3 de outubro de 2014

195 - REBABA | RITA ALDERUCCI

195 por Carine Würch - SEMANA 18

Memórias de North Beach - Casbah Cabaret, Parte I - Cerca 1973
por Rebaba

"Ele disse: terças e quintas-feiras, US$ 15,00 por noite para três shows, nossa, era meu sonho!" "Agora, se a minha mãe iria me deixar fazer isso... você vê, eu tinha apenas dezesseis anos, quase dezessete, e ainda estava no colegial."
"Mas, eu vou me formar este mês e não começarei a escola na Suíça até setembro... "

Estas foram as minhas preocupações a noite Fadil Shahin me perguntou quantos anos eu tinha, depois que eu fiz um solo na Celebração da Lua de Jamila. Claro, eu respondi "21", na minha muito madura voz (sorry Fadil!), já que estava esperando que a próxima coisa que sairia de sua boca fosse uma oferta de emprego. E foi: terças-feiras e quintas-feiras, um sonho se tornado realidade!

Dança do ventre, quem teria imaginado ?? Eu tinha me imaginado uma dançarina profissional desde que eu era uma menina assistindo a Jackie Gleason Show e fingindo que eu era uma "June Taylor Dancer"! Bem, Dança do Ventre serviria. Pela primeira vez na minha vida eu estava no lugar certo, no momento certo, para me tornar uma profissional Bellydancer, ou Oriental Dancer (você deve preferir esse nome). 
Casbah Dressing room shot, taken in 1973, I just graduated from High School, and was dancing Tuesday and Thursdays there before leaving the states to go to school in Switzerland.

Eu realmente acreditava que Deus criou a dança do ventre só para mim (agora me lembro, eu tinha 14 anos quando entrei no estúdio de Jamila), como não existia uma forma de dança mais perfeito para o meu corpo e alma. Comecei aulas sobre Presidio Avenue com Jamila Salimpour em novembro de 1969, exatamente um ano depois, eu estava dançando no Novato Renaissance Pleasure Faire, com o Bal-Anat, companhia de dança tribal de Jamila. Eu alternava apresentações com Aida, realizando a primeira dança do jarro feita pelo Bal-Anat. Eu tinha quinze anos e não tenho minha carteira de motorista ainda, e eu tinha que ter um acompanhante no Renaissance Faire, a humilhação das humilhações! Felizmente para mim, minha  acompanhante não poderia ter sido uma escolha mais perfeita, a fabulosa Nakish! Ela me pegava todo sábado e domingo e depois me deixava em casa para casa a "Mamãe", sã e salva, depois de um dia fantástico, dançando no Bal-Anat original.

Escrevendo estas coisas, estou percebendo que esta é uma história muito boa em si mesma; portanto, vou parar agora e saltar para a frente um par de anos para a minha estréia no Casbah na Broadway.

Broadway em 1973 ainda era um incrível espetáculo original, com pára-choques colados uns nos outros, tráfego abundante e casas noturnas que ofereciam entretenimento cabaret,  esticavam a gama desde topless até  música flamenca e dança. Era uma fúria de luzes néon , camelôs, hippies, marinheiros e turistas embalados pelas calçadas sete noites por semana. Lá eu comecei a minha carreira de cabaré, com Fadil no Oud, Jalaladine tocando Kanoon, e uma grande variedade de outros músicos maravilhosos.

Fazíamos o que eu tenho chamado de "dança produção contínua", pois eramose três dançarinas fazendo três shows cada, começando pontualmente às 20:30, sem parar, até 02:00 da manhã, tendo platéia ou não. As bailarinas eram mulheres incrivelmente belas, e depois de eu, uma garota de dezesseis anos tentando o seu melhor para parecer muito crescida.

Dancei com Selwah, Reyna, Rhea, Aida, Zahra Anise, e Saida e tantos mais ... dançarinas coloridas, originais e maravilhosas. O Casbah foi a minha sala de aula de música, onde eu comecei a crescer e amadurecer como dançarina, artista e também mulher. Fadil foi o melhor professor de música e guardião que eu poderia ter pedido. Ele se tornou uma figura paterna para mim, me ajudando a entender a música, incentivando-me a "sorrir", constantemente ficando no meu pé, para perder peso, e, geralmente, cuidando de mim. Quando olho para trás, acho que ele pensou quão jovem, eu realmente era, ou pelo menos ele sabia quão imatura e ingênua eu realmente era, embora eu pensasse que eu era tão boa e definitivamente tivesse enganando todo mundo! Sem dúvida ele reconheceu um talento em mim, que eu nem sabia que estava lá, para minha sorte. Ou seja, era a minha capacidade de interpretar emocionalmente sua música pátria e dançar sem o conhecimento de sua linguagem. Somente muitos mais anos tarde que eu comecei a reconhecer e entender esse talento meu. Quando eu finalmente amadureci o suficiente, e estava suficientemente confortável em minha própria pele, eu aprendi a controlar e tirar proveito desta minha capacidade de expressar emoções intensas através da minha dança. Fiquei extremamente feliz que Fadil Shahin alimentou o meu talento, o meu dom de presença, que me permitiu dançar essa "dança de alma", como uma nativa, mesmo quando eu era pouco mais que uma criança sozinha.

Continua...

** Tradução Livre por Carine Würch **
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