Mostrando postagens com marcador Marcelo Justino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Marcelo Justino. Mostrar todas as postagens

28 de maio de 2015

HISTÓRIAS DE MARIA - Brasileiras Dançando no HomeComing 2016


 Homecoming 2016 e uma Dupla Brasileira de ATS!!!

by Maria Badulaques

Ontem recebi uma notícia maravilhosa, o vídeo de inscrição que Natalia Espinosa e eu enviamos para dançar durante o ATS Homecoming foi aprovado por Carolena e Terri, portanto estaremos representando o Brasil.

Respira, respira, respira....faltou ar e oxigenação no cérebro!!!

Sou nordestina, como muito de vocês sabem, música nacional, chita...tudo isso é minha praia e quando conversamos (eu e Nati) sobre o que levar, lançamos a possibilidade de fazermos algo com chita e música nativa, parece que era um sonho das duas, então zaz....vamos lá.

Minha saia de chita foi parar nas mãos de Carolena, então terei que fazer outra, especialmente para o Homecoming :) - dançar em um evento destes, com o Gonzagão ao pé do ouvido será uma provação, segura emoção!!! Reverenciando minhas origens e as da Nati, ambas com fortes referências no nordeste!

ESTOU TRANSBORDANDO FELICIDADE!!!
Estar no evento já é uma benção, DANÇAR entre as Tamarind, Wildcard Bellydance, FCBD...percebem? Sem divisões do que é Gala, Mostra....pq na verdade é tudo ATS e assim sendo tudo junto e misturado, AÍ SIIIIIIIIIIM!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Agora é pegar firme na técnica, preparar algo muito especial e honrar a presença brasileira na terra de BIG C. 
Agredecer, eis o verbo da vez!
A DEUS pelo ar que me invade os pulmões!!!
A minha parceira Natalia - por acreditar no potencial da dupla, tou ferrada vai ser muito ensaioa agora e jujubaaaaaaaa (piada interna).
A minha parceira Carine - que levaremos na mala nessa jornada.
A minha família amada - marido, mãe e filhos que são o Pilar da minha existência.
A minha trupe Gira Ballo - Sandra, Wendy, Virginia e Heli, família por escolha do coração!!!!
A TODOS MEUS AMIGOS QUERIDOS QUE ESTARÃO TORCENDO E ACOMPANHANDO ESSA JORNADA, com destaque especial para o Marcelo Justino, que abriu um mundo cheio de possibilidades quando caí de cabeça numa aula de Tribal Brasil.

É MUITA ALEGRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIA!!!!!
Xeros e vamo que vamo.

*Errata: seremos em 3 brasileiras no evento, eu, Nati e Imaculada Parreira.

11 de maio de 2015

PILARES ENTREVISTA - Marcelo Justino - A postura masculina no ATS

Os homens no ATS, entrevista com Marcelo Justino. 
Por Maria Badulaques

Inegavelmente, eles ocupam todos os espaços e o que fazem é sempre nababesco!

Pilares - Depois de 20 anos de dança e tanta bagagem o que lhe atraiu no ATS? O que mais me atraiu no ATS foi a beleza dos movimentos, essa fusão de estilos, que me abriu a mente para muitas possibilidades de criação de movimentos fusionados.

Pilares - O ATS foi feito pensando no corpo feminino, como você observa esses movimentos se estruturando no seu corpo? Não consigo sentir  diferença na execução dos movimentos num corpo masculino, mas pra mim, a minha  maior dificuldade é executar os movimentos onde os quadris são soltos e relaxados, como a estrutura da pelve masculina é diferente  e não temos o dito "quadril" e nem cintura tão acentuada, executar esses movimentos é um pouco mais difícil.

Pilares - Como descreveria o seu ATS? Eu ainda estou em aprendizagem, ainda estudando e com muita coisa para aprender. Diferente do que muitos dizem, que dançar ATS é fácil, pra mim não acontece do mesmo jeito. São muitos detalhes, muitos movimentos, muitas nuances que fazem desse estilo algo tão singular e belo.

Pilares - O ATS é uma dança coletiva, você é um bailarino eminentemente solista como observa esse lado coletivo da dança? Apesar de ser solista, dou aula há muitos anos, ou seja, sempre tive que montar coreografia para grupo, e raramente para solista. Sempre preguei para os alunos a relação de grupo, o perceber e enxergar os parceiros de dança, o respeito em grupo e a união em cena, então viver isso com o ATS não me causou estranhamento, só tive que pôr em prática aquilo que sempre preguei para meus alunos.

Pilares - Pensa em ser brother studioNão penso em ser brother studio, quero sim ainda estudar bastante e continuar mantendo minhas aulas regulares. Se algum dia vir a ser "brother" será apenas por consequência dos estudos, mas hoje não é algo que eu almeje.

Pilares - Você já fez curso com Carolena, que passo lhe chamou mais atenção? Eu fiz um work com a Carolena em Buenos Aires e na época o passo que mais me encantou foi o Medusa. Tem uma base de estrutura indiana que eu gosto muito.

Pilares -  O Dress Code masculino está em aberto, como pensa estruturar o seu? 
Pensar o figurino masculino para o ATS foi e ainda continua sendo uma dificuldade. Como não se tem  muito em que inspirar, a dificuldade  para isso é grande. Impreterivelmente usarei  calça, não consigo me imaginar usando saias e  manterei o xale de quadril. A maior dúvida é se mantem o tronco nú ou se cubro com uma bata ou colete. Como gosto muito do artesanato brasileiro, quero que meus figurinos sempre sejam estruturados com os acessórios com base na minha cultura. Mas para minha primeira apresentação em publico estarei com o torso coberto com um colete.

Pilares -  Para você o ATS é a base do tribal fusion? Depois que conheci o ATS, tenho plena certeza que ele é a base do tribal fusion. Pra mim tudo se originou com ele.

Pilares -  Após todas experiências novas, percebe modificações em sua dança? Eu percebo diferença no meu estilo tribal fusion. O ATS me ajudou a trabalhar melhor minhas fusões e com minha postura em palco na execução dos movimentos.

Pilares - Quais os pilares do seu ATS? Eu tenho apenas um pilar para o meu ATS, ESTUDARRRRR  e muito. Quanto mais aprendo, mais vejo que tenho muito mais a descobrir.


Comentários do Pilares: Fez sentido pra você? O olhar de Marcelo para o ATS e o Tribal Fusion casam com minha forma de analisar a dançar, essa conclusão então, frisando os estudos é algo a ser moldurado... afinal se um dançarino com mais de 20 anos de experiência, entende que a base de sua dança é o estudo... bem, precisa dizer mais nada. Parfait!!! 
{Maria Badulaques}

Super xeros e vamo que vamo.

27 de abril de 2015

HISTÓRIAS DE MARIA - Sarau Dançando com as Deusas II

Ando muito reflexiva sobre o real papel da DANÇA em nossas vidas! 

Entretenimento, arte ou cura?

Pois bem, com essa interrogação em mente, sigamos... Acredito que a dança é entretenimento quando nos propomos a realiza-la enquanto outros comem, conversam e ocasionalmente nos observam curiosos sobre aquela peixeira na cabeça e o shimmie "nos quartos" (quadril).

Gira Ballo e Bete, a anfitriã
Penso que se transforma em arte quando técnica e expressividade, emoção e domínio corporal começam a encontrar o equilíbrio e tudo, tudo mesmo se torna algo homogêneo, você já não consegue distinguir os anos de treino, da emoção que pula do pulsante. 

E cura quando a emoção nos toma de assalto, levantamos da cama deprimidos, ansiosos, macambuzios e pensamos hoje tenho aula e lá é o melhor remédio para qualquer indisposição, crise existencial ou melancolia.


Bete, iniciando os trabalhos.
Minha amiga, Bete Medeiros, do Espaço de Danças Bete Medeiros, organiza já há 2 anos um lindo Sarau cujo tema são as DEUSAS. 

Há sempre uma breve leitura sobre a deusa que cada dançarina escolheu, ou se sentiu escolhida, o que não deixa de ser um momento poético e assim se seguem danças, sorrisos, emoção e a cada deusa em cena ouvimos: Diiiiiva, lindaaaaaaaaaaaaa. 

É Bete, nos brindando com sua emoção! Cara, fodástico!!!! Este é o papel de CURA da dança.

Daí, vemos o quanto as pessoas estão leves, felizes... por como diz R. Carlos "curtir aquele momento lindooooo"...isso são as pessoas aprendendo a fazer ARTE. Pausa, lanche canjica mexida pelo marido da Bete, conversa, sorriso, troca de roupa, isso é ENTRETENIMENTO... e logo mais uma leva de danças se seguem... Deuses presentes, todos convidados a um grande GALA!

Marcelo com Hórus
Este ano o Sarau de Bete contou com a presença do dançarino, renomado nacionalmente, Marcelo Justino... incorporando Hórus, um DEUS em meio a tantas DEUSAS, e o que impressiona tanto quanto a dança de Marcelo é sua humildade. Ali, tudo junto e misturado, isso chamo de SOBERBO.

Você lerá toda resenha sobre o evento no blog da Aerith Tribal Fusion, com foto e referências a todas DEUSAS representadas... (seção Resenhando São Paulo com Maria Badulaques).  Fica ligadooo!!!

O objetivo do Pilares é divulgar eventos, independente do tamanho, onde as pessoas são tratadas de forma unica, especial e fraterna... pois este é o espírito TRIBAL.

Xeros no Pulsante.

Opa, peraíiiiiiiii!!!!! Falei de poesia e preciso mencionar a poesia do imortal Carlos Moraes que nos agraciou com seu trabalho:
Casuais
E do Caos nasce Gaia
A terra fecunda
Em seres e artimanhas...
E dos seres nasce a musica
E o movimento que ordena o Caos...
A terra gira, sobre si e ao redor de Hélio
É a dança da terra...
Somente um deus que dança
Aniquila o espirito da gravidade...
“dançar leve, à toa...”
DANÇAR....LEVE!!!
Assim seja, sempre!

24 de abril de 2015

CAROLENA NO BRASIL - O que é que não é?! (Mostra e Gala - Gala e Mostra)

Por Maria Badulaques

Minha filha faz sempre essa brincadeira com seu pai, o que é que não é...
-Papai, o que é que não é um bicho que pia?
-O peixe, Marina.
-Acertou!

Gala, para o dicionário (http://www.dicio.com.br/gala/) é: s.f. grande festa, geralmente de caráter oficial: noite de gala; uniforme de gala. Pompa, fausto.

Daí, pergunto: 
- O que é que não é Mostra dos Melhores de Sua Categoria?
- O GALA.
Acertou!!! Hein?! Oi?!

Entendo, como dançarina, expectadora... que o GALA de um evento compõe sim o melhor que há naquele segmento. Em maio, o público flamenco contará com La Lupi no Brasil, o evento será aberto pelo Estúdio Soniquete (opa... batuta de Mariana Abreu, prescinde de apresentações) e depois 50 min da diva flamenca quebrando tudo, toma que toma, olé!

Pressão?! Total, mas como dizia minha avó, se tu não aguenta com o peso, não segure o pote. Ao organizar um evento há duas opções: dividir em Mostra Gala OU tudo junto e misturado. No caso da  primeira opção, há uma expectativa para o cair da noite, do pessoal no GALA aguarda-se algo "perfeito", ou graciosamente "imperfeito", mas nunca, jamais, amadorismo. Quando o formato é somos tribo e tamo junto, a pressão cai para todos os níveis, a respiração fica menos ofegante e o público mais compreensivo. 

Assisti ao Gala mais aguardado do ano: Carolena e Megha, no Festival do Campo das Tribos - SP e posso dizer que vi UM GALA NABABESCO com Raphael Lopes, dançarino de Odissi. Vi na Mostra, a tarde, apresentações tecnicamente fantásticas, como não citar a performance de Marcelo Justino e tantas outras que o antecederam e sucederam, vamos falar mais sobre isso ao longo da semana.  Ressaltar o que foi lindo e reluziu como GALA (mesmo não estando neste elenco) é de lei, vamos começar falando desta linda dança clássica indiana sediada em muita técnica e pulsante alinhados.

Senti toda emoção de Rapha, no primeiríssimo instante em cena, infelizmente não entendi o que ele estava retratando, preciso retomar minhas aulas de Odissi, vim saber mais tarde que era a Dança de Shiva, talvez se naquele momento houvesse uma leitura poética, possivelmente, a plateia entrasse em orgasmo coletivo, porque a mensagem corporal estava clara, venha... encante-se, arrebata-se. E eu fuiiii.

Ali, no frisson percebi um olhar, era ele se conectando com a plateia, pensei que fantásticooooo, colocando em prática o que Carolena ensinou: conexão, e que mais tarde a vi fazendo, procurando olhares na audiência. Estava satisfeita, fez-se a luz, o GALA.

Nada melhor do que uma (a)Mostra do que é um GALA!!!

Na tarde daquele sábado... conversei com Raphael e ele era a visão da emoção e honra por estar onde estava, a minutos de dançar para nós, mortais, e para ela, Carolena. Apresentação digna e beirando à perfeição, porque perfeito só Shiva, mas seu representante não fez Mostra... fez arte.

Para Raphael o item apresentado se resume assim:
P
"Batu, a dança de Shiva. 
Batu é um dos nomes de Shiva, em sua forma como o infante guardião do Tantra; e a complexidade dessa peça que remonta a poses esculturais dos templos de Orissa a torna uma das danças mais aclamadas do repertório da dança Odissi. O item se inicia com o bailarino representando o devoto que toca os instrumentos musicais em louvor a Divindade: instrumento de cordas, flauta, percussão e snujs; seguido por uma elaboração ritmíca em que no extase da dança o bailarino encontre no ritmo a fusão com o Divino, a fusão com Shiva"

Na-ba-bes-co!!!

Xeros no pulsante.

Por mais eventos com tudo junto e misturado!!!


Maria Badulaques.


Festival Campo das Tribos
Posted by Shimmie on Sábado, 18 de abril de 2015

10 de abril de 2015

AGENDA TRIBAL - AS ENTREVISTAS MAIS TESUDAIS DO MOMENTO!!!

AGENDA - Se segura que a chapa tá quente!!!
Está no ar a série de entrevistas com a Sister Emini Di Cosmo (duas partes)
Sessão Antes-Durante-Depois com Beth Fallahi e Raisa Latorraca, acompanhando a trajetória e caminhada rumo ao Sister Studio.
Estamos finalizando um papo bacanerrimo com o Marcelo Justino sobre a figura masculina no ATS e o Dress Code.
Há ainda o papo com a Sister Studio americana - Kelsey Senica, durante sua visita ao Brasil.
Na onde de intensidades uma conversa bombástica com Lukas Oliver
(afffff, tou com os olhos fora da órbita até agora).

Nossa querida Lulu Hartenbach,
um dos grandes Pilares da dança no Brasil, que honra!!!

Caramba, nós tamos fodasticamente IMPERDÍVEIS!!!
Vamo que vamo!!!

Xeros da Maria... cheia de Pilares no nosso Tribal.

23 de março de 2015

22 - HOMENS NO ATS

22 por Maria Badulaques - SEMANA 42

Bem, o ATS não foi pensando pra eles. Quando recebemos as instruções para o curso de Carolena (no Brasil) há um rol de observações sobre comportamento e trajes, e o dos meninos está como "poderão usar calça gênio". 

Ou seja, tudo tá meio... e agora, José?!

Conversando com a Natii sobre o assunto, porque temos o Marcelo na trupe, e estamos nos preparando para uma apresentação com ele entre nós, ela dizia que a própria Carolena não se manifesta sobre o tema, dizendo que ao criar o ATS pensou unicamente nas mulheres, mas os homens estão aí e dançam, portanto fica a nosso encargo desenhar esse formato.

Pois bem, o corpo feminino é totalmente distinto do masculino, a beleza deles está num torso muito expressivo, acredito que o nosso é mais atraente no quadril... vendo a movimentação do Marcelo em nossos ensaios, adoooro quando observo o "peito de pombo" armando as variações, então ver esse torso desnudo é fundamental.

Há quem prefira uma performance feminina dos meninos, não crítico, cada um se expresse como desejar, mas lógico haverá as preferências, assim como as escolhas... gosto muito de ver homens dançando como homens, mesmo numa dança tão feminina... e se quiser ver este formato venha nos assistir no Festival da Carolena.

Agora, visão pessoal já saliento, independente de ser um homem dançando como homem, ou numa posição mais feminina, o fato de tê-lo em meio a tribo não deve induzir uma posição de destaque, diante do secto feminino... tribo é tribo, e assim qualquer membro deve ser tratado, como parte e não o todo. 

Penso que desta forma se verá dançarinos e não distinção de gêneros.

Lendo sobre o assunto vi várias conversas (lá fora) onde se discutia se haveria floreios masculinos, etc... etc... bem, o que você acha?

Dançar algo em construção é assim.... :)

8 de julho de 2014

282 - HOMENS NA DANÇA II

282 por Natalia Espinosa - SEMANA 06


Inspiradas pelo post sobre John Compton, pedimos ao Marcelo Justino (texto AQUI) para falar sobre como é dançar pra ele, como é sua escolha de postura e movimentação. Hoje lembrei-me de um blog que eu gosto (infelizmente está parado) de um rapaz que dança dança do ventre, ATS® (aparece bastante nas aulas online de Carolena Nericcio-Bohlman no powhow) e tribal fusion. Ele se define como um bailarino gay e feminino, que gosta de se expressar de forma feminina (diferente de como o Marcelo prefere se expressar). Aqui estão alguns posts dele sobre o assunto, para quem fala inglês... 


2 de julho de 2014

288 - FIGURINO

288 por Maria Carvalho - SEMANA 05


Hoje gostaria de abordar os Figurinos, numa conversa entre a Natalia Espinosa e o Marcelo Justino comentávamos sobre as tendências, moda-tribal... enfim, a questão basilar foi: por que não usamos nosso artesanato local? Afinal, há uma riqueza nababesca na cultura patrícia, com artesãos trabalhando os mais diversos tipos de materiais. 

Quando Jamila, Masha, Carolena pensaram o figurino que se usa, lançaram mão do que lhes era mais familiar, mas para nós o natural é um cinturão artesanal do Rajastão ou um belo cinturão Pataxó? Se vê muito dessa riqueza nacional nos figurinos elaborados no Tribal Brasil, em especial do Marcelo, que conheço o trabalho e sei da forma como pensa cada peça... nada impede que se incorpore no ATS a cultura que nos é peculiar e uterina.

Creio caber uma conversa com a Nave-mãe sobre isso.

1 de julho de 2014

289 - HOMENS NA DANÇA

289 Marcelo Justino - SEMANA 05

Quando eu dizia as pessoas que dançava bellydance, a primeira pergunta era: Você usa saia? Que tipo de roupa você usa? A segunda pergunta era: Seus movimentos são os mesmos que os das mulheres? 

E eu sempre achava engraçado esse tipo de pergunta, me imaginava de saia e começava a rir, porque me parecia algo tão óbvio não usá-las. Óbvio simplesmente por ser homem, mas pensando como leigo e alguém que não está acostumado ao estilo, passei a achar uma pergunta bem pertinente.

A escolha do figurino masculino é algo muito pessoal e sempre de acordo com o estilo do próprio bailarino, creio que seja aquilo a qual cada um se sinta melhor em mostrar seu trabalho e sua arte.

Em relação aos movimentos, sim os movimentos são os mesmos pra homens e mulheres, mas falarei sobre algo muito particular, sobre que o que sinto em meu próprio corpo.

O corpo masculino é diferente do feminino, não temos cintura tão acentuada como as mulheres, não temos quadris largos, nosso estrutura é essencialmente mais quadrada, nossos músculos são naturalmente mais rígidos, o que dificulta as vezes a execução de alguns movimentos, principalmente os mais sinuosos. Para compensar tal dificuldade, sempre tive a sensação que eu usava muito mais força que as meninas pra execução desses movimentos, o que em contra partida sempre tive a sensação que era melhor nos movimentos mais precisos, quebrados do que elas.

Pra mim enquanto bailarino, existem alguns movimentos, que particularmente eu prefiro não executá-los dentro do meu trabalho. Como alguns movimentos de braços e jogadas de cabelos que pra mim são essencialmente bem femininos, até porque sempre mantenho meus cabelos curtos. Algumas posturas ou molduras de braços como alguns dizem, também prefiro não usá-las. Quando danço solo ou com minha parceira, sempre tento manter alguns pontos de diferença para que quem me veja dançando, veja um homem dançando, não apenas pelo figurino, mas também através da minha postura em cena.

Isso é uma escolha muito pessoal, figurino e desenvolvimento de estilo, afinal estamos falando de dança, arte e cada um tem sua maneira de se expressar, aí está a grande riqueza da ARTE DIVERSIDADE.

Por conta dessa minha escolha já fui criticado por alguns, dizendo que não dançava bem e que eu era sério demais em palco com o bellydance. Foi quando descobri o tribal, ebaaaaaa, foi paixão a primeira vista.

A postura das bailarinas e bailarinos, são muito fortes, expressivas, talvez pela influência flamenca no estilo. A postura dos braços, são fortes, mesmo as mais sinuosas. Usamos muito trabalho e força muscular, não que o bellydance não se use, mas o tribal tem como essência na minha opinião a FORÇA.

Dentro do tribal pra mim existe menos diferenças entre homens e mulheres enquanto movimentação, mas mesmo assim, sempre tenho o cuidado de escolha do que se adequa melhor a mim, enquanto homem. Meus figurinos e trabalhos coreográficos são sempre pensados no MASCULINO, a escolha da musica, acessórios.

tribal permite muito a parte performática de cada artista, mas mesmo com toda a abertura que o estilo nos dá, nunca me imaginei fazendo um personagem feminino em cena. Trabalhar a essência masculina dentro de um estilo que pra muitos é essencialmente feminino, pra mim já é um grande desafio.

Ator e bailarino há 18 anos, atua em várias modalidades como jazz, contemporâneo, clássico, sapateado, dança do ventre e tribal fusion.Texto enviado por Marcelo Justino.
Eu gosto de desenvolver a masculinidade em cena, até porque as vezes eu sinto que a dança nos deixa mais delicados e eu sinto a necessidade de me expressar como HOMEM. Não o "homem" ser humano, mas sim o homem realmente como sexo masculino da raça humana.