4 de abril de 2015

PILARES ENTREVISTA - SISTER STUDIO - PARTE IV

10 por Maria Badulaques - Semana 44

Já falamos sobre estudos, dress code, técnica-essência, vamos comentar sobre os homens no ATS e a necessidade de dar continuidade nos estudos?! 

Escutei de Kristine Adams no work que fiz  em 2014, que sempre aprendemos com o General Skills, logo podemos depreender que ser uma professora certificada não é o fim, e sim o começo de um longo processo de estudo (dura pra sempre).

Então, observe bem o que dizem as Sisters, enquanto devora os ovinhos de Páscoa.

Pilares -  O que você pensa de homens dançando no ATS e que postura de agrada, neste caso? Uma postura eminentemente masculina dentro dos passos? Igualdade de formação junto aos demais integrantes?
"Gosto e acho que não deve ter distinção entre os integrantes. Na roda somos todos iguais." (Aline)

"O ATS é aberto para todos, só acho legal manter uma energia masculina mesmo nos passos." (Lilian)

"Homens podem ser excelentes dançarinos de ATS. Existe alguma coisa na configuração dos movimentos, especialmente nos rápidos, que combina muito com a energia que eles trazem. A postura é a técnica, essa independe do gênero, é igual para todos. Com certeza, igualdade de formação, não vejo sentido em mudar." (Mariana)

"Eu adoro homens dançando ATS. Acho que é uma dança para todos. Eu particularmente gosto de ver os homens explorando uma postura masculina, fazendo algo diferenciado. O corpo masculino e o corpo feminino se movimentam de forma diferente. Quando há enfoque na movimentação do corpo masculino, na minha opinião, é mais bonito que quando um homem tenta reproduzir a estética da movimentação feminina. Também não acho bonito homem dançando de saia e choli. Acho que fica caricato Mas essa é só minha opinião, não acho errado nem nada, não é regra nenhuma." (Natália)

Pilares -  Não há nada sacramentado quanto aos homens, como vc orientaria um homem qto ao Dress Code?
“O que fica melhor para o grupo?” É  a mesma orientação que dou para as minha alunas mulheres. Se a performance será em estilo mais simples, figurino de acordo com a proposta; se mais opulenta, idem pro figurino. Usar ou não o choli ou substituir por um colete, ou não usar saia ou só calças fica de acordo com a natureza da performance e o gosto da pessoa." (Aline)

"Eu acho muito legal usar a calça gênio e na parte superior um bodychain ou um colete, gosto bastante de turbante também." (Lilian)

"Manter o dress code, inclusive para que fique homogêneo com o grupo. A única modificação que acredito se fazer necessária é o sutiã com choli. Vejo muitos homens usando colete no lugar do sutiã e choli, eu particularmente gosto bastante!" (Mariana)

"Eu concordo com o que a Carolena disse no TT2 - Business of ATS que fiz. Prefiro que o homem não use a saia, e que use algo diferente de um choli na parte de cima do corpo. Talvez um colete. Algo que valorize a anatomia masculina. Mas eu orientaria a pessoa a se vestir como se sentisse melhor." (Natália)

Pilares - Após o sister, você continuou seus estudos? Como? Com quem?
"Com certeza! Estudei com a Kristine Adams presencialmente o máximo possível nesses dois últimos anos, continuo estudando os DVDs e vídeos, frequento os fóruns de discussão e comunidades de ATS do facebook (isso também é estudar)  e agora vou repetir o Teacher Training com a Carolena e a Megha." (Aline)

"Com certeza e vou continuar para sempre, principalmente porque sou professora. Kristine Adams em SP e Kae Montgomery na Argentina, e logo pretendo voltar ao Studio FCBD para uma reciclagem." (Lilian)

"Acho que depois do Sister eu comecei meus estudos! Era muito material para ser assimilado, para pôr em prática. A primeira coisa que fiz ao voltar, bem antes de começar a dar aulas de ATS, foi montar um grupo para aplicar o que aprendi. Só depois dessa experiência me senti segura para começar a dar aulas. Depois, além de continuar até hoje os estudos com DVDs, estudei com a Kristine Adams aqui no Brasil, tanto particular quanto em grupo." (Mariana)

"Claro. Fiz ainda algumas poucas aulas e workshops com Rebeca Piñeiro que havia sido minha professora de ITS e ATS antes de minha certificação, continuei tendo aulas com minha professora de ATS e fusion Gabriela Miranda (e até hoje ainda procuro fazer aulas com ela e busco suas orientações). Fiz alguns poucos workshops com a Mariana Quadros antes de seu hiato (menos do que gostaria...) e também com a Aline Muhana, profissional que admiro muito. Ia começar a estudar com a Lílian Kawatoko, mas por motivos logísticos não deu ainda. Não desisti, no entanto. Fiz todos os workshops oferecidos pela Kristine Adams em São Paulo e Rio de Janeiro, e fui ao ATS Homecoming. Continuo estudando. Me preocupo mais com estudar que com montar turmas minhas... eu sou muito nerd." (Natália)

Pilares - Estuda outras modalidades de dança? Quais? "Dança do ventre." (Aline)

"Sim, atualmente voltei ao ballet clássico e também estudo Kung Fu." (Lilian)

"Atualmente continuo o Tribal Fusion e ocasionalmente faço workshops/aulas de contemporâneo e dança do ventre. Pretendo ainda estudar muito mais, ballet clássico, contemporâneo e break dance." (Mariana)

"Sim. Estudo tribal fusion, Odissi eventualmente e balé clássico." (Natália)






Ou seja, vamos enfatizar...o estudo de todas Sisters é um processo continuado de aprimoramento. Capisce? Só o começo...

Feliz Sábado de Páscoa!!!

Domingo última parte dessa série de entrevistas que certamente deixará saudade.
Comendo chocolates e estudando
                                            Xeros no pulsante.

3 de abril de 2015

PILARES ENTREVISTA - SISTERS STUDIO - PARTE III

11 por Maria Badulaques -  SEMANA 44

Para quem está nos acompanhando e vai fazer o Sister Studio nosso super mega BOA SORTE, opa sorte? 

Isso não tem nada de nada de SORTE, então reformulando nosso super mega BOM ESTUDO. Se você está estudando, esteve dedicada ao ATS tudo vai dar certo, depois nos conte essa experiência. 

Continue acompanhando esse papo especial que muito irá ajudar em seu processo de amadurecimento, sendo ou não aspirante a Sister Studio.

Quem leu a entrevista Parte II deve ter visto o lance da essência, fico muito encanada com isso. Acredito que a dança deve ser um canal de expressão, afinal é arte em movimento, mas será que por isso devemos fazer de qualquer forma e nos esconder atrás da essência ou devemos ter respeito ao legado que representamos e nos esforçar para sermos merecedoras de fazer parte desta história? No meu ponto de vista tá muito claro, tu quer ser dançarina ou alquimista?! 

Seguindooo, hoje falaremos sobre dialetos, músicas nativas, dress code, o que essas profissionais incríveis falam para seus alunos no primeiríssimo contato com o ATS, os fundamentos essenciais para sua formação,... puxa vida está puro deleite, vamos lá.


Pilares -  O uso de músicas nativas no ATS é algo que lhe interessa? Ritmos diferentes.
"Acho interessante e às vezes uso, mas prefiro o repertório tradicional do ATS." (Aline)

"Sim, aliás acho que todos nós ficamos “caçando” mais músicas diferentes e étnicas legais para dançar e dar aulas, o tempo todo rsrs. Tudo nelas é interessante o andamento, os instrumentos..." (Lilian)

"Acho bacana, mas ainda não fui atrás o suficiente para achar alguma coisa que se encaixe perfeitamente com o ATS sem descaracterizá-lo. Acho importante o uso das músicas já consagradas no ATS, precisa disso para continuar sendo um formato. Mas variar às vezes pode trazer resultados bem interessantes!" (Mariana)

"Nativas, você diz do Brasil? Me interessa muito explorar as possibilidades musicais no ATS. Gosto de fazer isso, na verdade eu sempre faço. Acho chato quando os grupos dançam sempre as mesmas músicas. Mas tento tomar cuidado para não escolher uma música que não tenha nenhuma relação com a estética do ATS, tipo alguma coisa do Reginaldo Rossi ou do Racionais MCs. :p " (Natália)

Comentário: Cooooomo assim, Reiiiiiii-ginaldo era o rei, Natáliiiiiia! kkkk

Pilares -  Incrementar o Dress Code com artesanato local ou seguir o padrão americano, o que você diria sobre isso?
"Pode sim, aliás, acho que fica ainda mais lindo quando colocamos algum acessório tradicional brasileiro no meio dos kuchis, assuits e tecidos indianos. Mas gosto de meio a meio, não tão lá nem tão cá." (Aline)

"O próprio dress code do ATS vem de várias inspirações e lugares diferentes, então eu acho super válido incrementar, modificar uma coisinha ou outra desde que a proposta da Masha Archer não seja perdida, pois quando ela começou a montar o dress code do ATS, uma das funções era mostrar a arte e não somente o corpo, por isso da calça, do turbante bem presente no início, do choli embaixo do top. Sei que nosso EU interior adora se montar e se sentir bela e não vejo problema nenhum nisso, desde que não seja a mensagem principal." (Lilian)

"Incrementar acho válido! Não saindo do dress code, é uma questão de gosto mesmo, do estilo de cada trupe. E também temos o problema do acesso à joalharia tribal tradicional aqui no Brasil. Muitas vezes somos "obrigadas" a incrementar com outras coisas porque é muito difícil para nós colocarmos as mãos nos acessórios tradicionalmente usados."  (Mariana

"O Dress Code é calça pantalona (gênio), saia, choli, cabeça enfeitada e jóias. Não vejo nenhum problema em incrementar o Dress Code com adornos tipicamente brasileiros, na verdade eu adoro a ideia. Me lembro de ter perguntado sobre isso para a Carolena e ela disse que já havia sido perguntado em um curso anterior, e ela havia respondido que não há problema." (Natália)

Comentário: Opa, alguém falou em Badulaques, aí? A primeira vez que vi uma tribalista entrei em surtooo, porque era exatamente a figura poderosa e empiriquitada (quem mora no nordeste ou já foi lá vai entender o significado kkk) que me habitava em silêncio (nem tão silente). Daí, estudando, observando...me deparo com quem? Masha, a rainda dos badulaques...e tudo fez muiiito sentido. Senti: tou em casa, mas e arrumar esses badulaques, vixiiii!!! Então sem mexer na estrutura, afinal de contas temos que ter respeito pelo conceito criado e pensado, sempre tive como ideal agregar nosso artesanato, crochê, madeira, búzios a essa riqueza de visual e muiiita chiiiita. Já pensou?! Eu já....já fiz isso e amei o resultado.

Pilares - Há dialetos sendo criados em seu grupo? Fale um pouco sobre isso.
"Gostamos de criar nossos combos e sequências, mas não criamos ainda nenhum movimento específico. É  interessante essa possibilidade de contribuir com o estilo, mas não me sinto inspirada  a tentar adicionar algo ainda." (Aline)

"O Nomadic Tribal mantém um ATS bem tradicional, no começo gostávamos muito de criar, inventar possibilidades, variações de passos e tudo, mas depois do curso chegamos a conclusão de que o argumento da Carolena faz bastante sentido. Quando você desperdiça sua energia criando um monte de coisas novas você não aprimora o que já existe e consequentemente não se diverte tanto dançando. Temos 2 combos com toque de snujs diferenciados que usamos apenas no Nomadic e sabemos o toque tradicional , dessa forma dançamos normalmente com outras pessoas de qualquer lugar." (Lilian)

"Movimentações específicas, sinais? Se for isso, ainda não exploramos todos os passos já existentes o suficiente, não sinto essa necessidade de inovar em termos de movimento no ATS. Alimento meus desejos de criação no Tribal Fusion." (Mariana)

"Não tenho mais grupo, mas acredito que para criar passos é preciso conhecer muito bem o básico. Na minha opinião isso é algo que acontece naturalmente. Eu não teria isso como objetivo caso fosse diretora de um grupo." (Natália)

Pilares  - Quando alguém lhe acessa para estudo do ATS qual a primeira informação que vc planta na cabeça do iniciante?
"Esse é um formato de dança que vai te ensinar muito sobre você.” (Aline)

"O ATS é um estudo lento, cheio de detalhes, não se sai da primeira aula tocando snuj, tem que ter perseverança. Eu sempre procuro explicar os benefícios que ele proporciona na vida e na nossa rede social além do prazer em dançar." (Lilian)

"Que não é fácil, que é desafiador pra caramba, mas igualmente divertido e vale muito a pena!" (Mariana)

"Que bonitinho! Informação que você "planta"! :)  Bem, a primeira coisa que eu gosto de conversar com o iniciante é sobre os conceitos do ATS e o respeito. Para mim, mais importante do que a técnica perfeita é a compreensão dos conceitos do ATS. Sobre dançar em tribo, sobre respeitar quem dança com você, sobre respeitar a si mesmo, sobre saber liderar e saber seguir. Sobre a beleza e o prazer de dançar em grupo. Isso é o mais importante; compreendendo isso, com perseverança e muito treino a técnica vem." (Natália)
                              
Pilares - Para quem estuda ATS, o que você julga ser fundamental na formação?
"Comprometimento. Sem ele é como entrar na chuva e não querer se molhar. Se você está dançando ou estudando só “quando dá” e quer ser levado a sério, acho bom rever suas prioridades." (Aline)

"Estudo, humildade e disciplina, além de entender bem a proposta do estilo." (Lilian)

"Estudar muito, o máximo possível, e continuar estudando depois da formação. O estudo não termina com o certificado. E com estudo me refiro tanto a estudo teórico, de história, quanto ao treino, desenvolver a memória muscular necessária, dominar a dinâmica da improvisação, dos snujs, de tudo!" (Mariana)

"Humildade e estudo. Humildade pra saber que você precisa estudar sempre, que você nunca está totalmente pronto. Estudo porque você precisa conhecer bem o que está ensinando." (Natália)

Pilares -  O que você pensa que mudará em nosso cenário após a vinda de Carolena e Megha?
"Espero que isso ajude a colocar nossa comunidade brasileira de ATS no cenário mundial do American Tribal Style e que mais profissionais qualificados e conscientes possam ser formados nessa jornada." (Aline)

"Espero que a nossa arte se propague muito e com consciência!" (Lilian)

"Maior oferta de profissionais, aulas e a formação de mais grupos de ATS." (Mariana)

"Sinceramente, não sei. Eu realmente espero que as pessoas sintam a força desse estilo de dança e se apaixonem por ele. Sem dúvida muitas pessoas no Brasil conhecerão o ATS depois da vinda de Carolena e Megha. Espero de coração que seja algo positivo." (Natália)

Olha, quando convidei essas mulheres incríveis para essa entrevista não imaginei que as respostas me tocariam tanto. Fez sentido pra você também? Então amanhã tem mais.

Super xeros e vamo que vamo!

2 de abril de 2015

PILARES ENTREVISTA - SISTERSTUDIO - PARTE 2

12 por Maria Badulaques - SEMANA 44

Respira fundo, vamos seguir.


Tinha (tenho) muitas perguntas sobre esse processo interminável sobre a dança que vem das profundezas do seu eu, contudo na caminhada algumas convicções vão se estabelecendo. Uma delas é o fato de que dançar é um processo, tal qual o desfolhamento de uma cebola, as camadas vão caindo e algo surge, emerge, brota. Este processo demanda de mecanismos para florescer, chamo de técnica. Não vejo como alguém possa evoluir sem uma boa dose de técnica, é como construir uma casa em terreno instável, a qualquer momento tudo pode cair. Pior que não ter técnica é ter uma técnica equivocada, bem desaprender é ainda mais tormentoso que aprender, por isso tão importante investir em pessoas qualificadas para o ensino. 


Escuto, já vi várias vezes, a venda da aula da essência, aquilo que vem da sua alma...e sempre me questiono, ué e alguém toma banho e sai de casa deixando seus bens personalíssimos na cama? No chuveiro? Essência não é algo que nasce, acorda, dorme e morre conosco?

Com base nesta inquietação seguiremos o papo com as Sisters, vamos lá.

Pilares - Como você fundamenta sua dança: técnica ou essência?

"Os dois. Prezo muito pela acuidade técnica dos passos e sou muito insistente nisso com  as minhas alunas, mas também tento criar um espaço acolhedor e de aceitação do outro em sala de aula e nos ensaios. É necessário aprender a respeitar os limites e possibilidades de cada um dentro de um grupo à cada situação que se apresenta." (Aline)  

"Técnica E essência." (Lilian)

"Na técnica para chegar à essência. A arte não existe sem a técnica. Isso pra mim é balela de quem tem preguiça de estudar e treinar. Tem que ter técnica sim, além de conhecer a história, tem que ter entendimento do todo. Senão não é profissional. Agora dançar pra família, pro cachorro, pode botar todo seu coração pra fora sem um pingo de técnica. Profissional, não." (Mariana)

"Eu fundamento minha dança em respeito, antes de tudo. Estou sempre em busca de aprimorar a técnica. Minha essência é algo que está lá, e vai aparecer em minha dança independente de qualquer coisa." (Natália)

Comentário:  Acredito piamente que a técnica deve estar inserida no útero da sua dança, e isto será um processo longo e as vezes desesperador (... nós e nossas cobranças, autocrítica...), mas há que se perseverar e um dia a coisa se torna orgânica. Esse lance de jogar ao fogo da inquisição a técnica porque se dança com a essência é coisa de perfumista. Isadora Duncan deixou muitos ensinamentos, inovou e mesmo ela não hiatou com a técnica, o que fez foi procurar uma forma de externar sua dança,  e sim, tem técnica!


Pilares  -  Quantos anos (meses, dias...) de estudo você trilhou antes de sua diplomação?
"Não sei dizer ao certo, mas acredito que uns três anos. Desde o momento que senti o peso da responsabilidade sobre o quê  eu estava ensinando e o  tal “chamado de casa”." (Aline)

"Em média eu estudei 2 anos antes de fazer o curso, desses uma boa parte já sabendo que eu iria me formar e como o Nomadic Tribal estava recém formado ensaiávamos e estudávamos juntas também além de aulas, vídeos, debates com as colegas da época de SP. Eu fui bem preparada, mas mesmo assim penei bastante porque era muita informação, ou eu fazia os passos ou sentava e anotava, então precisa se preparar mesmo para encarar o curso." (Lilian)

"No total de dança, 6 anos, e especificamente no ATS cerca de 2 anos." (Mariana)

"Eu comecei a estudar ATS em 2011. Tirei o certificado em 2013. Porém nunca parei de estudar, e até hoje faço aulas de todos os níveis. Acho imprescindível. A certificação, na minha opinião, é só o começo da jornada." (Natália)


Pilares - Há eventos suficientes no Brasil e em São Paulo divulgando o estilo?
"Acho que podem haver mais, mas estamos só começando." (Aline)

"Acredito que sim, mas podemos ter eventos maiores que divulguem de uma forma melhor o estilo e o que ele proporciona para as pessoas." (Lilian)

"Acho que não. O problema dos eventos é que são muito direcionados para quem já dança, ou para o mercado da dança do ventre. Falta ainda, e muito, a divulgação do tribal para o grande público. Falta espetáculos, falta tudo!" (Mariana)

"Na minha opinião, ainda não." (Natália)




Pilares - As trupes se reúnem com frequência para interagir?
"Nacionalmente temos o Campo das Tribos, que promove esse encontro, mas regionalmente não tenho como opinar.  Acho legal poder ter encontros regionais dos grupos, é uma experiência muito enriquecedora para todas as envolvidas." (Aline)

"Em SP não muito entre grupos formados, mas alunos com certeza! Não sei nos outros estados..." (Lilian)

"Muito pouco. Essa reunião acaba só acontecendo mesmo em eventos específicos." (Mariana)

"Não sei. Eu não tenho mais uma trupe. :) Mas se você está perguntando se as diferentes trupes interagem entre si, a resposta é não. Não vejo nem um esforço nesse sentido. Isso é bem diferente do que acontece lá nos EUA, e eu espero que após a vinda da Carolena e da Megha isso mude." (Natália)


Pilares - O ATS é pouco utilizado nas Fusões Tribais, o que pensa sobre isso?
"Mesmo sem saber os praticantes da  fusão tribal se alimentam do ATS o tempo todo. A informação chega um pouco distorcida pelas estilizações, mas chega. O que falta é reconhecer de onde vem o quê." (Aline)

"Na verdade mesmo, eu prefiro fusões mais ricas em outros sentidos, para mim como espectadora, não me agrada ver um ATS em formato de solo ou em formato de coreografia, com o argumento de que precisa ter ATS na fusão. Acho que precisa saber como interpretar isso. De fato, só a atitude, braços e postura do tribal já remetem bastante a sua raiz, usar elementos do ATS fusionados fica muito mais legal, do que usar combos inteiros e fora isso para se fazer uma fusão precisa ter bagagem histórica, pessoal ou cultural além do estudo do ATS, porque se não se fusiona ATS com o quê, não é?" (Lilian)

"Não acho que seja pouco utilizado, acredito apenas que seja usado de forma superficial, sem fundamentos. Toda bailarina de tribal, tendo ou não estudado ATS, já fez uma ondulação de braço em plano alto, e isso é ATS. Só que muitas vezes é feita sem a técnica do ATS. E não estou falando de conhecer a técnica para desconstruí-la, o que considero muito válido. Estou falando de nem se dar ao trabalho de conhecer a técnica original. Na minha opinião, o estilo só tem a perder com isso, e acaba caminhando para a descaracterização." (Mariana)

"Não concordo. Acho que em todo tribal fusion o ATS está lá. As pessoas podem não acrescentar o passo puro, mas a postura, os braços, a atitude está lá. Não existe tribal fusion sem influência do American Tribal Style. Essa coisa de separar o ATS do tribal fusion como coisas totalmente diferentes foi algo inventado e difundido por algumas pessoas só aqui no Brasil." (Natália)


Finalizo essa segunda parte da entrevista com o comentário de Rachel Brice no curso que fiz em 2014, ela dizia... que o ATS era a mãe do Tribal Fusion. Há como negar isso?! O que precisamos realmente é estudar os fundamentos teóricos e prático, informação é tudo!

Xeros no pulsante, amanhã vamos abordar as dicas de estudo para certificação.
Olha aí o sonho de várias dançarinas!!!


1 de abril de 2015

PILARES ENTREVISTA - SISTER STUDIO - PARTE 1

13 por Maria Badulaques - SEMANA 44

Entrevista com as SistersStudio FTBD® - 1ª Parte.

Tela em branco, paro uns minutos, respiro... por onde começar? 

O caminho dessas quatro SistersStudio se comunicam na estrada da DETERMINAÇÃO e voltam a se cruzar na rotatória do amor à dança. 

Durante cinco dias estaremos publicando uma entrevista realizada com as sisters Aline Oliveira(RJ), Lilian Kawatoko(SP), Mariana Quadros(SP) e Natália Espinosa(SP).

Já falei como começou o projeto Pilares do Tribal, e agora que estamos chegando bem próximas à marca do gol, observei que ter as Sisters falando do que tantas anseiam, a certificação, sua trajetória era(é) fundamental.

Vamos juntas nesta viagem.

Em 2004, Mariana foi uma das pioneiras do Estilo Tribal no Brasil, começou a estudar o estilo e percebeu que havia muito a ser explorado, então anos mais tarde, nos idos de 2008 foi ao renomado evento Tribal Fest (Sebastopol-Ca), onde se aprofundou nos conhecimentos e apresentou sua dança àquela plateia seleta. Somente em 2010 veio a certificação!

Entre 2006 e 2009, Lilian morava no Japão, e lá teve o primeiro contato com o Estilo Tribal. A identificação foi imediata, visto que sempre teve uma estética exótica no bellydance. Após este período, retornou ao Brasil, fez parte do 1º grupo de ITS em São Paulo e estudou com Mariana, que na ocasião já era Sister Studio. Em novembro de 2012 tornou-se mais uma Sister em solo nativo.


Aline iniciava seus estudos do bellydance em 2007, o caminho com o Tribal estava traçado e em 2009 começou a ministrar aulas de ATS e Tribal Fusion. É uma das diretoras da Tribo Mozuna, primeiro grupo de ITS. E em dezembro de 2012 juntou-se a Mariana e Lilian no rol de Sisters certificadas.



A Natalia, como suas antecessoras, também veio de um início no bellydance, passou pelo Tribal Fusion e por indicação de sua professora, Paula Sampaio, foi estudar o ATS como forma de entender melhor a estrutura corporal do Estilo Tribal, não deu outra... em 2013 se certificou.





O que podemos e devemos depreender, deste breve relato, da vida dessas quatro mulheres que nos servem como Pilares, é que tudo começa com muito esforço pessoal, uma dose cavalar de dedicação e muito, muiiito estudo. 

Mas sobre o estudo e a preparação, você descobrirá ao longo desses cinco dias de leitura.


Pilares – Como e por qual motivo você se iniciou no ATS?
“Comecei a estudar ATS por necessidade, já fazia aulas de tribal fusion e dança do ventre e estava começando a me apresentar em shows da escola
com uma certa frequência, sempre precisava aprender uma nova coreografia para dançar com as colegas (eu não gostava muito de solar, não me sentia pronta). Foi um processo bem natural, comprei um DVD de ATS, comecei a pesquisar, a ler bastante sobre o assunto e de repente as peças foram encaixando. (Aline)

“Eu conheci um pouco do ATS depois de conhecer o Tribal Fusion da Rachel Brice através de vídeos, na época eu morava no Japão e dançava dança do ventre lá. Não havia nada parecido ainda por lá e achei o estilo encantador, me identifiquei mesmo porque eu sempre achei que minha dança do ventre não se encaixava muito no padrão. Quando voltei ao Brasil procurei professores do estilo em SP, então conheci a Rebeca Piñeiro e o ITS que me deixou mais interessada ainda, procurando saber mais e estudar mais sobre esse estilo tão diferente, estudei então ATS com a Mariana Quadros e aí eu já sabia que queria fazer essa dança para sempre.” (Lilian)

“Comecei no ATS por sentir a necessidade de uma base sólida para o tribal. Conforme me aprofundei no Tribal Fusion, percebi que essa base estava no ATS, e que continuar estudando qualquer outra modalidade não me traria o que eu buscava. Meu primeiro contato direto com o ATS foi num workshop com Carolena Nericcio no Tribal Fest 2008. Me apaixonei pela metodologia dela e pela estrutura tão bem fundamentada e funcional do estilo, e decidi que aquele seria o próximo passo a ser dado na minha jornada.” (Mariana)

“Eu comecei a dançar ATS inicialmente por causa do Tribal Fusion. Eu já havia feito dança do ventre por uns dez anos antes de começar a dançar tribal, e ainda tinha muita dificuldade em entender o trabalho corporal do tribal fusion. A Paula Sampaio, minha primeira professora de Tribal, disse para eu estudar o ATS para melhor entender de que forma os movimentos eram executados no tribal, e ela disse que achava o ATS "minha cara". 

Fui atrás e estudei com professoras em São Paulo; quando a escola Campo das Tribos abriu eu me inscrevi no curso com a Mariana Quadros. Ela estava certa: acabei me apaixonando pelo ATS." (Natália)





Pilares - Como você classificaria o cenário nacional de dança do estilo?

“Nosso cenário passa por um momento de crescimento e expansão de conhecimentos. Várias de nós já começaram a divulgar o ATS fora do circuito Rio-São Paulo e vários núcleos estão surgindo no interior graças à possibilidade dos cursos mensais e do próprio interesse das bailarinas que levam o ATS para as suas cidades. A visibilidade do ATS também cresceu graças a publicações como a revista Shimmie, e a participação dos grupos em eventos de dança do ventre e folclore árabe e em programas de TV. Nosso público aumenta a cada dia e isso é maravilhoso!” (Aline)


“Em crescimento e expansão. E como todo crescimento, nem sempre ordenado.” (Mariana)


“Acho que os brasileiros no geral são muito bons em tudo que se empenham em fazer. Temos muitas pessoas aqui com potencial técnico e também muitas
pessoas buscando entender melhor o ATS além do visual, shows e etc...” (Lilian)


“Não sei se há uma classificação para o cenário, mas vejo que cada vez mais pessoas estão conhecendo o estilo e isso me faz muito feliz. Percebo que existem muitas pessoas interessadas em aprender. Mas ainda há muita confusão e muita informação equivocada sobre o estilo, geralmente vinda de quem não tem muito contato com ele, e considero isso normal porque o ATS está começando a ser conhecido no Brasil só agora mesmo. Espero que com a vinda da Carolena e da Megha essas dúvidas e confusões sejam esclarecidas. ” (Natália)
Pilares - Os encontros que promovemos no Brasil seguem o padrão de conexão difundidos "lá fora"?

“Acredito que sim, dos eventos internacionais que participei o sentimento de reencontro e familiaridade entre as bailarinas (que às vezes nunca se viram pessoalmente, mas tem tanto em comum graças à dança) é o mesmo. Acredito que a comunidade tribal tem essa característica em comum em toda a parte.” (Aline)


“Muitos sim, acho que o que mais me marcou de ter dançado com pessoas que não falavam o mesmo idioma que eu, foi a generosidade, o olhar de cumplicidade, o acolhimento. E acho que a gente pode fazer isso em todos os ambientes, seja em sala de aula, em um parque, ou em um show de gala, depende de nós” (Lilian)


“Acredito que idealizamos muito os eventos que acontecem lá fora. É a mesma coisa. Tomando como exemplo o ATS Homecoming, onde a Masha Archer circulou livremente entre as participantes, talvez aqui ela não ficaria em meio ao público, simplesmente porque nós, brasileiros, sabemos que as chances de estar no mesmo lugar que ela são ínfimas, e isso aumenta muito o assédio. Em relação a grupinhos, tem em todo lugar! E acho que os eventos em geral costumam ter um clima bacana, todo mundo ali por um mesmo propósito, gosto bastante!” (Mariana)



“Não tem como eu dizer isso com precisão, pois não conheço todos os eventos. Mas tendo em vista o que eu vi lá fora e o que eu vejo aqui, em sua maioria, não. Temos alguns eventos de grande porte, e em geral o clima nos eventos de tribal é sempre de muita amizade e alegria, as pessoas ficam felizes quando se reúnem, quando se encontram. Mas acho que ainda falta um bocado para criarmos essa conexão entre os dançarinos de tribal. O que eu sinto em relação ao que eu vi lá fora é que as pessoas deixam o ego um pouco de lado e isso resulta num clima de festa, de igualdade, é a sensação de que o meio da dança é mais horizontal, no sentido de que há um reconhecimento de quem tem uma estrada mais longa na dança sem que isso transforme a cena em uma pirâmide, em "melhores no topo, piores na base". Acho que aqui no Brasil precisamos trabalhar mais para abandonarmos (ou pelo menos suavizarmos) nosso hábito de ranquear tudo.” (Natalia)




Pilares - O que acha do ATS ensinado por pessoas não certificadas, muito embora seja permitido?

“Apoio e acho válido. Eu comecei a dar aulas sem ser certificada. À medida que nos envolvemos com o formato e a comunidade ouvimos ”o chamado de casa”, essa necessidade de estar mais perto e aprender da fonte. Exemplificando pela minha própria experiência posso dizer que sou uma profissional melhor depois da certificação, mas isso não quer dizer que eu não levasse a sério antes.” (Aline)
“Eu Lilian, particularmente não aconselharia, não é porque pode ou não pode, é porque existe uma razão para se fazer o curso de professor do método FCBD, eu não gostaria de ter que repassar todas as matérias com meus alunos depois de fazer o curso porque descobri uma melhor forma de explicar ou de exemplificar, ou notei alguma coisa que não sabia antes. O método do FCBD é perfeito, sua ordem é minuciosamente pensada de forma a ajudar a evolução do aluno, então porque não repassar isso?” (Lilian)


“Acho que uma professora não certificada que estudou tempo suficiente com uma Sister pode ser uma boa professora. E certificado não é sinônimo de qualidade.” (Mariana)

“Eu não conheço o ATS ensinado por todas essas pessoas, porém não acho que pessoas que não têm a certificação são menos capazes de dar uma boa aula, de forma alguma. Acho que o professor tem que, antes de mais nada, estudar muito para dar aula. Independente de ter tido grana pra ir lá se certificar. O que importa é a qualidade da aula.” (Natália)




Pilares - Que sugestão você daria as dançarinas que sonham com a certificação?

“Exerçam a humildade sempre. Não é porque o canudo está na mão e a foto com a Carolena está na parede que se deixa de estudar. Aproveitem todas as oportunidades possíveis de interação com as professoras do FCBD e bailarinas mais experientes que surgirem antes e após os cursos. Esse é um ato de respeito e amor, porque quanto mais você souber, mais poderá compartilhar com suas alunas e com a comunidade na qual você está inserida. Lembre-se que o ATS não é sobre você , é sobre o GRUPO.” (Aline)

“Primeiro, para quem quer dar aulas: Você gosta MUITO de ser professor? Rsrs Sim, porque dançar bem ou adorar dançar não significa gostar de ensinar, e na minha opinião você tem que gostar muito de ensinar, tem que ver seus alunos como filhos. Exagero? Não, você é uma referência para seus alunos, é responsável pelo crescimento deles e evolução.

Se você é um dos nossos, seja muito bem vindo a esse mundo maravilhoso! Se você quer fazer o curso para se aprimorar, parabéns também pelo seu esforço e dedicação, tenho amigas certificadas que decidiram não dar aulas e mesmo assim não pararam de estudar!” (Lilian)




“Estudem muito. Estudem antes, e estudem depois. A certificação é só o começo. O ATS só existe depois que você pratica em um grupo, antes disso não passa de teoria.” (Mariana)







“Estude muito. Faça muitas aulas, se possível com diferentes profissionais. Compre pelo menos uma aula com Carolena ou Megha por Skype e tire dúvidas. Assista os DVDs. Acima de tudo, entenda por que você quer se certificar. Se você quer aprender a dar uma aula no formato FCBD, se quer ajudar a difundir o ATS da forma que é feita no estúdio do FCBD, a certificação certamente vai te servir muito. ” (Natália)




Pilares - Como foi sua preparação para o sister?

“Vi todos os DVDs da coleção do FCBD várias vezes e fiz anotações sobre todas as minhas dúvidas. Debati com as colegas de grupo também e fiz mais anotações. Levei o caderno para o curso e a cada dúvida que surgia e ia sendo sanada fazia um risquinho, ou mais anotações esclarecendo. Fiz aula particular de inglês para afiar a minha conversação e dei aula de ATS em inglês para a minha professora (que era uma das minhas alunas) para praticar o vocabulário. Foi ótimo, ela ganhou aula particular e eu também. Também tive oportunidade de conversar com outras professoras que já eram certificadas e tirar algumas dúvidas, foi bastante esclarecedor.” (Aline)


“Minha preparação para o curso foi a seguinte: “Não estou entendendo nada. Todas as informações que recebo me parecem muito distintas, mas preciso entender melhor essa dança, ela mudou a minha vida, vou fazer o curso”. Rs (Lilian)

“Estudei o máximo que pude pelos DVDS, o máximo de passos que consegui e de dinâmicas. Ainda assim, é muuuuuita coisa para ser absorvida em uma semana, e quanto mais você souber de antemão, mais vai aproveitar o curso." (Mariana)


“Para o General Skills estudei muito, diariamente. Eu estava obcecada de paixão pelo ATS. Estudei os DVDs, fiz todas as aulas que pude. Estudei na época com as professoras, Sister Studios ou não, que estavam a meu alcance: Mariana Quadros, Aline Muhana, Rebeca Piñeiro, Gabriela Miranda. Chegando lá, fazia as aulas e estudava depois. Foi realmente um intensivo. Para o Teacher Training, prestei muita atenção nas instruções de Carolena e Megha, li o material, estudei em casa os movimentos que me foram designados para ensinar.
Mesmo que você pague pelo curso e complete o Teacher Training, o status de Sister Studio, até onde sei, não é garantido. A Carolena avalia se vai conferir o certificado a você. Isso é o que eu lembro. Quando eu fui, eu não sabia se eu ia voltar Sister Studio. Então me esforcei e fiz por onde.” (Natália)


Ficou com gostinho de quero mais?

Tem mais...tamos só no começo! Até amanhã
Super xeros no pulsante.
Mariana Quadros & Carolena Nericcio
Mariana Quadros e a turma certificada com Carolena Nericcio