9 de outubro de 2014

189 - REBABA | RITA ALDERUCCI

189 por Carine Wurch - SEMANA 19

De vez em quando, um cavaleiro numa armadura reluzente, apareceria para esta princesa desajustada, do mundo da dança do ventre. Seus cavaleiros geralmente entravam em sua vida, cortesia dos locais onde se apresentava. 

Apenas esta circunstância, já era uma boa razão para se afastar, tendo armadura brilhante ou não. No entanto, esta princesa não acreditava que ela tinha um valor especial, e portanto, ela não tinha forças para recusar as atenções de um cavaleiro em armadura brilhante

Vivi esta princesa imaginária, no palco, por muitos anos durante a minha vida adulta. Ela era a "melhor de mim" que poderia imaginar, e eu a amava muito, pois realmente me mantinha sensata e feliz, sempre que estava atuando em sua pele. Pena não haver aprendido algumas coisas através desta minha caracterização, que poderiam ter me ajudado durante minha busca ao amor. Eu sei que agora, depois de muitos anos de erros, corações partidos e mais lições de vida que eu posso contar, o amor que recebi durante as apresentações, foi possível graças a minha imaginada auto-consciência e confiança como Rebaba. No entanto, fora do palco, minha auto-imagem era de completa falta de confiança, extremamente insegura e totalmente incapaz de reconhecer e aceitar o amor. Felizmente, fui capaz de experimentar este amor através do meu público, que de bom grado me deu, durante os muitos anos de minha carreira profissional. Se não tivesse experimentado este amor (junto com o amor da minha família e amigos com certeza, mas, que estavam longe, grande parte do tempo que eu estava dançando profissionalmente), acredito que poderia ter me aventurado no poço sem fundo da dependência de drogas, muito mais cedo do que eu fiz. 

Minha dependência completa de medicamentos não começou até que parei de dançar profissionalmente, e me mudei de volta para minha cidade natal, para começar uma segunda carreira, depois de me formar na universidade. Como eu ainda não cheguei neste ponto da minha história, eu prefiro continuar com um momento de alegria ao dançar profissionalmente em Los Angeles. Para mim, geralmente, os shows mais únicos e engraçados eram os mais longos que a maioria dos outros. Portanto, eu gostaria de contar um dos mais engraçados, além de ser possivelmente, a melhor Entrada que fiz no AliBaba em Hollywood


Era uma noite de sábado, neste pequeno espaço com o teto baixo, construído para parecer caverna de Ali BabaAliBaba era um desses clubes noturnos do Oriente Médio, incrivelmente bem sucedidos, que pontilhavam a área de Los Angeles durante os anos 60, 70 e em meados dos anos 1980. Eu trabalhava nos fins de semana e algumas noites durante a semana, que eram igualmente lotadas. Os membros da banda eram todos bons amigos e excelentes músicos, que tocavam como anjos para mim, durante cada show, independentemente do número de pessoas na apresentação. 

No entanto, os shows magníficos, realmente só aconteciam com muita ajuda de um público amoroso, generoso e em êxtase,  que alimentava nossos talentos individuais e nos inspirava a níveis mais altos de desempenho como um grupo. 

Este sábado, em especial, abrigava uma audiência como tal. Fiz minha entrada com minha música egípcia favorita, e o público já vibrava, pois também amavam esta música, assim como a minha dança. Estava quente, com muita fumaça e um barulho constante de fala e gritaria, copos tilintando e quebrando, gargalhadas e aplausos entusiasmados, que misturados ao todo, tornavam-se parte da música e do meu show. Dancei com todo meu coração e alma, apoiada pelo fluxo de energia que sentia como luz quente e amorosa, projetada pelo público presente. Os músicos tocavam como valentes leões, emitindo seu próprio rugido de prazer atrás de mim, para que eu estivesse envolvida por essa energia maravilhosa de felicidade e amor. 

Isso não acontece com muita frequência, onde cada nota musical, batida de tambor e o movimento físico, parecem fundir-se para tornarem-se um. Quando acontece, um show inesquecível é criado, e esse show em particular, estava definitivamente começando a se parecer como um daqueles shows especiais. Quando a música chegou a uma alta frequência, girei em torno do palco, terminando bem no centro, em uma inclinação perfeitamente bem cronometrada e executada. Quando a música terminou com uma batida ensurdecedora, as luzes se apagaram, joguei meu corpo para frente e para baixo, em direção ao chão, me ajoelhando simultaneamente. Minha cabeça foi com uma grande velocidade para baixo, para tocar meus joelhos, quando algo bateu no meu rosto. Caramba, percebi assustada, que o que tinha acabado de acertar meu nariz era o meu sutiã! 

Eu estava usando um dos meus trajes egípcios favoritos, que havia sido fortemente bordado. A combinação da minha inclinação extremamente rápida e furiosa, mais o peso do sutiã, obviamente, desengataram ele das minhas costas. Graças a Deus, o sutiã também estava preso na parte de trás do meu pescoço, que era a única coisa que o segurava no meu corpo. Quando as luzes se acenderam, iniciou-se lentamente a bela melodia de um violino solo, enchendo a sala. Percebi que era a única no clube que sabia que meu sutiã havia desengatado, pois tudo aconteceu quando a luz apagou. Não pude deixar de rir com o pensamento, quando comecei a mover-me através da música e também me posicionar na frente do músico que tocava Oud, que estava dedilhando seu instrumento feliz e completamente perdido em seu próprio mundo. Sorria e chamava seu nome, mantendo as costas para ele, pedindo várias vezes para "engate o meu sutiã, por favor". 


Com clubes abertos por toda Los Angeles, com música ao vivo e diversos dançarinos a cada noite, este tipo de situação com o figurino acontecida de vez em quando, e a maioria dos músicos podem contar histórias muito engraçadas envolvendo pedaços perdidos ou quebrados de figurino. 



Então, sabia que se conseguisse chamar a atenção do meu músico, ele saberia o que fazer... Finalmente consegui, e ele começou a tentar engatar o meu sutiã, e finalmente deixou escapar que não havia um gancho de apenas uma presilha. Bem, a esta altura o público estava começando a ficar curioso, e estava percebendo que algo estava acontecendo, além do óbvio: música e dança. Sendo a exagerada que sou, rapidamente virei-me dançando um pouco e mostrando ao público exatamente o que estava errado. Eles adoraram, batendo palmas, rindo e incentivando-me a continuar dançando desse jeito! 

Mostrei ao público que estaria de volta, inclinando-me para a minha banda, pedindo que continuassem tocando, enquanto descia as escadas correndo do palco para o camarim. Fui seguida por bons amigos: uma outra bailarina e um cantor, ambos gritavam, perguntando o que havia acontecido com meu figurino? Sem conseguir respirar, no camarim imediatamente me virei e pedi para a dançarina engatar meu sutiã. Ela repetiu o que havia sido dito no palco: que não havia um gancho no sutiã. Jogando a parte de cima do meu corpo, com tanta força, para curvar-me, evidentemente o gancho explodiu da alça. Então vamos agora para alfinetes de segurança. Tentando achar um alfinete de segurança, não importa quão grande fosse, através do espesso bordado, enquanto eu, ofegante, ria da minha situação, que era impossível. Ao mesmo tempo em que insistia para que o cantor subisse ao palco e começasse o seu número, uma outra amiga se espremia no camarim. Era a garçonete, e neste momento, ela tinha algo em sua mão, que ela levantou me perguntando se era meu. Ela disse que havia tirado do centro do palco, pois ela pensou que fosse um pedaço de pão pita. 

Bem, não era um pedaço de pão pita, era a espuma do enchimento de dentro do meu sutiã, que deve ter caído no chão do palco, quando fazia essa inclinação perfeita!











Texto original:

** Tradução livre por Carine Würch **
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