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22 de abril de 2015

PILARES ENTREVISTA - LUKAS OLIVER - PARTE II

Dando sequência a nossa conversa.

Parte II da Entrevista elaborada por Maria Badulaques, com Lukas Oliver:

Técnica sempre foi uma "preocupação". 
Como conciliar com a essência? Ou não se concilia? Acredito que a técnica é a língua utilizada pela alma para expressar através do corpo. Sempre tentamos olhar técnica e essência como duas coisas distintas difícil de se conectar. 

O que é incrível em minha trajetória na dança é que somente consegui entender e efetuar a técnica quando minha essência estava presente em cada movimento. Entendi que não são distintas, mas parte de um todo. 

O caminho que utilizo para sentir a técnica e a essência presente, é simples. Procuro realizar o movimento realmente sentindo como ele trabalha com meu corpo, aguçando meus sentidos. 

Quando realizo um movimento de braço, procuro estar presente realmente dentro do meu braço, sentindo ele cortar o ar, os pelos tocando minha pele, os encaixes das articulações, as pulseiras que deslizam... Conecto isso tudo ao sentimento e sensação que quero passar e que a música me passa daí nasce a característica técnica da movimentação ou muitas vezes nasce outro movimento. Técnica e essência é um assunto complexo que me envolve muito, ficaria horas tentando escrever, mas acredito que é algo que não se descreve, é algo que se vivencia. 

"Creio que para a dança, não há diferenças, não há melhores nem piores, não há bonito ou feio, não há a mais importante ou o menos importante, não há a pioneira e muito menos regras ou mandamentos, formas físicas, estilos de roupa, movimentos determinados etc", com base em sua afirmação, o que acha do ATS? O ATS é um estilo incrível que um dos seus principais conceitos, pelo o que conheço, é a união. Assim como o foco da humanidade; viver, divertir, dançar em harmonia respeitando uns aos outros, unidos. Acho isso tudo muito lindo e vejo isso no ATS e vejo em outras modalidades também. Quando começo assistir uma apresentação quero mergulhar no universo de sensações de quem está se apresentando, quero sentir o que ela sente, e entender a mensagem que quer me passar. É nesta hora que procuro entrar em processo meditativo com tal performance, não há diferenças, nem estilo, não há movimentos determinados, não há o corpo, não há regras nem mandamentos nem nada que impossibilite a liberdade expressiva. Há simplesmente a DANÇA, a ARTE, as sensações, os sorrisos, a beleza, a confraternização, há um vórtex de boas vibrações e sentimentos, dança pura. Deixa de existir, rótulos ou características e passa a existir tudo ao mesmo tempo e o nada. Deixa de existir o artista e aparece a arte. 
Gosto muito do ATS!

Um dos principais motivos é o que costumo dizer: Você pode assistir 3, 6, 9 apresentações de ATS, mais nenhuma será como a outra. Por mais que os movimentos sejam pré determinados, ou figurino tenha um padrão, regras de movimentações e uma  líder, você nunca sentirá o mesmo vórtex vibracional, ou a mesma dança. 

Você menciona que busca a "dança pura", nesta busca a técnica continuará sendo um dos ingredientes do bolo? Sem sombras de dúvidas. A técnica faz parte integral e é própria dança pura. Um exemplo de como entendo isso: 

Uma pessoa que nunca fez aula de dança mas sabe dançar (Todos no universo sabem dançar, rs), vai em uma balada, faz alguns passinhos, se você chegar nela e perguntar; como você faz isso, me ensina? Você pode não ter uma explicação baseada nos conhecimentos anatômicos, nos conceitos de Laban, expressividade da dança indiana, mas uma coisa é certa, a pessoa irá te explicar tecnicamente como executar o que ela esta fazendo, claro que dentro das possibilidades do conhecimento dela, mas isso não deixa de ser técnica. 

Para você, o que tem atraído tantas dançarinas de bellydance para o tribal? Em foco a liberdade de expressão. Mas muitas vezes  as simples possibilidades de unir os seus conhecimentos em bellydance e mesclar com outros estilos. 

Ou mais simples ainda, o gosto pessoal pela dança. 

Você já se encontrou enquanto dançarino? Percebe ter encontrado sua identidade na dança? Qual é? Não encontrei e acredito nunca encontrar uma identidade na dança. Acredito que como ser humano estou em constante mudança, recebendo diversas influências e conhecendo um mundo de infinitas possibilidades, não ousarei limitar tais mudanças para me adequar em uma identidade. 

O que encontrei é um estilo o qual tenho muita afinidade que é o Tribal Fusion e meu objetivo é dança-lo como é e mesclar outras vivências em minhas performances. 

Me sinto muito feliz e realizado, trabalhando, estudando e me dando a liberdade de reler o estilo para minhas performances. Com certeza, dedicarei a ele um bom tempo de minha vida. 


Você diz que está vivendo uma fase de transmutação, o que ficará de fora do seu novo momento? Nada ficará de fora. Não há como negar o que passou, o que está passando, ou o que passará. Eu apenas me permitirei a olhar outras paisagens. Não há como deixar de viver no mundo em que vivemos, mas acredito que podemos olhar as coisas boas ou viver as coisas ruins. Tudo é uma questão de escolha e eu escolhi ter, fazer e ser o que me faz bem, na dança e na vida. 

Em sala de aula, o que mudará em sua filosofia? Minhas aulas sempre estão em constante mudança, sempre levo técnicas novas, filosofias novas, pesquisas, vou procurando outros caminhos para explicar um movimento etc. 

O que sempre esteve como filosofia desde o princípio é a liberdade. Eu apresento, o aluno escolhe o que gosta e lhe faz bem e dança livremente. 

Acredita na possibilidade de uma formação sólida, em qualquer modalidade de arte, sem uma fundamentação concreta da técnica? E neste caso, como encontrar a liberdade de expressar, enquanto a cobrança da técnica está na mesa? Como acredito: A técnica é língua utilizada pela alma para expressar-se através de um corpo.

Se você não estuda a gramática, o vocabulário, não pratica conversação, não treina os músculos da face para falar inglês, você nunca falará inglês. Mas é livre para viajar a um país e arriscar a falar.


Se não entende o corpo, não trabalha flexibilidade, equilíbrio, força , não conhece historicamente o que pratica ou como atua o seu corpo e sua mente em alguma movimentação, você não saberá a técnica, não falará a língua da dança, da alma. Mas isso não te impossibilitará de subir em um palco e arriscar a fazer o que você sabe, a conectar seu corpo e sua alma. 

Acredito que sem compreender a técnica não há formação, mas sem entender a alma também não há formação. 

Você pode escolher dançar com o que você sabe e ser feliz expressando livremente, ou você pode escolher aprofundar seus conhecimentos técnicos, dançar com o que você sabe e ser feliz expressando livremente. 

Para ter uma "formação sólida", acredito eu, buscarmos um equilíbrio entre corpo e alma. Para ensinar, por exemplo,  procuro ter o maior número de conhecimento técnico, filosófico e histórico a fim de estruturar minha didática de ensino mas também procuro entender qual é o estado de espírito do aluno e como posso ajuda-lo a conectar técnica, corpo e mente, com a finalidade dele expressar-se livremente compreendendo a técnica e tendo repertório. 

Resumidamente,para mim, técnica e liberdade de expressão andam juntas e formam um indivíduo/profissional, sólido e equilibrado.  

** todas fotos foram escolhidas por Lukas Oliver **

                  http://www.lukasoliver.com/ 

1 de abril de 2015

PILARES ENTREVISTA - SISTER STUDIO - PARTE 1

13 por Maria Badulaques - SEMANA 44

Entrevista com as SistersStudio FTBD® - 1ª Parte.

Tela em branco, paro uns minutos, respiro... por onde começar? 

O caminho dessas quatro SistersStudio se comunicam na estrada da DETERMINAÇÃO e voltam a se cruzar na rotatória do amor à dança. 

Durante cinco dias estaremos publicando uma entrevista realizada com as sisters Aline Oliveira(RJ), Lilian Kawatoko(SP), Mariana Quadros(SP) e Natália Espinosa(SP).

Já falei como começou o projeto Pilares do Tribal, e agora que estamos chegando bem próximas à marca do gol, observei que ter as Sisters falando do que tantas anseiam, a certificação, sua trajetória era(é) fundamental.

Vamos juntas nesta viagem.

Em 2004, Mariana foi uma das pioneiras do Estilo Tribal no Brasil, começou a estudar o estilo e percebeu que havia muito a ser explorado, então anos mais tarde, nos idos de 2008 foi ao renomado evento Tribal Fest (Sebastopol-Ca), onde se aprofundou nos conhecimentos e apresentou sua dança àquela plateia seleta. Somente em 2010 veio a certificação!

Entre 2006 e 2009, Lilian morava no Japão, e lá teve o primeiro contato com o Estilo Tribal. A identificação foi imediata, visto que sempre teve uma estética exótica no bellydance. Após este período, retornou ao Brasil, fez parte do 1º grupo de ITS em São Paulo e estudou com Mariana, que na ocasião já era Sister Studio. Em novembro de 2012 tornou-se mais uma Sister em solo nativo.


Aline iniciava seus estudos do bellydance em 2007, o caminho com o Tribal estava traçado e em 2009 começou a ministrar aulas de ATS e Tribal Fusion. É uma das diretoras da Tribo Mozuna, primeiro grupo de ITS. E em dezembro de 2012 juntou-se a Mariana e Lilian no rol de Sisters certificadas.



A Natalia, como suas antecessoras, também veio de um início no bellydance, passou pelo Tribal Fusion e por indicação de sua professora, Paula Sampaio, foi estudar o ATS como forma de entender melhor a estrutura corporal do Estilo Tribal, não deu outra... em 2013 se certificou.





O que podemos e devemos depreender, deste breve relato, da vida dessas quatro mulheres que nos servem como Pilares, é que tudo começa com muito esforço pessoal, uma dose cavalar de dedicação e muito, muiiito estudo. 

Mas sobre o estudo e a preparação, você descobrirá ao longo desses cinco dias de leitura.


Pilares – Como e por qual motivo você se iniciou no ATS?
“Comecei a estudar ATS por necessidade, já fazia aulas de tribal fusion e dança do ventre e estava começando a me apresentar em shows da escola
com uma certa frequência, sempre precisava aprender uma nova coreografia para dançar com as colegas (eu não gostava muito de solar, não me sentia pronta). Foi um processo bem natural, comprei um DVD de ATS, comecei a pesquisar, a ler bastante sobre o assunto e de repente as peças foram encaixando. (Aline)

“Eu conheci um pouco do ATS depois de conhecer o Tribal Fusion da Rachel Brice através de vídeos, na época eu morava no Japão e dançava dança do ventre lá. Não havia nada parecido ainda por lá e achei o estilo encantador, me identifiquei mesmo porque eu sempre achei que minha dança do ventre não se encaixava muito no padrão. Quando voltei ao Brasil procurei professores do estilo em SP, então conheci a Rebeca Piñeiro e o ITS que me deixou mais interessada ainda, procurando saber mais e estudar mais sobre esse estilo tão diferente, estudei então ATS com a Mariana Quadros e aí eu já sabia que queria fazer essa dança para sempre.” (Lilian)

“Comecei no ATS por sentir a necessidade de uma base sólida para o tribal. Conforme me aprofundei no Tribal Fusion, percebi que essa base estava no ATS, e que continuar estudando qualquer outra modalidade não me traria o que eu buscava. Meu primeiro contato direto com o ATS foi num workshop com Carolena Nericcio no Tribal Fest 2008. Me apaixonei pela metodologia dela e pela estrutura tão bem fundamentada e funcional do estilo, e decidi que aquele seria o próximo passo a ser dado na minha jornada.” (Mariana)

“Eu comecei a dançar ATS inicialmente por causa do Tribal Fusion. Eu já havia feito dança do ventre por uns dez anos antes de começar a dançar tribal, e ainda tinha muita dificuldade em entender o trabalho corporal do tribal fusion. A Paula Sampaio, minha primeira professora de Tribal, disse para eu estudar o ATS para melhor entender de que forma os movimentos eram executados no tribal, e ela disse que achava o ATS "minha cara". 

Fui atrás e estudei com professoras em São Paulo; quando a escola Campo das Tribos abriu eu me inscrevi no curso com a Mariana Quadros. Ela estava certa: acabei me apaixonando pelo ATS." (Natália)





Pilares - Como você classificaria o cenário nacional de dança do estilo?

“Nosso cenário passa por um momento de crescimento e expansão de conhecimentos. Várias de nós já começaram a divulgar o ATS fora do circuito Rio-São Paulo e vários núcleos estão surgindo no interior graças à possibilidade dos cursos mensais e do próprio interesse das bailarinas que levam o ATS para as suas cidades. A visibilidade do ATS também cresceu graças a publicações como a revista Shimmie, e a participação dos grupos em eventos de dança do ventre e folclore árabe e em programas de TV. Nosso público aumenta a cada dia e isso é maravilhoso!” (Aline)


“Em crescimento e expansão. E como todo crescimento, nem sempre ordenado.” (Mariana)


“Acho que os brasileiros no geral são muito bons em tudo que se empenham em fazer. Temos muitas pessoas aqui com potencial técnico e também muitas
pessoas buscando entender melhor o ATS além do visual, shows e etc...” (Lilian)


“Não sei se há uma classificação para o cenário, mas vejo que cada vez mais pessoas estão conhecendo o estilo e isso me faz muito feliz. Percebo que existem muitas pessoas interessadas em aprender. Mas ainda há muita confusão e muita informação equivocada sobre o estilo, geralmente vinda de quem não tem muito contato com ele, e considero isso normal porque o ATS está começando a ser conhecido no Brasil só agora mesmo. Espero que com a vinda da Carolena e da Megha essas dúvidas e confusões sejam esclarecidas. ” (Natália)
Pilares - Os encontros que promovemos no Brasil seguem o padrão de conexão difundidos "lá fora"?

“Acredito que sim, dos eventos internacionais que participei o sentimento de reencontro e familiaridade entre as bailarinas (que às vezes nunca se viram pessoalmente, mas tem tanto em comum graças à dança) é o mesmo. Acredito que a comunidade tribal tem essa característica em comum em toda a parte.” (Aline)


“Muitos sim, acho que o que mais me marcou de ter dançado com pessoas que não falavam o mesmo idioma que eu, foi a generosidade, o olhar de cumplicidade, o acolhimento. E acho que a gente pode fazer isso em todos os ambientes, seja em sala de aula, em um parque, ou em um show de gala, depende de nós” (Lilian)


“Acredito que idealizamos muito os eventos que acontecem lá fora. É a mesma coisa. Tomando como exemplo o ATS Homecoming, onde a Masha Archer circulou livremente entre as participantes, talvez aqui ela não ficaria em meio ao público, simplesmente porque nós, brasileiros, sabemos que as chances de estar no mesmo lugar que ela são ínfimas, e isso aumenta muito o assédio. Em relação a grupinhos, tem em todo lugar! E acho que os eventos em geral costumam ter um clima bacana, todo mundo ali por um mesmo propósito, gosto bastante!” (Mariana)



“Não tem como eu dizer isso com precisão, pois não conheço todos os eventos. Mas tendo em vista o que eu vi lá fora e o que eu vejo aqui, em sua maioria, não. Temos alguns eventos de grande porte, e em geral o clima nos eventos de tribal é sempre de muita amizade e alegria, as pessoas ficam felizes quando se reúnem, quando se encontram. Mas acho que ainda falta um bocado para criarmos essa conexão entre os dançarinos de tribal. O que eu sinto em relação ao que eu vi lá fora é que as pessoas deixam o ego um pouco de lado e isso resulta num clima de festa, de igualdade, é a sensação de que o meio da dança é mais horizontal, no sentido de que há um reconhecimento de quem tem uma estrada mais longa na dança sem que isso transforme a cena em uma pirâmide, em "melhores no topo, piores na base". Acho que aqui no Brasil precisamos trabalhar mais para abandonarmos (ou pelo menos suavizarmos) nosso hábito de ranquear tudo.” (Natalia)




Pilares - O que acha do ATS ensinado por pessoas não certificadas, muito embora seja permitido?

“Apoio e acho válido. Eu comecei a dar aulas sem ser certificada. À medida que nos envolvemos com o formato e a comunidade ouvimos ”o chamado de casa”, essa necessidade de estar mais perto e aprender da fonte. Exemplificando pela minha própria experiência posso dizer que sou uma profissional melhor depois da certificação, mas isso não quer dizer que eu não levasse a sério antes.” (Aline)
“Eu Lilian, particularmente não aconselharia, não é porque pode ou não pode, é porque existe uma razão para se fazer o curso de professor do método FCBD, eu não gostaria de ter que repassar todas as matérias com meus alunos depois de fazer o curso porque descobri uma melhor forma de explicar ou de exemplificar, ou notei alguma coisa que não sabia antes. O método do FCBD é perfeito, sua ordem é minuciosamente pensada de forma a ajudar a evolução do aluno, então porque não repassar isso?” (Lilian)


“Acho que uma professora não certificada que estudou tempo suficiente com uma Sister pode ser uma boa professora. E certificado não é sinônimo de qualidade.” (Mariana)

“Eu não conheço o ATS ensinado por todas essas pessoas, porém não acho que pessoas que não têm a certificação são menos capazes de dar uma boa aula, de forma alguma. Acho que o professor tem que, antes de mais nada, estudar muito para dar aula. Independente de ter tido grana pra ir lá se certificar. O que importa é a qualidade da aula.” (Natália)




Pilares - Que sugestão você daria as dançarinas que sonham com a certificação?

“Exerçam a humildade sempre. Não é porque o canudo está na mão e a foto com a Carolena está na parede que se deixa de estudar. Aproveitem todas as oportunidades possíveis de interação com as professoras do FCBD e bailarinas mais experientes que surgirem antes e após os cursos. Esse é um ato de respeito e amor, porque quanto mais você souber, mais poderá compartilhar com suas alunas e com a comunidade na qual você está inserida. Lembre-se que o ATS não é sobre você , é sobre o GRUPO.” (Aline)

“Primeiro, para quem quer dar aulas: Você gosta MUITO de ser professor? Rsrs Sim, porque dançar bem ou adorar dançar não significa gostar de ensinar, e na minha opinião você tem que gostar muito de ensinar, tem que ver seus alunos como filhos. Exagero? Não, você é uma referência para seus alunos, é responsável pelo crescimento deles e evolução.

Se você é um dos nossos, seja muito bem vindo a esse mundo maravilhoso! Se você quer fazer o curso para se aprimorar, parabéns também pelo seu esforço e dedicação, tenho amigas certificadas que decidiram não dar aulas e mesmo assim não pararam de estudar!” (Lilian)




“Estudem muito. Estudem antes, e estudem depois. A certificação é só o começo. O ATS só existe depois que você pratica em um grupo, antes disso não passa de teoria.” (Mariana)







“Estude muito. Faça muitas aulas, se possível com diferentes profissionais. Compre pelo menos uma aula com Carolena ou Megha por Skype e tire dúvidas. Assista os DVDs. Acima de tudo, entenda por que você quer se certificar. Se você quer aprender a dar uma aula no formato FCBD, se quer ajudar a difundir o ATS da forma que é feita no estúdio do FCBD, a certificação certamente vai te servir muito. ” (Natália)




Pilares - Como foi sua preparação para o sister?

“Vi todos os DVDs da coleção do FCBD várias vezes e fiz anotações sobre todas as minhas dúvidas. Debati com as colegas de grupo também e fiz mais anotações. Levei o caderno para o curso e a cada dúvida que surgia e ia sendo sanada fazia um risquinho, ou mais anotações esclarecendo. Fiz aula particular de inglês para afiar a minha conversação e dei aula de ATS em inglês para a minha professora (que era uma das minhas alunas) para praticar o vocabulário. Foi ótimo, ela ganhou aula particular e eu também. Também tive oportunidade de conversar com outras professoras que já eram certificadas e tirar algumas dúvidas, foi bastante esclarecedor.” (Aline)


“Minha preparação para o curso foi a seguinte: “Não estou entendendo nada. Todas as informações que recebo me parecem muito distintas, mas preciso entender melhor essa dança, ela mudou a minha vida, vou fazer o curso”. Rs (Lilian)

“Estudei o máximo que pude pelos DVDS, o máximo de passos que consegui e de dinâmicas. Ainda assim, é muuuuuita coisa para ser absorvida em uma semana, e quanto mais você souber de antemão, mais vai aproveitar o curso." (Mariana)


“Para o General Skills estudei muito, diariamente. Eu estava obcecada de paixão pelo ATS. Estudei os DVDs, fiz todas as aulas que pude. Estudei na época com as professoras, Sister Studios ou não, que estavam a meu alcance: Mariana Quadros, Aline Muhana, Rebeca Piñeiro, Gabriela Miranda. Chegando lá, fazia as aulas e estudava depois. Foi realmente um intensivo. Para o Teacher Training, prestei muita atenção nas instruções de Carolena e Megha, li o material, estudei em casa os movimentos que me foram designados para ensinar.
Mesmo que você pague pelo curso e complete o Teacher Training, o status de Sister Studio, até onde sei, não é garantido. A Carolena avalia se vai conferir o certificado a você. Isso é o que eu lembro. Quando eu fui, eu não sabia se eu ia voltar Sister Studio. Então me esforcei e fiz por onde.” (Natália)


Ficou com gostinho de quero mais?

Tem mais...tamos só no começo! Até amanhã
Super xeros no pulsante.
Mariana Quadros & Carolena Nericcio
Mariana Quadros e a turma certificada com Carolena Nericcio

30 de março de 2015

15 - CAROLENA NERICCIO-BOHLMAN

15 por Carine Würch - SEMANA 44

Carolena Nericcio-Bohlman é a dinâmica fundadora do fenômeno de dança mundial chamado American Tribal Style®.

Um fascínio precoce de adornos corporais permanentes, faz com que aos 8 anos, peça que seu pai, Carl, ele próprio um colecionador, para comprar um anel que ela poderia "usar sempre e sem tirar". Este conceito evoluiu para o estudo de tecidos folclóricos, um corpo cheio de tatuagens e uma coleção de jóias e tecidos de todo o mundo.

A descoberta de dança do ventre, levou à criação do seu próprio estilo de dança, American Tribal Style® (ATS®). O grupo FatChanceBellyDance® foi fundado por Carolena Nericcio-Bohlman em 1987 e imediatamente conquistou a atenção do público em todo o mundo, com performances impressionantes de dança, que trazem majestosos figurinos e muitas camadas de jóias tribal. A música, uma coleção cuidadosamente escolhida de ambos os sons tradicionais e fusão moderna, contribui para o efeito. 


American Tribal Style® parece antigo, mas é realmente novo.



Carolena compilou uma montagem de elementos diferentes estilos "tribais", para o que chamou American Tribal Style



No ATS®, os movimentos são inspirados por danças folclóricas do Oriente Médio e da Índia. Esteticamente, o ATS® é baseado na riqueza dos tecidos e jóias do Norte de África e na Índia. 

O ATS® é um método de coreografia improvisada, usando um vocabulário de movimentos naturais e senhas, que permitem os dançarinos se comunicarem através do gestos e contato visual, quando dançam juntos. O efeito, é uma linha vibrante desenhada ao público, como numa tapeçaria.

Atualmente Carolena dirige FatChanceBellyDance® em seu estúdio e Centro de Recursos em San Francisco, CA. Ela comanda o lado comercial da Nakarali Jewelry Company, onde é co-proprietária junto com Colleena Shakti

Os estudantes encontram aulas em San Francisco, via Skype, e aulas on-line. 

Quando não está viajando pelo mundo ou trabalhando em seu estúdio, Carolena gosta de passar tempo com sua companheira Loretta Nericcio-Bohlman, se exercitando, costurando, fazendo tricô e lendo.
 

27 de março de 2015

18 - O QUE É ATS? Vídeo em inglês

18 por Carine Würch - SEMANA 42

Carolena fala do início da sua formação de dança com Masha, a criação do ATS e muito mais.

26 de março de 2015

19 - UMA MATÉRIA INDISPENSÁVEL PARA O ESTUDO parte 2

19 por Maria Badulaques - SEMANA 42

"ATS Old School, ATS New Style" by Carolena Nericcio Bohlman
As coisas estão bem agora. Há ainda uma certa confusão sobre o que é ATS e o que é toda a variedade de Tribal, mas isso é OK. 

Temos Sister Studios, professores que aderiram à filosofia da FatChanceBellyDance em suas aulas ATS, 98, no momento que escrevo este artigo (escrito em 2010). Temos Tribalstar Galactica, minha tentativa em obter todas as "tribos" em um só lugar, não importa o gênero, 247 no momento da presente carta.

É finalmente chegado o tempo para dar o presente que tinha a intenção, durante as filmagens do Fundamentos da Dança - ser criativo e se diverta.

Há tantos passos e conceitos novos que estão sendo apresentados a mim, que sinto a necessidade de ampliar a nossa definição de ATS. Proponho que os passos da Tribal Basics Vol. 1 Fundamentos da Dança e Tribal Basics Vol. 4 Detalhes e Variações sejam considerados ATS Old School, uma vez que são a base do que fazemos. 

Todo o resto, incluindo o nosso Tribal Basics Vol. 7 Passos Criativos e Combinações, devem ser considerados ATS New Style.

Haverá novas medidas adicionadas ao vocabulário ATS, mas não serão obrigatórios. Assim como, você é livre para criar novos passos e variações com seu próprio. Você pode mostrá-las a mim, ou não. Fico sempre feliz em dar uma crítica criativa sobre o que faz um bom passo ATS, mas você não vai ter problemas se for levado a criar algo próprio.

Como um dançarino recentemente trouxe à minha atenção, todos nós temos nossa própria dialética. Pela natureza de qualquer distância, ala FatChance e Devyani, ou simplesmente um grupo de estudantes que dança juntos em uma base regular, desenvolvemos nossos próprios passos e variações criativas (mais sobre como fazer isso no final da presente carta.) A dança é a mesma, mas experimentando e errando, nos levam a criar, e isso é uma coisa boa.

Bom, mas o negócio é o seguinte: se você optar por criar o seu próprio estilo, você não será capaz de fluir com outra dançarina ATS que você nunca dançou antes. O que quero dizer com fluxo? O fluxo é quando ambos os bailarinos têm a mesma memória muscular para os passos, interpretam a música da mesma forma, tem um nível de habilidade e uso semelhantes as formações ATS de dueto, trio e quarteto. Fluxo é dançar no subconsciente divino. Mas se você tem uma versão de um passo e outro dançarino tem uma versão diferente, você vai ter que discutir o assunto antes e você vai ter que pensar, ou ficar no consciente quando você dançar. Esta não é uma coisa ruim, mas apenas precisamos estar ciente disso.
Então é isso.

Eu ainda estou em cena. Ainda estarei ensinando ATS em todo o mundo. Vamos continuar a produzir DVDs de instrução. Não vou a lugar nenhum. Na verdade só estou aqui sentada na varanda, convidando minha família dança para vir e dançar aqui no no jardim. Mostre-me o que você está fazendo, me diga como isto mudou sua vida, compartilhe uma nova música comigo. Basta chegar, e deixe-me aproveitar a sua felicidade. Então você pode correr para a casa ao lado e criar mais uma vez.

Anatomia de um PassoEm junho de 2011, vamos filmar o próximo DVD, a ser lançado no Outono. Ele será chamado de Anatomia de um Passo. Vamos apresentá-lo ao novo trabalho que estamos fazendo, assim como a de artistas convidados. O tema deste DVD será o de apresentar-lhe o processo de criação de etapas e variações. Mas, por enquanto, use esta fórmula: a postura não muda. Os passos ATS Old School permanecem no núcleo. O resultado de um novo passo reforça a estética dos braços erguidos e exibição alegre do corpo. O passo transmite felicidade. Quaisquer sugestões devem ser breves e lógicas, as maior quantidade de "regras" que você tem que adicionar, menos sucesso cada passo terá. Os princípios da comunicação não-verbal rege todas as senhas e formações.

Acho que se você seguir estas sugestões, terá sucesso, e espero encontrar mais profundidade na dança.

Meus amigos, apreciem a dança. E telefone para casa de vez em quando.
Muitas felicidades,
Carolena

** Tradução livre Carine Würch **

Texto escrito em setembro de 2010
"ATS Old School, ATS New Style" by Carolena Nericcio Bohlman

25 de março de 2015

20 - UMA MATÉRIA INDISPENSÁVEL PARA O ESTUDO parte 1

20 por Maria Badulaques - SEMANA 42

"ATS Old School, ATS New Style" by Carolena Nericcio Bohlman


"Obrigado por se juntar a mim, há algo que quero compartilhar com você. 


Quando lancei Tribal Basics Vol.1- Fundamentos da Dança, encorajei o espectador a "usar essas idéias em sua versão do American Tribal Style". Naquele momento, não tinha idéia de que ATS se tornaria um fenômeno mundial. Não tinha a idéia de controlá-lo, só queria espalhá-lo, para que as pessoas pudessem desfrutar. Presumi que você iria assisti-lo, se inspirar, e criar uma dança que se seguisse, o que era para mim, as óbvias linhas estéticas e de beleza feminina clássico. 

Imagine minha surpresa quando meu pequeno ATS se transformou em tantas interpretações de "Tribal". 

No começo estava encantada, com tantas pessoas embarcando a bordo. Enfrentei uma série de críticas dos tradicionalistas, que temiam que o público consideraria Tribal como mais autêntico do que Estilo Oriental. Mantive minha posição em que não estava tentando roubar o pedaço de mercado de ninguém, só tinha uma idéia nova, que sabia que iria somar a crescente população de estudantes interessados em dança do ventre. Pessoas como eu, que amava a música e cultura, mas sentiam uma ressonância à ideia romântica de uma dança  com um figurino mais folclórico. A música que escolhemos foi mais do campo do que da cidade, e também experimentamos sons de outras culturas, bem como fusões modernas que foram surgindo em San Francisco e outras cidades progressistas. O traje era rico e pesado: saias, pantalonas, uma versão do choli indiano, sutiãs míticos de moedas e cintos de borla, e, claro, um turbante de pano e muitas jóias. 

Como as coisas evoluíram em nossas aulas de San Francisco, desenvolvi o conceito principal do ATS: improvisação em grupo. Usamos padrões de passos de dança do ventre, e montamos alguns dos nossos próprios com base nesses padrões, mas o que era novo era a maneira que usamos, em formações definidas. Decidimos por duetos, trios e quartetos, com solos ocasionais, a serem realizados no contexto de um coro de dançarinos da trupe. A postura e passos permaneceria, um núcleo imutável sólido, mas a forma como os dançarinos usariam era a parte de improviso - a líder faria senhas aos seguidores quanto ao seu próximo passo e toda a formação poderia mudar em uníssono.

Isso ainda é um mistério para o público, todo o grupo flui de maneira tão perfeita que muitas vezes é impossível dizer que é improvisação. Talvez seja esse um percalço no ATS, a parte mais surpreendente é escondido dos espectadores. 

Avante com o motivo da conversa de hoje à noite. 

Nunca tive a intenção de ter que policiar a dança. Eu esperava que todos pudessem dançar e respeitar uns aos outros, e a mim. Mas algo aconteceu em meados dos anos noventa. O desejo pela dança começou a se espalhar e mais e mais pessoas queriam aprender. Fui convidada a viajar, mas não tinha interesse nele no momento. Se eu deixasse San Francisco, a empresa iria ficar para trás. Além disso, não sabia conscientemente naquele momento, mas não tinha terminado de criar a dança. Sinceramente me senti, e ainda sinto, como se eu fosse apenas uma ferramenta da deusa da dança. Não quero soar clichê, mas eu não tinha um plano pessoal, além de dançar por alguns anos. Parece que algo maior do que eu apenas me arrancou das massas e disse: "Vá fazer isso." E, eu fiz. 

Mas a bolha estourou, quando os alunos começaram a se espalhar e começaram a dar aulas, virando a esquina. Isso foi errado. Nunca teria aberto um negócio se o minha professora ainda desse aulas. Decidi não tomar uma atitude, não querendo parecer mesquinha e, mais importante, não querendo pôr um amortecedor sobre o andamento da dança. Mas esta é a questão, era como se eu estivesse me preparando para dar um presente... e ele é arrancado das minhas mãos. Eu estava tentando ser humilde, não sentindo a necessidade de apropriação, presumi que seria naturalmente atribuída a mim, por cortesia. Mas não era para ser. Eu estava atordoada e magoada, com raiva e orgulhosa demais para dizer isso. Eu recuei. 

Eu esperei e assisti, para ver o que iria acontecer. Foi bem difícil por um tempo. Todos os tipos de danças foram sendo criados e chamado de "Tribal", alguns até mesmo "ATS", o que não fazia sentido para mim, pois não havia nada de ATS sobre eles em tudo. 
Eu percebi que as pessoas que não tinham experiência com ATS foram entrando na onda. Fazia sentido permanecer no jogo e incentivar as pessoas a chamar esses novos estilos simplesmente Tribal. A maioria das pessoas ia acrescentado um prefixo ou sufixo, como Fusion, gótico, East Coast, etc. Na tentativa, acredito, de ficar sob o guarda-chuva da popularidade do Tribal, enquanto distinguindo-se como o original, ao mesmo tempo. Não faz nenhum sentido para mim, mas OK. 

Eventualmente, as mesmas pessoas que se afastaram de mim, ou talvez eu devesse dizer a próxima geração de estudantes da diáspora original, passou a reconhecer o verdadeiro ATS, e a mim. Eu senti que valeu a pena esperar. Estou feliz por não falar contra aqueles que haviam rompido. E eu estou feliz que estamos no caminho certo novamente.


Uma divagação sobre uma aula de história underground do ATS, finalmente aqui está a razão para a palestra de hoje à noite. 



As coisas estão bem agora. Há ainda uma certa confusão sobre o que é ATS e o que é toda a variedade de Tribal, mas isso é OK. 

** Tradução livre Carine Würch **

Texto escrito em setembro de 2010
"ATS Old School, ATS New Style" by Carolena Nericcio Bohlman