukas Oliver:

Somos um blog eminentemente de estudo da história da tribal, legado e as figuras que nos levaram a estar onde estamos. Para você, no cenário nacional as dançarinas(os) possuem embasamento teórico da dança que executam? Estamos falando de uma modalidade que segue ainda em processo de criação e todos nós estamos participamos deste processo. 

Atualmente as informações são mais fáceis e divulgadas com rapidez e isso faz com que todos tenham um embasamento teórico da dança bem melhor. 

O Blog de vocês é um exemplo que contribuiu para muitos o entendimento teórico do estilo no Brasil. Tenho a agradecer, pois aprendi muito com pesquisas que realizaram, que complementou e contribuiu muito para as teorias que eu já tinha. Gratidão.

A cada dia que passa, novos trechos históricos são apresentados, novos passos e possibilidades performáticas são desbloqueadas e acredito que aqueles que realmente querem um compromisso de forma mais íntegra com o estilo, procurará atualizar suas informações. No presente momento, creio que todos profissionais fazem isso. 

Existe uma "disputa" entre o bellydance e o tribal e paira no ar um certo preconceito com a tribal? Acredito que no Brasil a dança tribal não se desenvolveu completamente ao ponto de todos saberem a filosofia do estilo e as características do mesmo e isso faz com que as pessoas criem um conceito baseado no que já viram, um preconceito, mas não o preconceito com a carga ruim que imaginamos, mas fator de ignorância sobre o estilo. 

Não acredito que há uma disputa. Pelo menos por onde passei nunca presenciei algo que parecesse uma disputa. 

O tribal fusion para você é a fusão do ATS com outro estilo de dança? Assim sendo, como você classifica sua dança: fusão ou tribal fusion? Sim, o tribal fusion é a fusão do ATS com outro estilo de dança, não só para mim como para todos que adentrarem o estilo, isso já foi definido. 

Mas tenho em mente que o ATS é a mistura de flamenco, dança indiana e dança do ventre. 

Me pergunto então: Seria a mistura destes três estilos com qualquer outro estilo de dança o Tribal Fusion? Ora penso que sim, ora penso que não. 

Enfim, não sou apegado em rótulos, mas tenho escolhido, ora faço tribal fusion, ora faço fusão, porém estou aprofundando meus estudos para um outra terminologia, Fusão Étnica, cujo objetivo é estudar formas de expressão de várias etnias e fusiona-las. 

Fusão ou confusão, como você analisa as fusões nacionais ? Uma confusão que está se organizando. 

Ficamos muito tempo sem ter acesso a real classificação teórica do estilo e agora as coisas se organizam de acordo com a chegada das informações e de acordo com que as criadoras determinam. (Quando digo criadoras, me refiro a todas que fazem parte do processo de criação literal as quais temos como referência no estilo). 

Acredito eu, que dando tempo ao tempo, a poeira da confusão vai abaixar e tudo se encaixar nos devidos lugares. 

Fusão = Fusão , ATS = ATS,  Tribal Fusion = Tribal Fusion.

Quais os pilares da sua dança? Falando de conceitos, o meu pilar central é a vida e tudo que experimento e vivencio. Falando de estilos, os pilares são, Dança do Ventre, popping, dança contemporânea e Butoh

Se tratando especificamente do meio tribal e de personalidade tenho como referência a Rachel Brice

** todas fotos foram escolhidas por Lukas Oliver **

CONTATO - https://www.facebook.com/lukasolivertribaldancer
                  http://www.lukasoliver.com/