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5 de abril de 2015

PILARES ENTREVISTA - SISTER STUDIO - PARTE V

10 por Maria Badulaques - SEMANA 44
Entramos em contagem regressiva, meu coração acelerou!!! Faltam 9 dias pra Carolena e Megha...pulsante em surto...9, 8...7...

Última parte dessa série incrível com as Sisters Studio, senta com a pipoca e se delicia.                                 

PILARES -   Qual (há) o pecado mortal dentro de uma roda de ATS? 
"Não se comprometer a ser uma boa líder e uma boa seguidora." (Aline) 

"Poxa, acho que fazer alguma coisa por maldade, tipo puxar algo que não dê tempo dos outros acompanharem, ou querer chamar mais atenção de alguma forma...no geral algum momento que o nosso ego se descontrole e que seja de propósito rsrsrs." (Lilian)

"Pra mim é sair do tempo e entrar no contratempo! hahahaha Não há nada pior para quem está seguindo do que dançar no contratempo!" (Mariana)

"Dentro da roda? FALAAARRRR!! Hihihi... Não pode conversar. A comunicação tem que ser por contato visual." (Natália)

PILARES - As cobranças estéticas povoam o universo do ATS como ocorre no bellydance?
"Acredito que sim, mas com certeza muito menos que no bellydance." (Aline)

"Espero que não! Rs" (Lilian)

"Considero o Brasil um país bem pouco flexível nesse sentido. A cobrança não é tão alta como na DV, mas sim ela existe. Porque não estamos falando nem de mercado, estamos falando de como somos como sociedade. E como sociedade a cobrança estética em relação à mulher é avassaladora." (Mariana)

"Teoricamente não. Nos EUA não sinto isso, e pra ser sincera nem aqui. Isso é maravilhoso." (Natália)


PILARES - Qual teu passo favorito (existe um ou alguns) de ATS e por que?
"Não tenho preferido, acho todos eles sensacionais à sua própria maneira. Até o circle step." (Aline)

"Olha, recentemente ando em love com o Medusa e o Barrel Turn, mas gosto infinitamente de todos." (Lilian)

"Amo e sempre vou ser obcecada com a simplicidade e beleza  de um Taxeem com ondulação de braço acima da cabeça bem feito. Também sou bem obcecada com o Arabic Shimmy, que feito com perfeição é um dos passos mais bonitos na minha opinião. Ainda não cheguei lá e continuo treinando! rsrsrs" (Mariana)

"Hoje em dia não tenho um passo favorito, mas AMO o Sassy Switch (Movement Dialect da Nandana). Acho muito fofo, especialmente quando é seguido de um fade. Adoro todos os passings, acho muito bonito tudo que se faz em dueto. Gosto de ver dançarinos interagindo." (Natália)

PILARES - Vc acredita numa formação completa sem estudo dos fundamentos, história da dança?
"Absolutamente não. E principalmente o estudo de folclore e musicalidade árabe, que toda boa bailarina de dança do ventre deve saber." (Aline)

"Não acredito, mas essa é a minha opinião." (Lilian)

"Não." (Mariana)

"Eu acredito que ir atrás de informação teórica é consequência da sua paixão pela dança. Acredito que estudar os fundamentos ou não é escolha de cada um. EU, NATÁLIA, não entendo como é possível você de dizer profissional de uma arte sem conhecer profundamente o que está fazendo. Mas essa sou eu." (Natália)

PILARES -  Quais são os Pilares do seu ATS e quem são suas inspirações?
"Carolena Nericcio-Bohlman sempre, o FCBD em todas as suas formações (a Antiga e as atuais), todas as minhas mestras na dança e na vida, todas as minhas antepassadas que permitiram que eu estivesse aqui neste momento. Meu puja muito sincero a todas vocês." (Aline

"FCDB claro, Jamila, Masha, mas além delas os povos nômades que foram inspiração de tudo isso, com suas culturas e histórias, além das inspirações na dança em geral." (Lilian)

"Gosto muito, muito da Kristine Adams, em termos de técnica ela é minha maior inspiração no ATS. Os pilares do meu ATS são os mesmos que de todo mundo ué! A árvore genealógica deve ser respeitada sempre!" (Mariana)

"Os pilares do meu ATS? Bem... todas as pessoas que me deram aula contribuíram muito para o "meu" ATS. Das três pilares, eu me identifico ideologicamente com a Masha Archer.  Uma grande inspiração minha entre as Sister Studios brasileiras é a Aline Muhana, do Rio. Acho que o jeito dela de fazer ATS é sincero, tem uma honestidade e uma humildade muito grande que emana do trabalho dela. Certamente me espelho nela para desenvolver meu trabalho. A Gabriela Miranda é uma grande inspiração minha nesse sentido, também. O jeito que ela conduz a aula, sua preocupação com os conceitos do ATS, seu respeito pela arte e pelos alunos e companheiros de dança são inspiradores, sem dúvida. Sou cria dela também no ATSÉ inspiradora a dedicação da Mariana Quadros. Me lembro com grande prazer de vê-la consultando seu plano de aula, cuidadosamente montado em seu caderno estilo Moleskine. Ela foi por um bom tempo a única Sister Studio certificada por aqui. Lembro muito das aulas que tive com ela. Quando eu ainda era apenas uma estudante de ITS, a Rebeca Piñeiro, antes de ser certificada, me ajudou muito. Não só dando as aulas, mas me motivou bastante nesse início. Essa atitude gentil eu carregarei sempre no meu coração. O grupo Nomadic também me inspira enormemente!! A sincronia delas é de encher os olhos. Faz sorrir e chorar. Consigo sentir que estou vendo uma tribo dançar. Um dia quero ser parte de um grupo tão lindo quanto o Nomadic." (Natália
Reta final dessa contagem incrível de quase 365 dias, esses 9 dias (finais) serão inesquecíveis, o Pilares tá cheio de surpresas!!!!
Vamo que vamo, tamo junto!
Xeros no Pulsante.

4 de abril de 2015

AGENDA DA SEMANA

O Pilares tá cheio de badulaques para a reta final

Terri e Lisa
Fica ligado dicas que farão toda diferença no Sister Stúdio, no ATS e em sua forma de pensar a dança.

E aí, sangue bom!

Após a sequência de entrevistas com as Sister StudioAline, Lilian, Mariana e Natália, que foi incrível, reservamos para vocês 3 projetos incríveis.
  • Entrevista com Emine Di Cosmo, FCBD(r) Sister Stúdio, profissional incrível que temos na América do Sul e que irá compartilhar seu conhecimento sobre ATS conosco, tou muiiito ansiosa.

  • Trajetória de uma Futura Sister Stúdio convidamos duas dançarinas inscritas no curso que irão partilhar conosco todo esse processo, do antes-durante-depois, e com vocês Beth Fallahi (SP) e Raisa Latorraca (DF).
Raisa Latorraca
Beth Fallahi

        Tcham tcham tcham tcham!!!! TEM MAIS....

  • Entrevista com Terri Alrred, FCBD(r) Sister Stúdio, organizadora do ATS HomeComing - com dicas incríveis de como preparar-se para o sister e como preparar a aula que lhe garantirá fazer parte deste grupo de profissionais certificados. A entrevista está incrível!!! Terri foi muito generosa em suas respostas, não percam!

Terri e sua irmã gêmea, Lisa.
ATS HomeComing - Terri and Lisa.

Uauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!

Caramba, nós tamos TESULDAMENTE imperdíveis.
Tamo junto!!!!

Agarra no blog e segue com muito estudo que de nosso lado garantimos a motivação.

Xeros no Pulsante
Maria Badulaques.

PILARES ENTREVISTA - SISTER STUDIO - PARTE IV

10 por Maria Badulaques - Semana 44

Já falamos sobre estudos, dress code, técnica-essência, vamos comentar sobre os homens no ATS e a necessidade de dar continuidade nos estudos?! 

Escutei de Kristine Adams no work que fiz  em 2014, que sempre aprendemos com o General Skills, logo podemos depreender que ser uma professora certificada não é o fim, e sim o começo de um longo processo de estudo (dura pra sempre).

Então, observe bem o que dizem as Sisters, enquanto devora os ovinhos de Páscoa.

Pilares -  O que você pensa de homens dançando no ATS e que postura de agrada, neste caso? Uma postura eminentemente masculina dentro dos passos? Igualdade de formação junto aos demais integrantes?
"Gosto e acho que não deve ter distinção entre os integrantes. Na roda somos todos iguais." (Aline)

"O ATS é aberto para todos, só acho legal manter uma energia masculina mesmo nos passos." (Lilian)

"Homens podem ser excelentes dançarinos de ATS. Existe alguma coisa na configuração dos movimentos, especialmente nos rápidos, que combina muito com a energia que eles trazem. A postura é a técnica, essa independe do gênero, é igual para todos. Com certeza, igualdade de formação, não vejo sentido em mudar." (Mariana)

"Eu adoro homens dançando ATS. Acho que é uma dança para todos. Eu particularmente gosto de ver os homens explorando uma postura masculina, fazendo algo diferenciado. O corpo masculino e o corpo feminino se movimentam de forma diferente. Quando há enfoque na movimentação do corpo masculino, na minha opinião, é mais bonito que quando um homem tenta reproduzir a estética da movimentação feminina. Também não acho bonito homem dançando de saia e choli. Acho que fica caricato Mas essa é só minha opinião, não acho errado nem nada, não é regra nenhuma." (Natália)

Pilares -  Não há nada sacramentado quanto aos homens, como vc orientaria um homem qto ao Dress Code?
“O que fica melhor para o grupo?” É  a mesma orientação que dou para as minha alunas mulheres. Se a performance será em estilo mais simples, figurino de acordo com a proposta; se mais opulenta, idem pro figurino. Usar ou não o choli ou substituir por um colete, ou não usar saia ou só calças fica de acordo com a natureza da performance e o gosto da pessoa." (Aline)

"Eu acho muito legal usar a calça gênio e na parte superior um bodychain ou um colete, gosto bastante de turbante também." (Lilian)

"Manter o dress code, inclusive para que fique homogêneo com o grupo. A única modificação que acredito se fazer necessária é o sutiã com choli. Vejo muitos homens usando colete no lugar do sutiã e choli, eu particularmente gosto bastante!" (Mariana)

"Eu concordo com o que a Carolena disse no TT2 - Business of ATS que fiz. Prefiro que o homem não use a saia, e que use algo diferente de um choli na parte de cima do corpo. Talvez um colete. Algo que valorize a anatomia masculina. Mas eu orientaria a pessoa a se vestir como se sentisse melhor." (Natália)

Pilares - Após o sister, você continuou seus estudos? Como? Com quem?
"Com certeza! Estudei com a Kristine Adams presencialmente o máximo possível nesses dois últimos anos, continuo estudando os DVDs e vídeos, frequento os fóruns de discussão e comunidades de ATS do facebook (isso também é estudar)  e agora vou repetir o Teacher Training com a Carolena e a Megha." (Aline)

"Com certeza e vou continuar para sempre, principalmente porque sou professora. Kristine Adams em SP e Kae Montgomery na Argentina, e logo pretendo voltar ao Studio FCBD para uma reciclagem." (Lilian)

"Acho que depois do Sister eu comecei meus estudos! Era muito material para ser assimilado, para pôr em prática. A primeira coisa que fiz ao voltar, bem antes de começar a dar aulas de ATS, foi montar um grupo para aplicar o que aprendi. Só depois dessa experiência me senti segura para começar a dar aulas. Depois, além de continuar até hoje os estudos com DVDs, estudei com a Kristine Adams aqui no Brasil, tanto particular quanto em grupo." (Mariana)

"Claro. Fiz ainda algumas poucas aulas e workshops com Rebeca Piñeiro que havia sido minha professora de ITS e ATS antes de minha certificação, continuei tendo aulas com minha professora de ATS e fusion Gabriela Miranda (e até hoje ainda procuro fazer aulas com ela e busco suas orientações). Fiz alguns poucos workshops com a Mariana Quadros antes de seu hiato (menos do que gostaria...) e também com a Aline Muhana, profissional que admiro muito. Ia começar a estudar com a Lílian Kawatoko, mas por motivos logísticos não deu ainda. Não desisti, no entanto. Fiz todos os workshops oferecidos pela Kristine Adams em São Paulo e Rio de Janeiro, e fui ao ATS Homecoming. Continuo estudando. Me preocupo mais com estudar que com montar turmas minhas... eu sou muito nerd." (Natália)

Pilares - Estuda outras modalidades de dança? Quais? "Dança do ventre." (Aline)

"Sim, atualmente voltei ao ballet clássico e também estudo Kung Fu." (Lilian)

"Atualmente continuo o Tribal Fusion e ocasionalmente faço workshops/aulas de contemporâneo e dança do ventre. Pretendo ainda estudar muito mais, ballet clássico, contemporâneo e break dance." (Mariana)

"Sim. Estudo tribal fusion, Odissi eventualmente e balé clássico." (Natália)






Ou seja, vamos enfatizar...o estudo de todas Sisters é um processo continuado de aprimoramento. Capisce? Só o começo...

Feliz Sábado de Páscoa!!!

Domingo última parte dessa série de entrevistas que certamente deixará saudade.
Comendo chocolates e estudando
                                            Xeros no pulsante.

3 de abril de 2015

PILARES ENTREVISTA - SISTERS STUDIO - PARTE III

11 por Maria Badulaques -  SEMANA 44

Para quem está nos acompanhando e vai fazer o Sister Studio nosso super mega BOA SORTE, opa sorte? 

Isso não tem nada de nada de SORTE, então reformulando nosso super mega BOM ESTUDO. Se você está estudando, esteve dedicada ao ATS tudo vai dar certo, depois nos conte essa experiência. 

Continue acompanhando esse papo especial que muito irá ajudar em seu processo de amadurecimento, sendo ou não aspirante a Sister Studio.

Quem leu a entrevista Parte II deve ter visto o lance da essência, fico muito encanada com isso. Acredito que a dança deve ser um canal de expressão, afinal é arte em movimento, mas será que por isso devemos fazer de qualquer forma e nos esconder atrás da essência ou devemos ter respeito ao legado que representamos e nos esforçar para sermos merecedoras de fazer parte desta história? No meu ponto de vista tá muito claro, tu quer ser dançarina ou alquimista?! 

Seguindooo, hoje falaremos sobre dialetos, músicas nativas, dress code, o que essas profissionais incríveis falam para seus alunos no primeiríssimo contato com o ATS, os fundamentos essenciais para sua formação,... puxa vida está puro deleite, vamos lá.


Pilares -  O uso de músicas nativas no ATS é algo que lhe interessa? Ritmos diferentes.
"Acho interessante e às vezes uso, mas prefiro o repertório tradicional do ATS." (Aline)

"Sim, aliás acho que todos nós ficamos “caçando” mais músicas diferentes e étnicas legais para dançar e dar aulas, o tempo todo rsrs. Tudo nelas é interessante o andamento, os instrumentos..." (Lilian)

"Acho bacana, mas ainda não fui atrás o suficiente para achar alguma coisa que se encaixe perfeitamente com o ATS sem descaracterizá-lo. Acho importante o uso das músicas já consagradas no ATS, precisa disso para continuar sendo um formato. Mas variar às vezes pode trazer resultados bem interessantes!" (Mariana)

"Nativas, você diz do Brasil? Me interessa muito explorar as possibilidades musicais no ATS. Gosto de fazer isso, na verdade eu sempre faço. Acho chato quando os grupos dançam sempre as mesmas músicas. Mas tento tomar cuidado para não escolher uma música que não tenha nenhuma relação com a estética do ATS, tipo alguma coisa do Reginaldo Rossi ou do Racionais MCs. :p " (Natália)

Comentário: Cooooomo assim, Reiiiiiii-ginaldo era o rei, Natáliiiiiia! kkkk

Pilares -  Incrementar o Dress Code com artesanato local ou seguir o padrão americano, o que você diria sobre isso?
"Pode sim, aliás, acho que fica ainda mais lindo quando colocamos algum acessório tradicional brasileiro no meio dos kuchis, assuits e tecidos indianos. Mas gosto de meio a meio, não tão lá nem tão cá." (Aline)

"O próprio dress code do ATS vem de várias inspirações e lugares diferentes, então eu acho super válido incrementar, modificar uma coisinha ou outra desde que a proposta da Masha Archer não seja perdida, pois quando ela começou a montar o dress code do ATS, uma das funções era mostrar a arte e não somente o corpo, por isso da calça, do turbante bem presente no início, do choli embaixo do top. Sei que nosso EU interior adora se montar e se sentir bela e não vejo problema nenhum nisso, desde que não seja a mensagem principal." (Lilian)

"Incrementar acho válido! Não saindo do dress code, é uma questão de gosto mesmo, do estilo de cada trupe. E também temos o problema do acesso à joalharia tribal tradicional aqui no Brasil. Muitas vezes somos "obrigadas" a incrementar com outras coisas porque é muito difícil para nós colocarmos as mãos nos acessórios tradicionalmente usados."  (Mariana

"O Dress Code é calça pantalona (gênio), saia, choli, cabeça enfeitada e jóias. Não vejo nenhum problema em incrementar o Dress Code com adornos tipicamente brasileiros, na verdade eu adoro a ideia. Me lembro de ter perguntado sobre isso para a Carolena e ela disse que já havia sido perguntado em um curso anterior, e ela havia respondido que não há problema." (Natália)

Comentário: Opa, alguém falou em Badulaques, aí? A primeira vez que vi uma tribalista entrei em surtooo, porque era exatamente a figura poderosa e empiriquitada (quem mora no nordeste ou já foi lá vai entender o significado kkk) que me habitava em silêncio (nem tão silente). Daí, estudando, observando...me deparo com quem? Masha, a rainda dos badulaques...e tudo fez muiiito sentido. Senti: tou em casa, mas e arrumar esses badulaques, vixiiii!!! Então sem mexer na estrutura, afinal de contas temos que ter respeito pelo conceito criado e pensado, sempre tive como ideal agregar nosso artesanato, crochê, madeira, búzios a essa riqueza de visual e muiiita chiiiita. Já pensou?! Eu já....já fiz isso e amei o resultado.

Pilares - Há dialetos sendo criados em seu grupo? Fale um pouco sobre isso.
"Gostamos de criar nossos combos e sequências, mas não criamos ainda nenhum movimento específico. É  interessante essa possibilidade de contribuir com o estilo, mas não me sinto inspirada  a tentar adicionar algo ainda." (Aline)

"O Nomadic Tribal mantém um ATS bem tradicional, no começo gostávamos muito de criar, inventar possibilidades, variações de passos e tudo, mas depois do curso chegamos a conclusão de que o argumento da Carolena faz bastante sentido. Quando você desperdiça sua energia criando um monte de coisas novas você não aprimora o que já existe e consequentemente não se diverte tanto dançando. Temos 2 combos com toque de snujs diferenciados que usamos apenas no Nomadic e sabemos o toque tradicional , dessa forma dançamos normalmente com outras pessoas de qualquer lugar." (Lilian)

"Movimentações específicas, sinais? Se for isso, ainda não exploramos todos os passos já existentes o suficiente, não sinto essa necessidade de inovar em termos de movimento no ATS. Alimento meus desejos de criação no Tribal Fusion." (Mariana)

"Não tenho mais grupo, mas acredito que para criar passos é preciso conhecer muito bem o básico. Na minha opinião isso é algo que acontece naturalmente. Eu não teria isso como objetivo caso fosse diretora de um grupo." (Natália)

Pilares  - Quando alguém lhe acessa para estudo do ATS qual a primeira informação que vc planta na cabeça do iniciante?
"Esse é um formato de dança que vai te ensinar muito sobre você.” (Aline)

"O ATS é um estudo lento, cheio de detalhes, não se sai da primeira aula tocando snuj, tem que ter perseverança. Eu sempre procuro explicar os benefícios que ele proporciona na vida e na nossa rede social além do prazer em dançar." (Lilian)

"Que não é fácil, que é desafiador pra caramba, mas igualmente divertido e vale muito a pena!" (Mariana)

"Que bonitinho! Informação que você "planta"! :)  Bem, a primeira coisa que eu gosto de conversar com o iniciante é sobre os conceitos do ATS e o respeito. Para mim, mais importante do que a técnica perfeita é a compreensão dos conceitos do ATS. Sobre dançar em tribo, sobre respeitar quem dança com você, sobre respeitar a si mesmo, sobre saber liderar e saber seguir. Sobre a beleza e o prazer de dançar em grupo. Isso é o mais importante; compreendendo isso, com perseverança e muito treino a técnica vem." (Natália)
                              
Pilares - Para quem estuda ATS, o que você julga ser fundamental na formação?
"Comprometimento. Sem ele é como entrar na chuva e não querer se molhar. Se você está dançando ou estudando só “quando dá” e quer ser levado a sério, acho bom rever suas prioridades." (Aline)

"Estudo, humildade e disciplina, além de entender bem a proposta do estilo." (Lilian)

"Estudar muito, o máximo possível, e continuar estudando depois da formação. O estudo não termina com o certificado. E com estudo me refiro tanto a estudo teórico, de história, quanto ao treino, desenvolver a memória muscular necessária, dominar a dinâmica da improvisação, dos snujs, de tudo!" (Mariana)

"Humildade e estudo. Humildade pra saber que você precisa estudar sempre, que você nunca está totalmente pronto. Estudo porque você precisa conhecer bem o que está ensinando." (Natália)

Pilares -  O que você pensa que mudará em nosso cenário após a vinda de Carolena e Megha?
"Espero que isso ajude a colocar nossa comunidade brasileira de ATS no cenário mundial do American Tribal Style e que mais profissionais qualificados e conscientes possam ser formados nessa jornada." (Aline)

"Espero que a nossa arte se propague muito e com consciência!" (Lilian)

"Maior oferta de profissionais, aulas e a formação de mais grupos de ATS." (Mariana)

"Sinceramente, não sei. Eu realmente espero que as pessoas sintam a força desse estilo de dança e se apaixonem por ele. Sem dúvida muitas pessoas no Brasil conhecerão o ATS depois da vinda de Carolena e Megha. Espero de coração que seja algo positivo." (Natália)

Olha, quando convidei essas mulheres incríveis para essa entrevista não imaginei que as respostas me tocariam tanto. Fez sentido pra você também? Então amanhã tem mais.

Super xeros e vamo que vamo!

2 de abril de 2015

PILARES ENTREVISTA - SISTERSTUDIO - PARTE 2

12 por Maria Badulaques - SEMANA 44

Respira fundo, vamos seguir.


Tinha (tenho) muitas perguntas sobre esse processo interminável sobre a dança que vem das profundezas do seu eu, contudo na caminhada algumas convicções vão se estabelecendo. Uma delas é o fato de que dançar é um processo, tal qual o desfolhamento de uma cebola, as camadas vão caindo e algo surge, emerge, brota. Este processo demanda de mecanismos para florescer, chamo de técnica. Não vejo como alguém possa evoluir sem uma boa dose de técnica, é como construir uma casa em terreno instável, a qualquer momento tudo pode cair. Pior que não ter técnica é ter uma técnica equivocada, bem desaprender é ainda mais tormentoso que aprender, por isso tão importante investir em pessoas qualificadas para o ensino. 


Escuto, já vi várias vezes, a venda da aula da essência, aquilo que vem da sua alma...e sempre me questiono, ué e alguém toma banho e sai de casa deixando seus bens personalíssimos na cama? No chuveiro? Essência não é algo que nasce, acorda, dorme e morre conosco?

Com base nesta inquietação seguiremos o papo com as Sisters, vamos lá.

Pilares - Como você fundamenta sua dança: técnica ou essência?

"Os dois. Prezo muito pela acuidade técnica dos passos e sou muito insistente nisso com  as minhas alunas, mas também tento criar um espaço acolhedor e de aceitação do outro em sala de aula e nos ensaios. É necessário aprender a respeitar os limites e possibilidades de cada um dentro de um grupo à cada situação que se apresenta." (Aline)  

"Técnica E essência." (Lilian)

"Na técnica para chegar à essência. A arte não existe sem a técnica. Isso pra mim é balela de quem tem preguiça de estudar e treinar. Tem que ter técnica sim, além de conhecer a história, tem que ter entendimento do todo. Senão não é profissional. Agora dançar pra família, pro cachorro, pode botar todo seu coração pra fora sem um pingo de técnica. Profissional, não." (Mariana)

"Eu fundamento minha dança em respeito, antes de tudo. Estou sempre em busca de aprimorar a técnica. Minha essência é algo que está lá, e vai aparecer em minha dança independente de qualquer coisa." (Natália)

Comentário:  Acredito piamente que a técnica deve estar inserida no útero da sua dança, e isto será um processo longo e as vezes desesperador (... nós e nossas cobranças, autocrítica...), mas há que se perseverar e um dia a coisa se torna orgânica. Esse lance de jogar ao fogo da inquisição a técnica porque se dança com a essência é coisa de perfumista. Isadora Duncan deixou muitos ensinamentos, inovou e mesmo ela não hiatou com a técnica, o que fez foi procurar uma forma de externar sua dança,  e sim, tem técnica!


Pilares  -  Quantos anos (meses, dias...) de estudo você trilhou antes de sua diplomação?
"Não sei dizer ao certo, mas acredito que uns três anos. Desde o momento que senti o peso da responsabilidade sobre o quê  eu estava ensinando e o  tal “chamado de casa”." (Aline)

"Em média eu estudei 2 anos antes de fazer o curso, desses uma boa parte já sabendo que eu iria me formar e como o Nomadic Tribal estava recém formado ensaiávamos e estudávamos juntas também além de aulas, vídeos, debates com as colegas da época de SP. Eu fui bem preparada, mas mesmo assim penei bastante porque era muita informação, ou eu fazia os passos ou sentava e anotava, então precisa se preparar mesmo para encarar o curso." (Lilian)

"No total de dança, 6 anos, e especificamente no ATS cerca de 2 anos." (Mariana)

"Eu comecei a estudar ATS em 2011. Tirei o certificado em 2013. Porém nunca parei de estudar, e até hoje faço aulas de todos os níveis. Acho imprescindível. A certificação, na minha opinião, é só o começo da jornada." (Natália)


Pilares - Há eventos suficientes no Brasil e em São Paulo divulgando o estilo?
"Acho que podem haver mais, mas estamos só começando." (Aline)

"Acredito que sim, mas podemos ter eventos maiores que divulguem de uma forma melhor o estilo e o que ele proporciona para as pessoas." (Lilian)

"Acho que não. O problema dos eventos é que são muito direcionados para quem já dança, ou para o mercado da dança do ventre. Falta ainda, e muito, a divulgação do tribal para o grande público. Falta espetáculos, falta tudo!" (Mariana)

"Na minha opinião, ainda não." (Natália)




Pilares - As trupes se reúnem com frequência para interagir?
"Nacionalmente temos o Campo das Tribos, que promove esse encontro, mas regionalmente não tenho como opinar.  Acho legal poder ter encontros regionais dos grupos, é uma experiência muito enriquecedora para todas as envolvidas." (Aline)

"Em SP não muito entre grupos formados, mas alunos com certeza! Não sei nos outros estados..." (Lilian)

"Muito pouco. Essa reunião acaba só acontecendo mesmo em eventos específicos." (Mariana)

"Não sei. Eu não tenho mais uma trupe. :) Mas se você está perguntando se as diferentes trupes interagem entre si, a resposta é não. Não vejo nem um esforço nesse sentido. Isso é bem diferente do que acontece lá nos EUA, e eu espero que após a vinda da Carolena e da Megha isso mude." (Natália)


Pilares - O ATS é pouco utilizado nas Fusões Tribais, o que pensa sobre isso?
"Mesmo sem saber os praticantes da  fusão tribal se alimentam do ATS o tempo todo. A informação chega um pouco distorcida pelas estilizações, mas chega. O que falta é reconhecer de onde vem o quê." (Aline)

"Na verdade mesmo, eu prefiro fusões mais ricas em outros sentidos, para mim como espectadora, não me agrada ver um ATS em formato de solo ou em formato de coreografia, com o argumento de que precisa ter ATS na fusão. Acho que precisa saber como interpretar isso. De fato, só a atitude, braços e postura do tribal já remetem bastante a sua raiz, usar elementos do ATS fusionados fica muito mais legal, do que usar combos inteiros e fora isso para se fazer uma fusão precisa ter bagagem histórica, pessoal ou cultural além do estudo do ATS, porque se não se fusiona ATS com o quê, não é?" (Lilian)

"Não acho que seja pouco utilizado, acredito apenas que seja usado de forma superficial, sem fundamentos. Toda bailarina de tribal, tendo ou não estudado ATS, já fez uma ondulação de braço em plano alto, e isso é ATS. Só que muitas vezes é feita sem a técnica do ATS. E não estou falando de conhecer a técnica para desconstruí-la, o que considero muito válido. Estou falando de nem se dar ao trabalho de conhecer a técnica original. Na minha opinião, o estilo só tem a perder com isso, e acaba caminhando para a descaracterização." (Mariana)

"Não concordo. Acho que em todo tribal fusion o ATS está lá. As pessoas podem não acrescentar o passo puro, mas a postura, os braços, a atitude está lá. Não existe tribal fusion sem influência do American Tribal Style. Essa coisa de separar o ATS do tribal fusion como coisas totalmente diferentes foi algo inventado e difundido por algumas pessoas só aqui no Brasil." (Natália)


Finalizo essa segunda parte da entrevista com o comentário de Rachel Brice no curso que fiz em 2014, ela dizia... que o ATS era a mãe do Tribal Fusion. Há como negar isso?! O que precisamos realmente é estudar os fundamentos teóricos e prático, informação é tudo!

Xeros no pulsante, amanhã vamos abordar as dicas de estudo para certificação.
Olha aí o sonho de várias dançarinas!!!