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3 de dezembro de 2014

134 - MASALIMA / SATRINYA

POSTER DE JAMILA
134 por Carine Würch - SEMANA 27


Parte 2 - Participação no Bal Anat

Tive aulas sobre figutino com uma de suas dançarinas chamada Sabah (mas não a mesma Sabah - Jamie Miller).

Selecionei um nome de dança profissional, Masalima, principalmente porque era um nome que ninguém havia pego anteriormente. Jamila ordenou: "Use-o!" 

Depois disso, o fiz. Lembro-me de Aida reclamando com ciúmes: "Ela tem o melhor nome!"

Tornei-me cada vez mais consciente dos rumores, das batalhas e das reputações, não só dos dançarinos, mas também das casas noturnas.

Por exemplo: Jamila não apenas dançou no Bagdad, ela era umas das proprietárias. 

Ela descreveu o co-proprietário, um homem chamado Yousef, como "um oportunista armênio". 

Jamila também nos disse os apelidos que os outros bailarinos e professores a chamavam: "Mother J" e "A Fortaleza" eram dois deles.

Jamila falava sobre seu passado nessas aulas aos sábados. Ela disse que seu primeiro marido era de origem indiana, "antes de estar na moda casar com um indiano." Ela e seu primeiro marido se separaram quando ela veio dançar em São Francisco. Então Jamila disse-nos algumas coisas sobre o seu segundo marido. Ele era persa, e quando se casaram, ele jurou que iria quebrar suas pernas se ela continuasse a dançar em público. Este era o pai de Suhaila.

Ouvi falar de uma professora chamada Jodette que morava e ensinava em Sacramento. Ela tinha sido uma estrela infantil na Jordânia, e estava garimpando alunos na platéia da Renaissance Faire, embora ela não estivesse se apresentando.
POSTER DE JODETTE
Jodette estava distribuindo os seus próprios cartões de visita, e estava dizendo a todos que ela era professora do Bal Anat. Também tinha um poster com snujs, muito semelhante ao de Jamila. Este cartaz, ostentava uma foto de Jamila, tirada no Bagdad Cabaret, 20 anos antes e os músicos no fundo incluíam Fadil Shahin.

Numa tarde de verão em 1973, Yousef veio para assistir a aula de sábado de Jamila. Ele continuou me olhando, e perguntou a Jamila quem eu era. Jamila me informou que Yousef queria eu fizesse um teste em sua casa noturna.

Após a aula, fui convidada para uma audição pelo Sr. Yousef. Ele também convidou-me para jantar!

No nosso pequeno tete-a-tete, eu ganhei uma bronca! Jamila e Yousef não eram apenas parceiros de negócios. Segundo Yousef, eles haviam sido noivos. Yousef disse que Jamila e o baterista persa fugiram e se casaram. Jamila telefonou para ele e lhe deu a notícia. Ele me disse: "Jamila disse: "Ele me ama! "" 

De qualquer forma, fiz o teste no Bagdad e fui contratada para dançar uma noite por semana para começar. 

A decoração do Bagdad, na opinião do meu pai era: "esgoto estofado", mas foi o lugar onde conheci as lindas dançarinas Raina, e Simsim, que eram as dançarinas semanais. Armand tocava Kanoon, George Dabai o extraordinário derbakista, George Elias, cantava e tocava e oud.

... continua

FONTE:
** Tradução Livre por Carine Würch **

21 de novembro de 2014

146 - AMINA

146 por Maria Carvalho - SEMANA 25

"E agora com vocês, Amina!'

Aziza! a olhou e ela perguntou: quem é essa? Ora é você, um empurrão, depois e Amina subira no palco do Bagdad, o único club da cidade.

A estréia de Amina foi cheia de histórias engraçadas e macabras, duas me chamaram atenção. Ela precisava de um figurino, mas cadê tu-tu pra isso? Eis que lembrou de uma patinadora dos anos 30, e zaz, as cortinas da sala viraram a saia, o sutiã foi coberto com o tecido e um pouco de bordado para dar o glamour. Veio na minha cabeça O Vento Levou, Scarlet O'hara!!!


Quando Aziza! viu o lenço amarrado na cintura, questionou imediatamente, causou estranheza, mas Amina tinha tido um pacote de duas ou três aulas, antes de se aventurar no palco do Bagdad, sequer sabia que o cinturão não era feito junto a saia, mas toda essa explicação ocorrera 5 min antes do anuncio de sua dança, então o que fazer com o lenço na cintura? Aziza! respondeu; na música lenta você saberá. Jesuuuuuuuuuuuuuuuuus!!!

Naquela mesma noite havia necessidade de combinar as futuras apresentações com Yousef Kouyoumjian, dono do clube, todos foram embora, ele lembrou de um café, contudo o estabelecimento estava fechando, então sugeriu irem a sua casa, ali próximo, que dividia com sua mãe. 

Chegando na casa, sem mãe nenhuma, Amina se viu no desconforto de estar só com um homem que iniciava massagens com um óleo aromático em seus braços e pés, fala sério!!! 

Como terminou essa saia justa?
Cenas do próximo capítulo.

Xeros e vamo que vamo





FONTE:

31 de outubro de 2014

167 - ASMAHAN

167 por Carine Würch - SEMANA 22

Minha aventura começa! por Asmahan - PARTE 2

Galya
Pedi a Masha que me ajudasse a encontrar moedas árabes para um traje, tecido assuit, e muitas jóias turcas. Era difícil conseguir moedas do Oriente Médio na época, então comprei algumas moedas inglesas dela, apenas para ter alguma coisa. As pintei para que parecessem que vieram de algum país exótico do Oriente Médio! 


Minha grande ídola na dança era Galya. Costumava ir vê-la no Greek Taverna em Oakland. Ela sempre foi tão gentil, prestativa e solidária. Ela me deu o seu cartão de visita, que tinha uma foto maravilhosa - ainda a tenho, e fiz uma grande cópia colorida a partir dele. 





Aida
Aida sempre foi muito útil também. Eu tinha um monte de dificuldade de entender a música e a complexidade dos ritmos dos snujs, padrões de quadril e footwork, todos trabalhando juntos em uma espécie de oposição. Aida, ex-cantora de ópera, tocava o mizmar, por isso ela entendia muito sobre música. Ela me deu algumas aulas particulares. Eu fiz-lhe uma saia e véu que ela amava. 

Em 1973, fui ao Casbah ver o show muitas vezes. Quando fiz o teste, Fadil disse que poderia começar em alguns meses, assim que houvesse uma abertura.

No Bagdad, Yousef me contratou na hora e disse que poderia começar imediatamente, mas não quis. Foi-me oferecido um emprego no Greek Taverna por quatro noites por semana, incluindo uma noite a cada fim de semana. Era um belo restaurante de estilo familiar e uma ótima maneira de começar a experiência de palco. As gorjetas eram fantásticos, e eu podia comprar todas as semanas novos tecidos e jóias. 

Jamila tinha um estilo, que ela chamou de pré-napoleônica, isso significava: materiais árabes antes da influência da cultura ocidental. 

Fiz um cinto de moeda e sutiã de moedas de bronze marroquinas que comprei de Masha. Trabalhei para o Lion and the Sun, que era uma loja de importação persa. Eles tinham tecidos persas maravilhosos e jóias. Consegui moedas persas lá para fazer um cinto de prata e sutiã. Projetei cintos para que eles produzisse e fez figurinos para eles venderem. 

Fadil 
Depois de alguns meses Fadil me deu algumas noites no Casbah. Era tão competitivo! Havia cerca de cinco bailarinas por semana, chegando para trabalhar. O ambiente era fantástico, a música maravilhosa. Fadil tem a voz mais bonita. Ele fez essas boas versões de Abdul Halim Hafez, Om Kalsoum, e Farid el Atrache. Ele estava sempre cantando as músicas mais recentes do Golfo com os ritmos Ayoub, que eu amava. Tive aulas de derbak com o músico de tabla do Bagdad, George Dabai. Isso me ajudou a me tornar uma dançarina melhor, enquanto aprendia os padrões rítmicos. Ele me ensinou a tocar def, então, tocava no palco com os músicos no primeiro set. Este era um sonho se tornado realidade. Jalal e Salah eram músicos maravilhosos; eles tocavam músicas persas, turcas e árabes. Os clubes entretinham muitos árabes, incluindo os príncipes da Arábia Saudita (que pareciam estar todos estudando em na Universidade de Stanford). Um dos clientes favoritos era o príncipe Musab al Saud. Na minha primeira noite, ele me elogiou e disse que parecia uma egípcia. Ele queria me comprar uma bebida. Eu nunca tinha tido qualquer tipo de álcool na minha vida. Perguntei a Musab o que ele estava bebendo, ele disse uma cerveja, então escolhi o mesmo. 

Minha primeira bebida foi uma cerveja com o filho do rei da Arábia Saudita! 

No Casbah, nesse momento, as bailarinas eram: 
Aida, Raina, Safia, Selwa, Rhea, e Princess Samia Nasser. Meus figurinos eram "pré-napoleônicos", e com três shows por noite, (eu tinha que ter três trajes diferentes) eram muito pesados para carregar. Aida disse-me onde conseguir uma mala com rodinhas. Elas eram raras de encontrar naquele tempo. 

Todos as outras dançarinas usavam trajes bordados. Fiquei chocada que a única dançarina árabe, Samia Nasser, usava as cores mais ultrajantes, muito pálidas, usava sapatos de salto alto, tinha cabelo curto vermelho-alaranjado, e um olhar que só pode ser descrito como "Plastic Fantastic". 

Samia era muito doce e costumava me dar conselhos. Muitas vezes pedi a ela para me contar sobre os bailarinos no Oriente Médio. Ela me disse que todos os bailarinos profissionais usavam trajes bordados ​​e muito glamourosos. Além disso, ela me disse que não estava tirando o melhor proveito do meu look. Ainda frequentava aulas, que continuei a fazer pelo tempo dancei profissionalmente. 



Senti que havia sempre algo para trabalhar e mais, para aprender. Assisti todas as dançarinas e aprendi muito! Raina, Safia, e Selwa eram realmente lindas e usavam trajes muito sensuais. Entendia que as minhas moedas, pulseiras de metal, tecidos antigos, cocares turcomanos, não eram tão atraentes para os clientes. Precisávamos ir até as mesas para as gorjetas, era esperado fazermos um bom dinheiro, e era a tradição dar metade do dinheiro para a banda. George, o porteiro, era um personagem a parte, ele usava um fez (barrete árabe) e entertia os clientes com latidos e dançando, para que eles entrassem. Haroun, o barman, parecia um personagem de um filme. Na verdade, a atmosfera no Casbah era como estar em um filme (como "Casablanca"). Eu estava apaixonada por minha nova vida: vestir me com figurinos árabes toda a noite, maquiagem dramática - olhos pretos delineados, usando montes de jóias pesadas, arrumando figurinos, vendo todos esses personagens incríveis, e estar rodeado por esta música fabulosa!


SEGUE ... 

Fonte:
** Tradução livre - Carine Würch **


22 de outubro de 2014

176 - AZIZA!

176 por Carine Würch - SEMANA 21

The Beginning - by Aziza!

Minha mãe sempre se culpou pela minha carreira na dança do ventre. Ela sentia que se ela não tivesse me levado para aulas de dança (ballet, sapateado e etc) quando era criança, nunca teria sabido que gostava de dançar! Ela também me ensinou dança folclórica e de quadrilha e pagou por aulas de dança de salão - e por minha conta, mais tarde, tive aulas de dança moderna, Flamenco, afro-cubana, taitiana, e muito mais, mas ela achava que havia sido aquela primeira formação fatídica, que realmente me colocou no caminho da dança. Fico feliz em dizer que quando ela finalmente me viu dançar, dez anos depois comecei, e viu que era bom - e que eu ainda era a mesma pessoa - ela mudou de ideia sobre a necessidade de se "culpar".

Mas meu pai, até o dia que ele morreu, estava convencido de que eu estava fazendo o desagradável cootchie-coo! (hootie-cootchie)

Em 1966, eu estava frequentando a Universidade da Califórnia em Berkeley como um grande russo, com a intenção de ser um bibliotecário com uma linha lateral de traduzir os muitos materiais russos que começavam a estar disponível para bibliotecas. O major russo era apenas uma manifestação do meu interesse em outras culturas - em suas línguas, seus costumes e trajes, sua música e dança.

Um dia, vi no jornal do campus, um anúncio de aulas de dança árabe a ser ministradas por uma profissional aposentada - Respondi ao anúncio, conheci Jamila Salimpour, e todo o curso da minha vida mudou!


Jamila estava ensinando em seu apartamento na Telegraph Avenue, em Berkeley, e a partir do momento que entrei, fui pega pela magia. Havia incenso aceso na porta da frente, havia gravuras de desenhos exóticos e fotografias de Jamila com seus figurinos nas paredes, um lance indiano no sofá, e que a música - que música! - enchendo a sala de estar. Uau! Ia feliz para as aulas a cada semana, as aulas eram cheias de muito treinamento de passos e com os snujs [zills] (havia um grande quadro na parede, mostrando padrões a serem tocados para nossa prática, e estou certa de que a minha total facilidade e conforto com snujs, foi devido a toda a prática exigida), mas também cheias de fofocas e histórias e a oportunidade de se debruçar sobre as fotografias de outros bailarinos na sua Rogues' Gallery.

Jamila grávida na época, mas ela não teve nenhum problema nos ensinar todos os movimentos, e costumávamos brincar que ela poderia simplesmente ficar parada e deixar o bebê fazer o trabalho na barriga dela.

Éramos sua segunda leva de estudantes - a primeira, incluía a magnífica Galya - e havia cerca de cinco de nós na classe. Uma outra passou a fazer dança profissional por um tempo, mas fui a única naquela turma que seguiu carreira.

Uma das coisas que Jamila exigia era que fossemos a Sao Francisco ver os dançarinos nos clubes. Havia apenas dois clubes do Oriente Médio que eu conhecia naquela época, os dois em North Beach. O primeiro que meu marido e eu visitamos foi o Bagdad Cabaret, onde eu vi minhas primeiras dançarinas do ventre ao vivo: Eu vi Karoun Omar e Tahia Sirhan, e que contraste elas eram! Karoun era suntuosa, com um belo movimento gracioso e um ar arrogante. Ela usava uma saia de crepe branca e  pesada, com acabamento em preto para combinar com o sutiã preto, e o cinto que ela usava com algum tipo de material bordado, Jamila chamava de "decoração abajur." (Mais tarde fiz algumas aulas com Karoun. Ela se mudou para Nova York, e, depois de uma estadia desastrosa e trágica lá, voltou para a São Francisco, por um curto período de tempo. Mesmo assim, gostava de vê-la dançar mais do que a maioria das outras dançarinas daquele tempo!)


A outra menina, Tahia, era uma coisa selvagem, supostamente uma louca beduína. Ela usava uma saia roxa e um sutiã e cinto de moedas de ouro, com um grande punhal traspassado seu cinto! Ela dançou energicamente, e depois parecia discutir em árabe com os músicos. Ela sentou-se no palco, fez beicinho, pegou as unhas dos pés e balançou a cabeça, e, de repente, saiu do palco, mas foi persuadida por Yousef a voltar. Quando ela saiu para dançar na platéia, pensei comigo mesma: "É melhor que ela não fique muito próximo ao meu marido!"

Desde então, tenho me divertido com a lembrança deste pensamento, e entendo a reação de algumas mulheres em relação a uma bailarina.

No Gigi's Port Said, vimos Leila Lisa, a dançarina que mais tarde viria a aparecer em "From Russia with Love" na cena do acampamento cigano.  (assita aqui) (Ela não foi, no entanto, a dançarina por trás dos títulos em que o filme, e sim Tanya Lemani). Leila usava um monte de saias e tinha uma série de lenços enfiados na linha dos quadris. Ela era uma dançarina bem magra, e eu me lembro que ela tinha o hábito de puxar o lábio superior para baixo sobre os dentes, como se quisesse esconder um overbite, embora ela tivesse um.

Depois que havia feito aulas por cerca de três meses (e ensaiado como uma louca em casa, o que era difícil, pois os únicos discos que encontrei eram "Port Said", de Mohammed El Bakkar e um álbum de música turca pirata), Jamila me disse que estava pronta para entrar no palco! Eu já tinha um figurino, um preto e prata. Tinha vendido um fogão para comprar um cinto que Jamila fez para vender, e tinha feito uma saia e véu e cobri um sutiã com moedas para combinar com o cinto. Rapidamente fiz uma roupa que se usava no clube entre os shows - uma longa saia preta e uma elegante blusa de cetim verde e chiffon preto, e comprei alguns cílios postiços e fiz o meu cabelo na quarta-feira antes da minha estréia. Queria grandes cachos, e prender meu cabelo como o de Jamila, mas como não fiz com um profissional, parecia um crisântemo murcho! Não importa! Estava pronta, embora com grande temor e tremor!

Foto do interior, não sei quem é a bailarina

Jamila me garantiu que só teria que fazer um show curto na minha primeira vez.

Antoinette Awayshak e Fatma Akef estavam trabalhando lá, de modo que estava tudo bem. No entanto, quando eu cheguei, descobri que Antoinette estava em casa, doente, que havia somente eu e Fatma. 


Yousef me convenceu a fazer três shows na minha primeira noite - 10 minutos, 12 minutos e 15 minutos! (Agora parece tão pouco, mas para um primeiro tiro, foi muito emocionante!). Me diverti muito, Yousef estava de bom humor, e tudo correu bem. No dia seguinte, ele chamou Jamila e disse: "Onde você conseguiu isso fireball ?!" E assim, comecei a trabalhar no Bagdad Cabaret, uma noite por semana no início, então, gradualmente, com mais freqüência. 

E assim começou ...

Texto original:
** Tradução livre - Carine Würch **