3 de setembro de 2014

225 - KATARINA BURDA

Katarina Burda - Guedra
225 por Carine Würch - SEMANA 14


Como não podia deixar de ser, cada vez que pesquiso mais, mais me encanto por este mundo mágico de muitas culturas, cores e sons!

Pesquisando sobre o que escrever sobre Katarina Burda, me deparei com a menção a alguns workshops de Guedra, como não sabia o que era, fui pesquisar:


"Originário das tribos Tuaregs do Maghreeb, o Guedra está presente desde a Mauritânia, Marrocos até a ArgéliaOs Tuaregs são pertencentes ao grupo étnico dos Berberes, a palavra Tuareg é utilizada para distingui-los dos demais, pois toda as suas vestimentas são azuis. O povo azul, para quem não sabe, forma os primeiros produtores do pigmento azul utilizado no tingimento do jeans, o azul indigo provém desse povo que não se autodenomina Tuareg, mas  "Kel Tagilmus" o povo do véu (fonte de informação Morocco).

Como são Bérberes carregam costumes e tradições muito antigos de tempos pré-islâmicos, entre eles, a liberdade feminina principalmente quando se refere à sexualidade, o respeito aos elementos da natureza. O povo Berbere sofre discriminação pelos árabes do norte da África.

Significado da palavra Guedra - A palavra Guedra significa "pote" devido ao seu único instrumento musical, um tambor feito de barro, pedra ou metal (geralmente uma panela improvisada) coberta por pele de cabra. O tambor Guedra é responsável por conduzir os dançarinos durante o ritual. Diferente do Zaar egípcio em que acontece uma espécie de exorcismo, o Guedra é executado para abençoar os amigos, as visitas, os casamentos e os recém-nascidos.

Significado da Dança - A dançarina Morocco, em um artigo, nos explica o possível significado do Guedra, aliá muito bonito. O tambor ao mesmo tempo pote de cerâmica utilizado na culinária tuareg, representa o corpo humano feito de barro e coberto por pele, o som produzido por ele representa as batidas do coração, fonte indispensável para a vida. Esse significado se repete em outros rituais do Oriente, não é novidade, mas continua sendo poético. Alguns chegam a afirmar que o som do tambor atrai os amigos de longe.

O ritmo GuedraExecutado com apenas um instrumento o ritual do Guedra depende do canto e das palmas. A base rítmica: Duh Dah m Duh Dah/ Dun Dah m Duh Dah.

As palmas são alternadas entre o grupo, uma parte bate 1 e a outra bate 2.


Normalmente é um ritual noturno, realizado à luz da lua e ao redor do fogo, não impede de atualmente você assistir um show especial para turistas, em plena luz do meio dia (são as condições de dessacralização que a vida contemporânea nos reserva).

O ritual tem início com uma mulher, coberta por um véu preto (Haik), representando a escuridão do caos. As mãos se direcionam aos pontos cardeais, mimetizando os quatro elementos (fogo, terra, ar e água) e o tempo (passado, presente e futuro). 

Aos poucos ela vai acompanhando o ritmo com o corpo, mostrando a ordem cósmica necessária para a criação do Universo e suas criaturas. Os gestos das mãos simbolizam, a beleza, o amor entre os elementos, o drama, a tristeza.

Significado básico das mãos: Mãos ao alto - paraíso - Mãos para baixo - terra - Ondulações do pulso para baixo - águas - Quando para trás - passado - Nas laterais - presente - Para frente - o futuro

O grupo acelera as batidas do tambor e das palmas motivando a dançarina a cair no transe, quando isso acontece ela cai ao chão e outra dá início a dança. A queda corresponde a um transe e não a uma coreografia programada, assim como no Zaar e aqui segue um comentário crítico, é muito estranho assistir a performances em que as bailarinas não tiveram uma contextualização e caem porque devem cair. Para o professor que irá transmitir a interpretação do ritual do Zaar é importante repassar a queda como um desfalecimento que antecede a incorporação.



O Traje - A túnica azul é feita à maneira romana, dois tecidos presos nos ombros por fivelas, pode-se dançar com um longo kaftan e nunca utilizar a vestimenta de Dança do Ventre estilo Cabaret, pois, as músicas são religiosas e com temas muçulmanos.

Os cabelos são trançados com búzios e enfeites comuns às mulheres Tuaregs, enquanto que os adornos de metal fundido, são bem rústicos e misturam pedras, âmbar e corais. As mulheres Tuaregs tatuam as mãos com henna, pintam os olhos com Kohl e decoram o rosto com tinta vermelha e amarela.

InformaçõesIbrahin Farrah | Karol Harding | Jasmin Jahal |
Morocco - http://www.orientaldancer.net/articles/guedra.shtml

Postagem original

Katarina Burda ministrando um workshop de Guedra, e acima dançando.

Maio de 2014 



Trago isto para nossa realidade. Quanto da essência TRIBAL está em todos este elementos. Que possamos estar com os ouvidos, olhos e coração atentos, para que isto não se perca.
Postar um comentário