27 de agosto de 2014

232 - RHEA

232 por Maria Carvalho - SEMANA 13

Rhea - a mãe de Zeus e a Vida que nos ajoelha diante das intempéries, mas não quebra quem somos!

Quando escuto o nome de uma bailarina é natural a curiosidade, afinal do que se trata? Sempre fico muiiito intrigada nos motivos daquela escolha, não tive a oportunidade de confirmar com Rhea (o farei), mas me parece que o nome vem da Deusa Grega, mãe de Zeus, ao menos é a interpretação que se faz prima facie (hoje tou gastando meu latim).

Breve conhecimento de mitologia:  deusa de origem pré-helênica, associada à cultura cretense. Filha de Urano (céu) e Gaia, o casal primordial, sendo por isso uma das Titãs, mãe de todos os deuses de primeira grandeza, entre eles Hades, Hera, Posseidon e Zeus. Era chamada de Mãe dos Deuses, relacionada com a fertilidade e nas cerimônias dos cultos e crenças religiosas.

Lendo, pesquisando e descobrindo sobre Rhea, me deparo com uma entrevista na qual ela fala de sua ida pra Grécia e patati-patata, ela menciona que é uma "daquelas pessoas engraçadas que preferem morrer de pé que viver de joelhos, e eu não poderia viver sabendo que eu realmente queria fazer algo e que eu estava com medo de fazê-lo. Melhor fazê-lo e morrer que querer e definhar."

Fiquei fritando os miolos com essa frase e a cena do jornalista assassinado pelo Estado Islâmico, pronto viajei o que que uma coisa tem com outra? Bem, as vezes de joelhos estamos numa dignidade e demonstração de coragem que nenhuma postura ereta pode superar, foi o que me passou James Foley, momentos antes de sua morte... precisava fazer essa referência e nos deixar meditando, afinal o objetivo é pensar.... pensa, pensamento!

Observo em todas pessoas que se destacam entre seus pares um composto que se repete, a necessidade de superação. Parece uma constante, um incomodo, uma pedrinha na sapatilha que nunca se move, então é natural estar sempre buscando, buscando... buscando. Cada um lutando por aquilo que muito deseja, ou ao menos que pensa desejar, e quando acontece de conseguir ou comemora ou elege outra meta e segue na busca do inalcançável. Bem, Barbara Grant, uma das alunas de Rhea e onde pude ler a mencionada entrevista confidenciava suas impressões sobre a dança e sobre a professora, sobre o povo grego e suas paixões e eis que novamente um comentário me fez parar. Dizia ela que estava muito intimidada em dançar para os gregos, mas observou que eles não eram suscetíveis a criticar a técnica, a luz brilhava em outra direção, rumo a paixão e o coração. Contudo, Rhea lecionava enfatizando postura, atitude e formação de linhas corporais. Já penso que conseguir a harmonia entre as dois, técnica e paixão, é nosso maior desafio!!!

O aprendizado que levo nas leituras de hoje e os acontecimentos do nosso dia-a-dia é que Jamila, Mish Mish, Rhea... e tantos outros de quem ainda falaremos são pessoas incomodadas com a mesmice, o comum, o mediano. Alguns pagam com a vida, em pé ou ajoelhado...a caminhada é fo-di-da para todos nós, mas como se encara o seu algoz(um sádico fundamentalista ou uma bailarina de nariz torcido pro seu trabalho) é a brutal diferença que nos distingue. 

Vamo que vamo...xeros!
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